Guia de Ortopedia: Principais Patologias e Fraturas
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Legg-Calvé-Perthes
Definição: Necrose asséptica avascular da epífise femoral em crescimento.
Causas: Sinovites de repetição, trauma, uso de esteroides e defeitos de coagulação.
Fases: Necrose > Fragmentação > Remodelação > Sequela.
Diagnóstico: Radiografia panorâmica da bacia em AP e Lovenstein (apresenta alterações da epífise proximal do fêmur: irregularidade, achatamento e heterogeneidade). O sinal de extrusão da cabeça do fêmur sugere a evolução.
Tratamento: Conservador: Imobilização bilateral em abdução e rotação interna.
Epifisiólise
Definição: Deslizamento da epífise proximal do fêmur.
Causas: Multifatorial, biotipo ectomorfo, sinovites, obesidade e desequilíbrio endócrino.
Quadro Clínico: Sinal do obturador e limitação da rotação interna, flexão e abdução do quadril.
Exame Físico: Sinal de Drehmann, Galeazzi positivo e membro mantém rotação externa.
Classificação: Estável (paciente deambula) e instável.
Diagnóstico: Radiografia panorâmica de bacia em AP e Lovenstein. Descrição: Deslizamento da epífise proximal do fêmur e linha de Klein.
Tratamento: Epifisiodese com parafuso canulado.
Complicações: Necrose avascular da cabeça femoral e condrólise (pior complicação).
DDQ (Displasia do Desenvolvimento do Quadril)
Definição: Alteração da formação do quadril.
Fatores de Risco: Cor branca, primogênito, sexo feminino e apresentação pélvica.
Quadro Clínico: Assimetria das pregas cutâneas, excesso de rotação externa e limitação da abdução do membro.
Exame Físico: Testes de Ortolani, Barlow, Galeazzi, pistonagem e Trendelenburg.
Radiografia: Panorâmica da bacia em AP.
- Linha de Hilgenreiner: Entre as cartilagens do acetábulo (compara altura das epífises).
- Linha de Perkins: Tangencia o rebordo ósseo lateral do acetábulo.
- Índice Acetabular: Linha traçada ao teto acetabular; se >30° indica displasia.
- Arco de Shenton: Do colo até o forame obturador.
Tríade Radiográfica: Hipoplasia ou aplasia da cabeça femoral, displasia do acetábulo e aumento do espaço articular.
Ultrassonografia (USG): Padrão-ouro.
Tratamento: Até os 6 meses utiliza-se o suspensório de Pavlik; após os 6 meses, redução cirúrgica fechada ou aberta.
Impedimentos para Redução Fechada: Adutores contraídos, cápsula articular em ampulheta, ligamento redondo, pulvinar, ligamento transverso e limbus.
Doença de Blount
Definição: Necrose asséptica do platô medial da tíbia, causando genovarum.
Radiografia: Platô medial da tíbia rebaixado.
Tratamento: Osteotomia.
Diagnóstico Diferencial: Raquitismo e varismo fisiológico dos membros inferiores.
Osgood-Schlatter
Definição: Necrose avascular da tuberosidade anterior da tíbia (inserção do tendão patelar).
Radiografia: Joelho em perfil. Descrição: Tuberosidade anterior da tíbia afastada.
Tratamento Conservador: Repouso relativo, analgesia, crioterapia, fisioterapia e uso de joelheira.
Doença de Sever
Definição: Irregularidade no calcanhar.
Radiografia: Tornozelo em perfil. Descrição: Irregularidade na apófise do calcâneo, apresentando esclerose e fragmentação.
Tratamento: Calcanheira de silicone para diminuir o impacto.
Pé Torto Congênito
Definição: Pé equinovaro com adução e supinação do médio e antepé, além de pé cavo.
Características: Panturrilha atrofiada e pé menor do que o normal.
Tratamento: Imobilizações gessadas por 6 a 10 semanas; após, utilizar órtese de Denis-Browne por 2 a 3 meses (integral) e depois apenas para dormir durante 2 a 4 anos.
Fraturas Expostas (Classificação de Gustilo-Anderson)
- Tipo 1: Lesão < 1 cm.
- Tipo 2: Lesão entre 1 e 10 cm.
- Tipo 3: Lesão > 10 cm.
- Tipo 3A: Cobertura óssea com partes moles.
- Tipo 3B: Sem cobertura óssea por partes moles.
- Tipo 3C: Lesão vascular que necessita reconstrução para salvar a extremidade.
Tratamento Antibiótico: Tipos 1 e 2 (Cefalosporina de 1ª geração – Cefazolina); Tipo 3 (Cefalosporina de 1ª geração + Aminoglicosídeo – Gentamicina).
Fratura de Escápula
Sintomas: Dor na cintura escapular, edema local, equimose e crepitação à mobilização.
Fatores Associados: Fratura de costelas, pneumotórax e ombro flutuante.
Radiografia: AP verdadeiro e perfil do ombro.
Tratamento: Conservador (imobilização + redução anatômica); cirúrgico se houver lesões associadas (fixação interna).
Fratura de Clavícula
Sintomas: Crepitação, deformidade, dor e equimose.
Radiografia: AP de ombro.
Tratamento: Conservador: Imobilização em 8 ou com tipoia. Cirúrgico: Se for exposta, houver lesão neuromuscular ou ombro flutuante (fixação com placa).
Luxação Acromioclavicular
Sinal: Tecla de piano (fratura dos ligamentos do esternocleidomastoideo).
Radiografia: Tórax em AP.
Tratamento: Cirúrgico direto se for exposta, houver artrite séptica ou luxações graves.
