Guia Prático de Cuidados Paliativos: Manejo e Bioética

Classificado em Medicina e Ciências da Saúde

Escrito em em português com um tamanho de 3,81 KB

1. Cuidados Paliativos em Neurologia

Avaliar funcionalidade (Karnofsky, PPS), prognóstico e o benefício versus dano das intervenções. Condutas: evitar procedimentos fúteis (traqueostomia ou PEG sem benefício). Foco: conforto, manejo de sintomas e suporte à família.

2. Nutrição em Cuidados Paliativos Neurológicos

Lesão neurológica grave frequentemente causa disfagia. Indicação de SNE/PEG apenas se trouxer benefício funcional e melhora no prognóstico. Em fase final, priorizar a via oral para conforto e evitar alimentação artificial se for considerada fútil.

3. Manejo da Dor em Cuidados Paliativos

Seguir a Escada Analgésica da OMS:

  • Não opioides: dipirona ou AINEs.
  • Opioides fracos: tramadol ou codeína.
  • Opioides fortes: morfina, oxicodona ou fentanil.

Sempre associar adjuvantes conforme o tipo de dor. Na dor oncológica, a morfina via oral é a primeira escolha.

4. Tratamento da Dor Neuropática

Caracterizada por queimação, choque ou parestesia. Adjuvantes obrigatórios: gabapentina, pregabalina, duloxetina ou amitriptilina. Opioides possuem eficácia limitada. Diferenciar de dor somática (bem localizada) e visceral (mal localizada).

5. Tratamento da Dispneia

A medicação mais eficaz é o opioide (morfina). Outras medidas incluem: ventilador de mão, fluxo de ar no rosto e controle da ansiedade (benzodiazepínicos). Tratar causas reversíveis se condizente com os objetivos do paciente.

6. Oxigenioterapia

O oxigênio não trata a sensação de dispneia na maioria dos casos. Indicar apenas se houver hipoxemia documentada (SatO₂ < 90% ou desconforto refratário). Se a saturação estiver normal, a morfina é mais eficaz.

7. Indicação de Diálise em Pacientes Renais Crônicos

Critérios paliativos para diálise: hipercalemia refratária, edema agudo de pulmão, acidose grave refratária ou uremia sintomática (encefalopatia/mioclonias). Avaliar benefício versus sofrimento; a decisão de não dializar é legítima.

8. Manejo de Sintomas na Insuficiência Renal Crônica

A uremia causa náuseas, prurido, confusão e sangramento. Condutas: anti-histamínicos, antieméticos, ajuste medicamentoso, restrição hídrica e considerar cuidados paliativos exclusivos quando a diálise for fútil.

9. Bioética: Decisões de Reanimação

A decisão de reanimar depende do prognóstico. Se o quadro for terminal e sem possibilidade de reversão, deve-se estabelecer a Ordem de Não Reanimar (ONR/DNR). Priorizar a decisão compartilhada, respeitar a autonomia e evitar RCP fútil.

10. Bioética: Tratamento Útil vs. Fútil

  • Útil: oferece benefício clínico real, melhorando o prognóstico ou a qualidade de vida.
  • Fútil: não altera a evolução clínica e prolonga o sofrimento; não deve ser oferecido.

1. Manejo de Dor e Dispneia com Opioides

Morfina:

  • Dor: titulação via oral, iniciar com baixa dose e monitorar efeitos adversos.
  • Dispneia: reduz o drive respiratório, diminuindo a sensação de falta de ar; é a primeira linha de tratamento.

2. Complicações no Final da Vida

Principais condições: delirium terminal, secreções respiratórias (“ronco da morte”), dispneia refratária e dor terminal.

Condutas:

  • Delirium: haloperidol.
  • Secreções: escopolamina ou atropina.
  • Dispneia: morfina.

Foco: conforto, dignidade e evitar medidas fúteis.

Entradas relacionadas: