Guia de Nutrição Clínica: Enteral, Renal e Cardiovascular
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Definição de Nutrição Enteral
Alimento para fins especiais, com ingestão controlada de nutrientes, na forma isolada ou combinada, de composição química definida ou estimada, especialmente elaborada para uso por sondas ou via oral, industrializados ou não, utilizado exclusiva ou parcialmente para substituir ou complementar a alimentação oral em pacientes desnutridos ou não, conforme suas necessidades nutricionais, em regime hospitalar, ambulatorial ou domiciliar, visando a síntese ou manutenção de tecidos, órgãos ou sistemas.
Indicações da Nutrição Enteral
- Impossibilidade da utilização da via oral (inconsciência, lesões, neoplasias, dores);
- Ingestão oral inadequada;
- Disfunções no TGI;
- Deglutição comprometida.
Vias de Acesso e Critérios de Escolha
Vias: nasoenteral, nasogástrica, nasoduodenal, nasojejunal, gastrostomia, faringostomia, jejunostomia e ostomias.
Critérios: O trato gastrointestinal está funcionando? Se não, utilizar nutrição parenteral. Se sim, utilizar enteral. Caso a duração seja menor que 4 semanas e não haja risco de aspiração, utilizar via gástrica; se houver risco, utilizar pós-pilórica. Para duração maior que 4 semanas, sem risco de aspiração, utilizar gástrica; com risco, utilizar pós-pilórica.
Classificação das Dietas: Industrializadas e Artesanais
- Artesanais (ou caseiras): Preparadas à base de alimentos in natura, empregados como fonte de nutrientes em seu estado natural, desde que processados para apresentar consistência líquida.
- Industrializadas: Formulações preparadas industrialmente. Apresentam vantagens como individualização da fórmula, fornecimento adequado de micronutrientes, menor manipulação e maior estabilidade microbiológica e bromatológica.
Fatores de Risco para Doenças Cardiovasculares
- Modificáveis: Tabagismo, diabetes, hipertensão arterial, dislipidemias, obesidade, sedentarismo e estresse.
- Não modificáveis: Idade avançada (homens acima de 45 e mulheres acima de 55 anos) e histórico familiar de DVC precoce.
Hipertensão: Dietas e Recomendações de Sódio
A recomendação de sódio é de 100 mEq/dia ou 2400 mg/dia (equivalente a 6g/dia de sal de cozinha segundo a SBC; a OMS recomenda 5g/dia).
- Hipossódica (leve): Adição de 3,5 a 5g/dia de sal de cozinha.
- Hipossódica (moderada): 2,5 a 3,5g/dia de sal de cozinha.
- Assódica (severa): Refeições preparadas sem sal, contendo apenas o sódio natural dos alimentos (0,5 a 1g de sal/dia).
Doença Renal Crônica (DRC) e Litíase Renal
A DRC é a perda lenta, progressiva e irreversível das funções renais.
Dietoterapia e Orientações Nutricionais
- Restrição proteica (fase pré-dialítica);
- Controle de sódio e líquidos;
- Técnica para redução do teor de potássio (dupla cocção do feijão, desprezando o caldo);
- Evitar "pular" refeições;
- Limitar alimentos ricos em fósforo e potássio (frutas e hortaliças cruas);
- Evitar chá e café.
Litíase Renal
Cristalização de substâncias na urina (cálcio, oxalato, ácido úrico). Orientações: Dieta individualizada, evitar restrição de cálcio, balancear cálcio e oxalato, adequar proteína animal, evitar excesso de sal, estimular alimentos ricos em potássio e aumentar a ingestão de líquidos.
Alimentos Funcionais no Tratamento das Dislipidemias
- Soja (isoflavonas): Previne DCV.
- Frutas e vegetais (flavonoides): Efeito antioxidante (amora, morango, uva, maçã, alho, cebola, vinho tinto, chá verde).
- Sementes e óleos (fitosteróis): Redução do colesterol.
- Azeite de oliva (compostos fenólicos): Efeito anti-inflamatório.
- Peixes e nozes (ômega-3): Redução de triglicerídeos.
- Vitaminas (E, C e carotenoides): Evitam a oxidação do LDL-colesterol.
- Fibras: Solúveis (pectina) diminuem a absorção de colesterol; insolúveis (farelo de trigo) auxiliam na saciedade.