Guia de Parasitoses: Esquistossomose, Teníase e Helmintos
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Esquistossomose Mansônica
Agentes transmissores, fonte de infecção e importância da esquistossomose mansônica
Para o homem, o agente causador é o Schistosoma mansoni, cuja forma evolutiva “cercária” penetra ativamente a pele humana. A fonte de infecção são lagoas contendo cercárias (“lagoas de coceira”) depositadas por caramujos do gênero Biomphalaria contaminados (agentes transmissores).
Discuta a situação epidemiológica da esquistossomose mansônica no Brasil
Verminose endêmica no Brasil que acomete de 5 a 6 milhões de pessoas. Atinge grande parte de Minas Gerais e da Bahia, uma faixa que vai de Sergipe ao Rio Grande do Norte (passando pelo leste dos estados), o norte do Paraná e do Maranhão. Além disso, há focos autóctones no leste do Maranhão, Pará, Ceará, São Paulo e região Sul. A ampla distribuição do molusco do gênero Biomphalaria pelo país possibilita a expansão da doença, que possui uma distribuição mais restrita que a do molusco. A migração de moradores de áreas endêmicas para outras regiões, onde o molusco está presente, favorece a expansão da esquistossomose. Por isso, campanhas de controle são necessárias.
Como deve ser planejada e executada uma campanha de controle da esquistossomose mansônica no Brasil?
- Extinção dos caramujos Biomphalaria;
- Saneamento básico para não haver contaminação dos caramujos com miracídios (eliminados pelas fezes humanas na água) e das lagoas com as cercárias;
- Evitar que a população tenha contato com lagoas de caramujo;
- Tratamento da população para evitar a eliminação de miracídios pelas fezes.
Teníase e Cisticercose
Como deve ser programada uma campanha para controlar a cisticercose em seres humanos? (Ovos de T. solium na carne suína mal cozida/crua)
A profilaxia da cisticercose humana é essencialmente:
- Prevenção da ingestão de carne suína mal cozida ou crua, pois pode estar contaminada por cisticercos de T. solium;
- Tratamento do doente, mesmo aquele com teníase intestinal, para evitar a autoinfecção interna (inversão do peristaltismo).
Além disso, deve-se ter um programa efetivo para diagnosticar e tratar pacientes infectados, assim como animais (porcos e bovinos), proporcionando maior controle da alimentação dada para eles e o correto cozimento de sua carne.
Medidas que devem ser adotadas para controlar a infecção humana por Teníase/Cisticercose
- Cuidados com a alimentação;
- Saneamento básico;
- Tratamento da população.
Teníase:
- Cozinhar bem a carne suína e bovina;
- Tratamento dos suínos e bovinos contaminados;
- Manejo adequado do rebanho;
- Fiscalização dos abatedouros.
Cisticercose:
- Higiene pessoal;
- Cuidado com crianças.
Ascaridíase
Principais alterações que a infecção por Ascaris lumbricoides determina em seres humanos
A migração larvária pode originar problemas principalmente no fígado e pulmão (hemoptise, dispneia, hiperreatividade brônquica). Os vermes adultos (no intestino) podem levar à espoliação (competem por alimento com o hospedeiro) e promover a oclusão intestinal (algumas vezes evoluindo com necrose). Nas localizações ectópicas, o verme pode ocupar as vias biliares, o apêndice e o pâncreas, levando a colecistite, apendicite e pancreatite agudas.
Nematódeos
Quais os nematódeos parasitas do homem que necessitam migrar pelo pulmão para completar seu ciclo evolutivo?
Ascaris lumbricoides, Necator americanus, Ancylostoma duodenale e Strongyloides stercoralis.
Sem ciclo pulmonar: Trichuris trichiura e Enterobius vermicularis.
Qual a importância fisiopatológica nessa migração?
A passagem do parasita do sistema circulatório para o respiratório: os parasitos sofrem a mudança, perdem a cápsula e liberam antígenos nos alvéolos pulmonares. Os antígenos favorecem o desenvolvimento de resistência relativa, ausente nos ciclos não pulmonares. Pode causar problemas respiratórios como dispneia, hemoptise e hiperreatividade brônquica.
Cite 3 helmintos prevalentes no Brasil que apresentem caráter zoonótico
- Taenia solium;
- Taenia saginata;
- Schistosoma mansoni;
- Toxocara canis.
É possível ocorrer transmissão inter-humana da infecção por Ascaris lumbricoides? Justifique sua resposta com base na biologia do helminto.
Sim, pois durante a passagem da larva (L4) dos pulmões para o esôfago, elas podem ser expelidas (no escarro, ao se tossir) e contaminar outra pessoa que entrar em contato com esse escarro via oral, ingerindo as larvas.
Mecanismos de transmissão para seres humanos
- Larva migrans visceral (Ancilostomídeo): Penetração da larva L3 no tegumento ou mucosa humana.
- Strongyloides stercoralis: Penetração da larva L3 no tegumento ou mucosa humana.
- Esquistossomose mansônica: Penetração ativa de cercárias pela pele humana.
- Toxocara canis: Ingestão de ovos larvados; ingestão de hospedeiros paratênicos (carne mal cozida).
- Angiostrongylus costaricensis: Ingestão de verduras (lesmas) infectadas com ovos.
- Ascaris lumbricoides: Ingestão de larva L3 através de alimentos contaminados.
