Guia de Processamento e Tecnologia de Alimentos
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1. Processamento de Alimentos e Embalagens
As embalagens garantem que o alimento não causará dano à saúde do consumidor quando preparado e consumido de acordo com sua intenção de uso. Elas atuam no controle da ocorrência de perigos à segurança do alimento (químicos, físicos e biológicos).
Classificação de Materiais
- Materiais plásticos (incluindo vernizes e revestimentos);
- Celulose e madeira;
- Elastômeros e borrachas;
- Vidro;
- Metais e suas ligas;
- Produtos têxteis;
- Ceras de parafina e microcristalinas;
- Outros materiais.
Requisitos Atuais
Os atributos de qualidade incluem praticidade, conveniência, brilho, resistência, peso líquido e qualidade sensorial (cor, odor, sabor, textura, consistência, etc.). Também abrangem valor nutricional, segurança ambiental, sustentabilidade, responsabilidade social, valor agregado e saúde do consumidor.
Riscos e Perigos
Composição inadequada, contaminação química, microbiológica e infestação por insetos e roedores. O ideal é o risco nulo de contaminação química, física e biológica.
Requisitos de Produção
Seleção de matérias-primas e insumos seguros, controle para minimizar o potencial de migração de componentes da embalagem para os alimentos, controle de produção, acondicionamento e transporte (Boas Práticas de Fabricação - BPF).
Consequências de Interação Externa
- Permeabilidade e adsorção;
- Degradação sensorial e nutricional (oxidação de lipídeos, perda de textura, aroma, etc.);
- Mudança na embalagem (perda de qualidade e descarte).
Migração
Transferência de substâncias da embalagem para o alimento, podendo causar degradação sensorial e efeitos tóxicos. Tipos de migração:
- Não migração: Baixa velocidade de difusão; ocorre apenas na interface.
- Migração independente: Não controlada pelo alimento; transferência do interior da matriz polimérica até a interface.
- Migração dependente do alimento: Requer interação com o material plástico, alterando sua estrutura física.
Fatores intervenientes: Composição química, processo de fabricação, compatibilidade, concentração do migrante, espessura do filme, temperatura, tempo de contato e natureza do alimento. Etapas: difusão, dissolução e dispersão.
2. Tecnologia do Leite
Modificações no Leite
- Acidificação espontânea e coagulação láctica: Fermentos lácticos (Streptococcus lactis) transformam lactose em ácido láctico.
- Coagulação com baixa acidez: Causada por Micrococcus caseolyticus, M. liquefaciens, Bacillus subtilis e Proteus vulgaris (coagulação enzimática).
- Proteólise (putrefação): Geotrichum, Penicillium e Mucor degradam proteínas; causam sabor amargo.
- Lipólise (rancificação): Hidrólise de glicerídeos; causa odor e sabor de ranço.
Fraudes Comuns
Uso de antibióticos, formol, ácido salicílico, salicilatos, ácido bórico e boratos para conservação. Adição de amido para disfarçar água e bicarbonato de sódio para ocultar acidez de deterioração.
Classificação quanto à Composição
- Leite Integral: Mantém qualidades nutricionais originais (aprox. 3,9g de gordura/100g).
- Leite Desnatado: Centrifugado para eliminar gordura (máx. 0,5%); perde vitaminas lipossolúveis.
- Leite Semidesnatado: Máximo de 1,7% de gordura.
Classificação quanto ao Tipo
- Tipo A: Ordenha mecânica, pasteurizado na própria fazenda (70-75°C), mínimo contato humano.
- Tipo B: Ordenha mecânica, refrigeração a 4°C, pasteurização pode ser externa.
- Tipo C: Ordenha manual ou mecânica, armazenamento em galões (muitas vezes não refrigerados) antes do laticínio.
- Longa Vida (UHT): Embalagem asséptica (papel, plástico e alumínio). Geralmente utiliza leite tipo C.
Controle de Qualidade
Instalações higienizadas, pré-filtros de aço inox, pasteurização (72-75°C por 15-20s) e refrigeração imediata a 4°C. Registros de temperatura devem ser datados e rubricados.
3. Tecnologia de Carne
Emulsões e Emulsionados
Uma emulsão cárnea é a união de gordura e água através de proteínas solubilizadas. A fase contínua é a água, a descontínua é a gordura, e a proteína é o agente emulsionante. Exemplos: mortadela e salsicha.
Carne Picada e Embutidos
- Frescais: Conservados pelo frio (ex: linguiça fresca).
- Maturados: Curados, defumados e maturados em temperatura ambiente (ex: salame).
- Cozidos: Cozidos e conservados pelo frio (ex: calabresa, paio).
Culturas Starter: Microrganismos selecionados que reduzem o tempo de fermentação e garantem a homogeneidade. O embutimento deve ser compacto para evitar oxidação por bolsas de ar.
Transformação do Músculo em Carne
Ocorre através de reações post-mortem. Com a sangria, o oxigênio diminui e o cálcio (Ca) aumenta no sarcoplasma, gerando contração desordenada (interação actina e miosina). Sem energia (ATP) para o relaxamento, estabelece-se o rigor mortis. A glicose é quebrada via anaeróbia, liberando ácido lático, o que reduz o pH e acidifica a carne.
4. Frutas e Hortaliças: Apertização
Tratamento térmico em recipientes hermeticamente fechados para destruição de microrganismos. Fatores influentes: pH, carga microbiana inicial, velocidade de penetração do calor e vedação hermética.
Termorresistência (Valor D): Tempo em minutos, a uma temperatura específica, necessário para destruir 90% da população microbiana. Influenciado pelo número de esporos, espécie, pH e composição do alimento.
5. Tecnologia de Cereais
Arroz Parboilizado
Processo: pré-limpeza, maceração (encharcamento), tratamento com vapor (gelatinização), secagem, descascamento e polimento. Vantagens: maior rendimento, conservação de nutrientes, inativação de enzimas e resistência à umidade. Desvantagem: inativação de alguns antioxidantes.
Panificação do Trigo
Baseia-se na bioquímica da transformação. Ingredientes essenciais: farinha, água, sal e fermento biológico. O glúten (proteínas da farinha) é vital para a estrutura. O amido nutre as leveduras e a água atua como plastificante. O sal confere firmeza e o fermento produz CO2 para a expansão da massa.