Guia Prático de Nutrição Enteral e Parenteral

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Nutrição Enteral (NE)

A nutrição enteral (NE) consiste na infusão de uma dieta líquida administrada por meio de uma sonda colocada no estômago ou no intestino. É vantajosa em relação à nutrição parenteral por:

  • Manter o fluxo sanguíneo mesentérico e a flora intestinal equilibrada;
  • Preservar a estrutura e função dos intestinos, fígado e imunidade;
  • Permitir utilização mais eficiente dos nutrientes;
  • Apresentar menor risco de infecção, complicações metabólicas e menor custo.

Indicações da NE

  • Disfagia grave: Obstrução ou disfunção da orofaringe ou esôfago (ex: megaesôfago chagásico, neoplasias);
  • Condições neurológicas: Coma, trauma crânio-encefálico, AVC, Alzheimer;
  • Anorexia persistente: Neoplasias, doenças infecciosas crônicas, depressão;
  • Transtornos gastrointestinais: Gastroparesia, obstrução, fístulas, síndrome do intestino curto;
  • Outros: Broncoaspiração recorrente, grandes queimaduras, quilotórax, pancreatite aguda, insuficiência hepática/renal e doença de Crohn.

Gotejamento Contínuo

O gotejamento contínuo depende do uso de uma bomba de infusão. É indicado para pacientes que não toleram grandes volumes (bolo ou intermitente), como aqueles com função gastrointestinal comprometida por doenças, cirurgias ou terapias antineoplásicas. Pacientes com jejunostomia devem ser alimentados por este método.

Nutrição Parenteral

Indicada em casos de incompetência gastrointestinal, como:

  • Síndrome do intestino curto com ressecção importante;
  • Pancreatite aguda grave, doença inflamatória intestinal grave, isquemia ou atresia intestinal;
  • Insuficiência hepática grave e cirurgias gastrointestinais extensas.

Também é utilizada em estados hipermetabólicos com baixa tolerância enteral: falência de múltiplos órgãos, trauma ou queimadura grave, insuficiência respiratória (ventilação mecânica), depleção grave na insuficiência renal (diálise) e pós-operatório de transplante de intestino delgado.

Cálculos e Recomendações Nutricionais

VET (Valor Energético Total)

  • Perda: 20-25 kcal/kg
  • Manutenção: 25-30 kcal/kg (mais utilizado)
  • Ganho: 30-35 kcal/kg (catabolismo)
  • Paciente desnutrido: 35-40 kcal/kg
  • Obesidade mórbida: 15-20 kcal/kg (não abaixo da TBM)
  • Queimados: 35 kcal/kg
  • Sepse: 30 kcal/kg

Proteínas (g/kg)

  • Renal: 0,6-1,0g
  • Normal: 0,8-1,0g
  • Hiperfase 1: 1,0-1,2g
  • Hiperfase 2: 1,2-1,5g
  • Hipercatabólico: 1,5-2,0g

Distribuição Calórica (DC)

DC = VET Total / ML Total do dia. Composição: 40-60% CHO, 20-25% LIP.

  • Hipocalórica: DC 0,6-0,8
  • Normocalórica: DC 0,9-1,2
  • Hipercalórica: DC 1,3-1,5

Protocolo de Infusão

Para sonda por jejunostomia, dieta oligomérica e bomba infusora: iniciar com 15-20ml/h. A bomba infusora deve operar por 20-22 horas. Dietas oligoméricas possuem maior osmolaridade (aprox. 350 mOsm/L).

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