Guia de Neurofisiologia: Sinapses e Sistema Nervoso
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1. Homeostase: Refere-se aos mecanismos que o corpo utiliza para manter a constância, limitando as variações do meio interno e promovendo a vida.
2. Potenciais Elétricos:
- Potencial gerador: Ocorre apenas no dendrito, envolve canais ativos, perde amplitude com a distância e pode ou não gerar um impulso nervoso.
- Potencial receptor: Gerado pela transdução do estímulo sensorial em sinal bioelétrico, que poderá gerar uma despolarização, hiperpolarização e um Potencial de Ação (PA).
- Potencial de Ação (PA): Ocorre no axônio, gerado por estímulos sinápticos e sensoriais. Quando atinge a zona de disparo (limiar), não perde amplitude. Sem ele, não há liberação de neurotransmissores. Possui 6 fases: Repouso (antes do PA, a célula não gera nem transmite impulsos; canais de K+ e Na+ voltagem-dependentes fechados, mantido pela bomba de Na+/K+ ATPase); Despolarização Lenta (canais de Na+ se abrem, gerando influxo intracelular e aproximando o potencial da zona de disparo); Despolarização Rápida (todos os canais de Na+ se abrem e o PA atinge seu pico); Repolarização (canais de Na+ bloqueados pela partícula inativadora e queda da onda elétrica); Repouso (os gradientes típicos retornam devido à bomba de Na+/K+ ATPase, que elimina o excesso de Na+ e traz íons de K+ para dentro da célula).
3. Eventos Pré-sinápticos: Síntese e armazenamento dos neurotransmissores em vesículas, chegada do PA no terminal do axônio, abertura dos canais de Ca²⁺, influxo de Ca²⁺ no terminal, fusão das vesículas com a membrana do terminal, deslocamento das vesículas para zonas ativas, liberação de neurotransmissores na fenda sináptica e reciclagem da vesícula.
4. Eventos Pós-sinápticos: Ligação dos neurotransmissores com receptores pós-sinápticos, abertura de canais iônicos, alteração do potencial pós-sináptico e geração (ou não) de um novo PA.
5. Proteínas SNARE: Auxiliam na fusão da vesícula com a membrana terminal do axônio para liberar neurotransmissores. v-SNARE: presente na vesícula; t-SNARE: presente no terminal.
6. Transportes Membranares:
- Ativo: Contra o gradiente de concentração (do meio menos concentrado para o mais concentrado), utiliza a bomba de Na+/K+ ATPase como transportador e consome energia.
- Passivo: A favor do gradiente de concentração (do meio mais concentrado para o menos concentrado).
7. Período Refratário:
- Absoluto: Não haverá novo PA porque a partícula inativadora ainda bloqueia o canal de Na+.
- Relativo: Um estímulo normal não gera novo PA, mas se o estímulo for maior, há chances, pois a partícula inativadora não impede mais o canal de Na+.
8. Remoção de Neurotransmissores da Fenda Sináptica:
- Difusão: O neurotransmissor se difunde para fora da fenda.
- Degradação Enzimática: Enzimas degradam os neurotransmissores em compostos inativos.
- Recaptação: Transportadores na membrana pré-sináptica recapturam os neurotransmissores para reutilização.
Importância: Controla e limita a atuação do neurotransmissor, encerrando a transmissão sináptica.
9. Abertura dos Canais Iônicos:
- Mecanismo Direto: Por receptores ionotrópicos, que são os próprios canais iônicos e se deformam em contato com o neurotransmissor (Ex: Receptor de glutamato).
- Mecanismo Indireto: Por receptores metabotrópicos acoplados à proteína G. A ligação do neurotransmissor ativa a subunidade alfa, que ativa a adenilato ciclase, transformando ATP em AMPc, ativando a PKA que abre o canal iônico (Ex: Receptores glutamatérgicos metabotrópicos).
10. Sinapses:
- Sinapse Excitatória: Leva à despolarização da membrana. O PEPS é a soma do potencial excitatório gerado no neurônio pós-sináptico.
- Sinapse Inibitória: Leva à hiperpolarização, inibindo a transmissão. O PIPS é a soma do potencial inibitório gerado.
