Guia Prático de Anestesia Local
Avaliação Pré-Anestésica
Durante a avaliação pré-anestésica, devem ser considerados os seguintes fatores para garantir a segurança do paciente:
- Condição física e psicológica;
- Necessidade de consultar um médico;
- Experiência desagradável anterior com anestésico local (AL);
- Sensibilidade às drogas;
- Necessidade de pré-medicação;
- Tempo destinado à intervenção;
- Técnica a ser empregada;
- Escolha da solução anestésica;
- Necessidade e quantidade de vasoconstritor.
Classificação do Estado Físico (ASA)
- ASA I: Indivíduo saudável.
- ASA II: Doença sistêmica leve a moderada (necessita de redução do estresse).
- ASA III: Doença sistêmica grave que limita a atividade, mas não é incapacitante (requer parecer médico e redução de estresse).
- ASA IV: Doença sistêmica grave que limita a atividade e representa uma constante ameaça à vida (tratamento emergencial mínimo).
- ASA V: Paciente moribundo cuja sobrevivência não deve ultrapassar 24 horas.
Seleção do Anestésico Local
Critérios essenciais para a escolha do anestésico ideal:
- Duração do controle da dor;
- Potencial de desconforto no período pós-tratamento;
- Possibilidade de automutilação no período pós-operatório;
- Hemostasia durante o tratamento;
- Estado clínico do paciente.
Duração das Anestesias (em minutos)
| Agente | Anestesia Pulpar | Tecido Mole |
|---|---|---|
| Lidocaína 2% | 5 a 10 | 60 a 120 |
| Prilocaína 4% | 5 a 10 | 90 a 120 |
| Mepivacaína 3% | 20 a 40 | 120 a 180 |
| Lidocaína 2% (com vasoconstritor) | 60 | 180 a 240 |
| Bupivacaína 0,5% | > 90 | 240 a 540 |
| Prilocaína 4% (com vasoconstritor) | 60 a 90 | 120 a 240 |
| Articaína 4% | 75 | 180 a 300 |
Potencial de Desconforto Pós-Operatório
Agentes de longa duração indicados:
- Bupivacaína 0,5% com adrenalina 1:200.000;
- Etidocaína 1,5% com adrenalina 1:200.000 (duração de 8 a 12 horas);
- Prilocaína 4% com adrenalina (duração de 5 a 8 horas).
Possibilidade de Automutilação
Atenção especial deve ser dada a crianças e pacientes com incapacidade física e/ou mental.
Indica-se: Mepivacaína 3% ou Prilocaína 4%.
Necessidade de Hemostasia
Recomenda-se a infiltração local de agentes contendo vasoconstritores adrenérgicos na diluição de 1:100.000.
Doença Cardiovascular Significativa
Evitam-se elevadas concentrações de vasoconstritores adrenérgicos nesses pacientes.
Infarto do Miocárdio
- Vasoconstritor (catecolaminas): Utilizar na diluição de 1:200.000 ou 1:100.000 (criteriosamente) ou optar por não usar;
- Anestésicos locais indicados: Prilocaína com felipressina ou Mepivacaína 3%;
- Necessária consulta prévia ao médico assistente;
- Aplicação de protocolo de redução de estresse.
Gestantes
- Tratamento odontológico é contraindicado no 1º trimestre;
- O 2º trimestre é o período mais indicado para a realização de procedimentos;
- Os anestésicos locais são considerados seguros para o uso durante a gravidez;
- A solução anestésica deve conter um vasoconstritor para diminuir a toxicidade sistêmica do anestésico local;
- Indica-se: Lidocaína com adrenalina 1:100.000 (limite máximo de 2 tubetes por sessão, sempre realizando aspiração prévia).
Contraindicações
- Prilocaína: Atravessa mais facilmente a barreira placentária, podendo gerar metemoglobinemia no feto. A felipressina pode induzir a contração uterina por possuir estrutura semelhante à ocitocina.
- Mepivacaína: É pobremente metabolizada pelo fígado fetal, devendo ser evitada.
Acidentes e Complicações das Anestesias Locais
Define-se como qualquer desvio do padrão normal esperado durante ou após a obtenção de uma anestesia regional.
Complicações Atribuídas às Soluções Empregadas
- Toxicidade;
- Alergia;
- Infecções causadas por soluções contaminadas;
- Irritações teciduais;
- Idiossincrasia.
Complicações Atribuídas à Técnica Anestésica
- Síncope;
- Trismo;
- Hiperalgesia;
- Edema;
- Infecções;
- Agulhas fraturadas;
- Parestesia;
- Hematoma;
- Sintomas neurológicos atípicos;
- Escarificação.
Outras ocorrências comuns: Dor, fratura de agulha, paralisia do nervo facial, mordedura de tecidos moles, hematomas, parestesia, trismo, falha anestésica, troca de tubos ou soluções.
Condutas de Emergência
- Lipotímia: Reclinar a cadeira e elevar as pernas do paciente. Esperar o paciente voltar a si, orientá-lo a respirar profundamente e acalmá-lo.
- Síncope (perda da consciência): Iniciar imediatamente os protocolos de suporte básico de vida e Ressuscitação Cardiorrespiratória (RCR).