Fratura de Úmero Proximal
Radiografia: AP, perfil de escápula e transaxilar.
Tratamento: Conservador: Imobilização e reabilitação para fraturas sem desvio. Cirúrgico: Haste intramedular para fraturas com desvio.
Luxação de Ombro
Tipo: Mais comum a anterior.
Quadro Clínico: Limitação da rotação externa, limitação de elevação do ombro > 90º e sinal da dragona.
Radiografia: AP verdadeiro, perfil escapular e perfil axilar.
Manobras de Redução: Hipócrates (axila), Stinson (balde) e Kocher.
Cirúrgico: Se houver luxação com desvio > 45°, interposição de partes moles ou lesões do manguito rotador.
Fratura da Diáfise do Úmero
Mecanismo: Trauma direto (fratura transversa ou cominutiva) ou indireto (espiral).
Radiografia: AP e perfil.
Tratamento: Conservador: Imobilização tipo pinça de confeiteiro. Cirúrgico: Se houver lesão vascular, fratura exposta, interposição de partes moles ou cotovelo flutuante.
Fixação: Interna (placa com parafusos), externa (se exposta) ou intramedular.
Complicações: Lesão do nervo radial (mão em gota) e pseudoartrose.
Fratura de Úmero Distal
Definição: Supracondiliana, exige cuidado com o cotovelo.
Radiografia: AP e perfil.
Complicações: Lesão da artéria braquial, podendo levar à necrose da região ventral do antebraço (contratura de Volkmann).
Tratamento: Gesso axilopalmar.
Fratura de Olécrano
Definição: Cabeça proximal da ulna.
Radiografia: AP e perfil.
Tratamento: Conservador: Gesso axilopalmar. Cirúrgico: Se desviada, utiliza-se placa com parafusos ou banda de tensão.
Complicações: Pseudoartrose e neuropraxia do nervo ulnar.
Fratura da Cabeça do Rádio
Tratamento: Conservador: Gesso axilopalmar. Cirúrgico: Fixação interna com parafusos e sepultamento da cabeça do rádio.
Luxação de Cotovelo
Tratamento: Apenas redução.
Fraturas do Antebraço
- Monteggia: Fratura diafisária ulnar proximal com luxação da cabeça do rádio.
- Galeazzi: Fratura diafisária radial com luxação da articulação radioulnar distal. Tratamento: Cirúrgico com redução aberta e fixação interna.
- Galho Verde: Fratura incompleta (apenas uma cortical). Tratamento: Redução fechada e gesso braquiopalmar ou axilopalmar.
- Descolamento Epifisário: Fratura na placa de crescimento, podendo causar distúrbios de crescimento. Tratamento: Redução fechada e gesso; se cirúrgico, fixação interna com fios ou parafusos.
Fraturas do Rádio Distal
- Colles: Fratura da metáfise distal do rádio com desvio dorsal, causando a deformidade em "dorso de garfo".
- Smith: Fratura da metáfise distal do rádio com desvio volar (Colles invertido).
Tratamento: Redução fechada e gesso axilopalmar; ou redução com fixação interna percutânea com fios de Kirschner.
Complicações: Distrofia simpático-reflexa (equimose, sudorese e rigidez).
Fratura de Escafoide
Sintomas: Aumento de volume da tabaqueira anatômica e dor à palpação.
Radiografia: AP, perfil e oblíqua (Tomografia Computadorizada é superior).
Tratamento: Gesso axilopalmar.
Fratura de Bennett
Definição: Fratura-luxação da base do 1° metacarpo com o trapézio.
Tratamento: Cirúrgico com redução aberta e fixação interna com fios de Kirschner.
Fratura do Boxer
Definição: Fratura do colo do 5° metacarpo com desvio volar do fragmento distal.
Tratamento: Redução fechada e gesso ou cirurgia (redução + fixação interna com fios de Kirschner).
Dedo em Martelo
Definição: Flexão súbita da falange distal causando ruptura do tendão extensor.
Tratamento: Tala em extensão da falange distal.
Fratura de Patela
Tipos: Transversal, longitudinal ou oblíqua.
Radiografia: AP, perfil e axial.
Tratamento: Longitudinal (conservador); Transversal (quase sempre cirúrgico com banda de tensão).
Luxação de Patela
Características: Luxa geralmente para a lateral devido ao músculo vasto e ao côndilo. Patela alta pode ser causada pela ruptura do tendão patelar.
Exame Físico: Incapacidade de estender o joelho.
Radiografia: Patela alta.
Fratura do Platô Tibial
Associação: Geralmente associada a lesões meniscais ou ligamentares.
Tipos: Cisalhamento ou rebaixamento.
Fratura da Diáfise Tibial
Radiografia: AP, perfil e oblíqua.
Tratamento: Cirúrgico (fixação interna com haste intramedular bloqueada). A fratura da fíbula isolada geralmente não precisa de cirurgia.
Fratura de Tornozelo
Tratamento: Cirúrgico quando há fratura de 2 ou 3 maléolos, pois gera instabilidade.
Anatomia do Tornozelo: Maléolos tibial, fibular e posterior, além do limbus.
Fratura de Quadril
Tipos: Colo femoral ou transtrocantéricas.
Quadro Clínico: Rotação externa e encurtamento do membro.
Radiografia: AP.
Tratamento:
- Sem desvio: Fixação interna com parafusos canulados.
- Com desvio: Prótese parcial de quadril (deambuladores domiciliares) ou total (deambuladores comunitários). Avaliar qualidade óssea; se osteoporótica, realizar cimentada.
- Fratura Transtrocantérica: Se estável, parafuso DHS; se instável, haste intramedular bloqueada.