11. Dor e Nocicepção:
- Dor: Percepção subjetiva que envolve construção cortical; nem toda dor é produto da ativação de nociceptores.
- Nocicepção: Processo sensorial desde a detecção do estímulo até a transmissão da informação ao córtex.
12. Hiperalgesia: Percepção de dor mais intensa em tecido lesionado. Primária: na área lesionada; Secundária: ao redor da lesão.
13. Campo Receptivo: Área inervada por uma fibra sensorial. Fibras A-delta possuem campos menores (localização precisa); Fibras C possuem campos maiores (intensidade da dor).
14. Teoria da Comporta da Dor: O estímulo mecânico (como massagem) ativa mecanorreceptores que estimulam interneurônios inibitórios, diminuindo a atividade do neurônio de projeção da dor e "fechando a comporta".
15. Dor Referida: Estímulo originado em um tecido visceral, mas percebido na superfície do corpo (Ex: dor no peito refletindo no braço).
16. Vias Descendentes de Modulação: Vias analgésicas naturais que estimulam interneurônios inibitórios na medula. A substância cinzenta periaquedutal ativa projeções difusas noradrenérgicas e serotoninérgicas.
17. Canais e Bombas: Canais vazantes permanecem abertos no repouso para o fluxo passivo de íons. A Bomba de Na+/K+ ATPase é eletrogênica, gasta energia para manter o potencial de repouso em -65mV.
18. Via Final Comum: Compartilhada pelo neurônio motor inferior, pois todos os estímulos para o músculo passam por ele. O neurônio motor inferior está na medula; o superior está no encéfalo.
19. Reflexos: Respostas motoras automáticas a estímulos periféricos. Componentes: receptor sensorial, nervo sensorial, sinapse, nervo motor e órgão-alvo.
20. Barorreceptores: Estruturas nas paredes das grandes artérias que, ao detectarem aumento da pressão, inibem o Sistema Nervoso Simpático (SNS) e estimulam o Sistema Nervoso Parassimpático (SNP) para reduzir a frequência cardíaca.
21. Reflexos Miotáticos:
- Miotático: Dispara com o estiramento passivo, causando contração muscular via neurônio motor alfa.
- Miotático Inverso: Dispara com grande tensão, ativando interneurônios inibitórios que relaxam o músculo.
22. Neurônio Motor Gama: Ativado junto ao neurônio motor alfa para contrair o polo contrátil do fuso muscular durante o reflexo miotático.
23. Unidades Funcionais: No SNA, consiste em dois neurônios (pré e pós-ganglionar). No Sistema Nervoso Somático, consiste em um neurônio motor inferior que inerva diretamente o músculo.
24. Divisões Simpática e Parassimpática:
- Morfologia: O Simpático é toracolombar com gânglios próximos à medula. O Parassimpático é craniossacral com gânglios próximos aos órgãos.
- Bioquímica: No Simpático, usa-se acetilcolina (pré) e noradrenalina (pós). No Parassimpático, usa-se acetilcolina em ambas as sinapses.
- Função: Luta e fuga (Simpático) vs. Repouso e digestão (Parassimpático).
25. Interações Autonômicas:
- Antagonismo: Efeitos opostos (ex: taquicardia simpática vs. bradicardia parassimpática).
- Sinergismo: Efeitos complementares
(ex: ereção parassimpática e ejaculação simpática).
26. Sistemas Motores: O Somático controla movimentos voluntários (músculo esquelético) com inervação direta. O Visceral/Autônomo controla movimentos involuntários (glândulas, músculo liso e cardíaco) via inervação indireta com dois neurônios.
27. Efeitos em Órgãos-Alvo: No coração, o Simpático aumenta a frequência e o Parassimpático a diminui. Nos olhos, o Simpático dilata a pupila e o Parassimpático a contrai. No Trato Gastrointestinal, o Simpático aumenta o tônus dos esfíncteres e o Parassimpático o diminui. Nos brônquios, o Simpático causa broncodilatação e o Parassimpático broncoconstrição.
28. Sistema Nervoso Entérico: Controla o processo digestivo, a motilidade do cólon, vasos intestinais, secreções e transporte de fluidos.