- Enterobius vermicularis: Ingestão de larva L3 através de alimentos contaminados.
- Wuchereria bancrofti: Picada da fêmea do Culex quinquefasciatus contaminado (o inseto suga microfilária L1 de animal contaminado, que evolui a L3 infectante).
- Cisticercose: Ingestão de ovos da Taenia solium por infecção externa e inversão do peristaltismo, fazendo os ovos alcançarem o estômago, onde se rompem por causa do meio ácido (autoinfecção interna).
- Teníase (Taenia solium/saginata): Ingestão de carne suína/bovina mal cozida contaminada por cisticercos.
- Cisto hidático (Hidatidose): Ingestão dos ovos liberados por cães contaminados com Echinococcus.
- Onchocerca volvulus: Picada de Simulium guianense ou S. oyapockense contaminado.
Diagnóstico Laboratorial e Alterações Clínicas
1. Diagnóstico laboratorial da infecção humana por:
- Ancilostomídeos: Exame de fezes (teste qualitativo e quantitativo). Leve: < 10.000 ovos/g; Moderada/Grave: > 10.000 ovos/g.
- Ascaris lumbricoides: Exame de fezes (pesquisa de ovos férteis ou inférteis); Exame sorológico (pouco usado, principalmente em infecções apenas por machos).
- Enterobius vermicularis: Swab ou raspagem anal (fita colante em tubo de ensaio na região perianal, preferencialmente no período matinal).
- Onchocerca volvulus (Filarídeos): Biópsia cutânea, abertura do oncocercoma, exame oftalmoscópico e sorologia.
- Schistosoma mansoni: Na forma aguda: antecedentes pessoais e pesquisa de IgA. Na forma crônica: exame parasitológico de fezes, biópsia retal (valva de Houston), intradermorreação (em desuso) e sorologia (pesquisa de IgG).
- Strongyloides stercoralis: Exame de fezes (pesquisa de larvas com repetição de 3x em 7 dias) e sorologia.
- Taenia saginata e T. solium: Exame de fezes, tamização de fezes (identificação de proglotes) e pesquisa de coproantígenos.
- Toxocara canis: Sorologia e biópsia.
- Wuchereria bancrofti (Filarídeos): Pesquisa de microfilárias (gota espessa, método de Knott, membrana de policarbonato), urina (quilúria), método de ELISA e USG.
2. Principais alterações decorrentes da infecção humana por:
- Strongyloides stercoralis (ciclo pulmonar): Megacólon, diverticulite, íleo paralítico, dor abdominal, vômito, infecção bacteriana secundária, pneumonia, insuficiência respiratória, pneumonite larval (hemorragia capilar, dispneia, tosse, hemoptise, asma) e enterocolite grave.
- Ancilostomídeos (Ancylostoma duodenale): Problemas no pulmão, coração e fígado; anemia microcítica e hipocrômica; lesões da mucosa intestinal; hipoproteinemia e ascite.
- Esquistossomose mansônica: Fibrose hepática. Fase aguda: leucocitose, febre e eosinofilia. Fase crônica: compensada (intestinal ou hepatointestinal) ou descompensada (hipertensão portal, ascite, emagrecimento).
- Síndrome da larva migrans visceral: Eosinofilia, sintomas pulmonares, hepatomegalia. Formas: clássica (infantil), ocular, mista ou atípica (astenia progressiva).
- Estrongiloidose disseminada: Megacólon, diverticulite, íleo paralítico, pneumonia e insuficiência respiratória.
3. Medidas para diminuir a ocorrência de casos humanos:
- Cisticercose: Cuidados com a alimentação, saneamento básico, higiene pessoal, cuidado com crianças e tratamento da população.
- Hidatidose: Manejo de animais, incineração de vísceras contaminadas, higiene pessoal e tratamento de homens e animais.
Conduta de Urgência: Acidentes com Serpentes Peçonhentas
Caso não se saiba qual era a serpente, utilizar o tratamento geral:
- Hidratação;
- Analgesia;
- Elevação do membro edemaciado;
- Antibioticoterapia (em alguns casos).
Caso se saiba a espécie: Soroterapia específica.
Nunca fazer: torniquete, tentar drenar o sangue com perfurações ou sucção oral.
Resumo de Diagnóstico e Alterações (Revisão)
Ancilostomídeos: Exame de fezes qualitativo/quantitativo (< 10.000 ovos/g leve; > 10.000 ovos/g moderada/grave). Ascaris lumbricoides: Exame de fezes (ovos) e sorologia. Enterobius vermicularis: Swab anal matinal. Onchocerca volvulus: Biópsia e oftalmoscopia. Schistosoma mansoni: Pesquisa de IgA (aguda), biópsia retal e IgG (crônica). Strongyloides stercoralis: Pesquisa de larvas intermitente e sorologia. Tênias: Tamização e coproantígenos. Toxocara canis: Sorologia. Wuchereria bancrofti: Gota espessa, Knott e USG.
Alterações Clínicas: Strongyloides causa desde sintomas intestinais até disseminação grave em imunodeprimidos (estimulada por corticoides). Ancilostomídeos geram anemia e hipoproteinemia. Esquistossomose evolui para fibrose hepática e hipertensão portal. Larva migrans visceral apresenta eosinofilia e quadros oculares ou neurológicos.