Guia de Odontopediatria: Diagnóstico e Tratamento

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Frenectomia e Estruturas Bucais

Frenectomia: Há indicação de intervenção quando a mãe não consegue higienizar a região e há comprometimento da motricidade labial; devemos aguardar até a irrupção dos caninos.

Sucking Pad: Apoio para sucção do aleitamento materno (conhecido como calo do aleitamento materno).

Freio Labial: Ao nascimento, tem o freio inserido na papila. Com o crescimento e desenvolvimento da arcada, assume uma posição mais vestibular e alta. Se isso não ocorrer, temos o freio teto labial persistente; se causar isquemia, pode atrapalhar o crescimento dos dentes. O freio labial inferior geralmente é fino.

Palato: As rugosidades são bem pronunciadas e o arco é em formato de "U".

Características da Deglutição Infantil: Língua posicionada entre os rodetes gengivais. No primeiro ano de vida, a deglutição é imatura e vai sendo substituída pela madura.

Lesões e Cistos Comuns em Recém-Nascidos

  • Úlcera de Riga-Fede: Tipo de lesão causada na língua pelos dentes natais ou neonatais.
  • Hematoma de Erupção: Lesão com aparência azulada e translúcida, produzida por hemorragia dentro do folículo de dente em irrupção. Pode apresentar sintoma dolorido e desconforto. É indicada a incisão cirúrgica quando a presença prolongada interfere nas funções de mastigação e fonação.
  • Pérola de Epstein: Sobra de pele exatamente sobre a rafe palatina mediana com conteúdo esbranquiçado (conduta: massagem e observação; cirurgia apenas se crescer).
  • Cisto de Lâmina Dentária: Sobra de pele na crista alveolar do rebordo gengival, com maior frequência em região posterior. Tem origem epitelial e a conduta é massagem e observação.
  • Nódulo de Bohn: Conteúdo amarelado encontrado sobre os rodetes gengivais, localizado nos rebordos alveolares, na porção vestibular ou palatina/lingual. A conduta é massagem e observação.

Manejo Comportamental e Estabilização

Estabilização Protetora: Utilizada quando não há cooperação no tratamento por falta de maturidade (estabiliza braços, pernas e cabeça).

  • Ativa: Quando há participação da mãe.
  • Passiva: Usada com dispositivo de estabilização.
  • Mista: Combinação dos dois métodos.

Técnicas Comportamentais: Técnica do "diga, mostre e faça", controle de voz e reforço positivo.

Dessensibilização: Técnica para conter o medo, onde se coloca a criança na posição de relaxamento para expô-la à situação odontológica que lhe cause medo ou ansiedade, utilizando todas as técnicas para remediar gradualmente o medo.

Avaliação de Cárie (Scores) e Protocolos

  • Score 0: Sem alteração após secagem.
  • Score 1: Opacidade após 5 segundos em fossas, fissuras e cervical.
  • Score 2: Opacidade visível.
  • Score 3: Cavidade em esmalte.
  • Score 4: Sombreamento e cavitação.
  • Score 5: Cavidade com exposição (menos da metade externa).
  • Score 6: Exposição dentinária que acomete mais da metade da parte externa do dente.

Os Scores 4, 5 e 6 necessitam de radiografia periapical. Lesão Ativa: Apresenta acúmulo de placa. Lesão Inativa: Não é rugosa e possui brilho.

Tratamentos Sugeridos:

  • Scores 1 e 2: Protocolo de flúor.
  • Score 3: Selamento (usa-se cureta, aplica-se CIV ou selante resinoso).
  • Scores 4, 5 e 6: Em contato com esmalte é externa (selamento, remoção da biomassa); em contato com a polpa é interno (risco de exposição: optar por capeamento pulpar indireto após remoção parcial do tecido carioso).

Antibioticoterapia

Quando prescrever: Pacientes com diabetes descompensada, imunosuprimidos, abscessos periapicais agudos com sinais locais de disseminação do processo infeccioso, trismo, celulite ou sinais de ordem sistêmica (febre, taquicardia, falta de apetite, mal-estar, traumatismo).

Quando não prescrever: Fístula, abscessos localizados sem sinais de disseminação, dor associada a pulpite, pericoronarite não complicada ou cirurgia convencional.

Diretrizes de Uso: Dar sempre doses maciças pelo menor espaço de tempo. É essencial ter contato com o paciente para monitorar o curso da infecção a cada 24 ou 48 horas para o sucesso da terapia. A dose ideal deve ser suficiente para ajudar no combate da infecção, excedendo a concentração mínima inibitória em 2 a 8 vezes. Para crianças, o cálculo é feito em mg/kg de peso.

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