Guia de Retratamento Endodôntico e Manejo de Complicações

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Retratamento Endodôntico

Existem várias técnicas que podem ser usadas, como o sistema rotatório ou reciprocante para desobturar. No entanto, são utilizados instrumentos especiais para isso, principalmente os rotatórios. As limas ProTaper Retreatment possuem maior centro de massa, pois a desobturação exige maior pressão na guta-percha; com as limas rotatórias convencionais, há uma grande chance de fratura.

O solvente utilizado é citotóxico, e ocorre um problema quando se forma uma "lama tecidual" entre a guta-percha e o solvente, que envolve os túbulos dentinários. Isso dificulta uma nova irrigação e, no momento da obturação, gera dificuldade na penetração intratubular do cimento, pois os túbulos ficam vedados.

Técnica Convencional de Desobturação

  • Acesso: Realizar a abertura inicial.
  • Solvente: 1 gota (se necessário).
  • Remoção da guta-percha: Utilizar brocas Gates-Glidden (GG) 2 (canais finos) ou 3 (canais amplos), realizando movimentos de entrada e saída.
  • Solvente: 1 gota adicional (se necessário).
  • Instrumentação: Introduzir Lima K (movimento oscilatório e aprofundamento) até o comprimento de trabalho (CT). Se houver um caminho criado, pode-se usar a lima Hedstroem, mas ela não serve para o movimento inicial.
  • Irrigação: Abundante com hipoclorito de sódio para remover rastros de guta-percha.
  • Odontometria e Reinstrumentação.

Canais Atrésicos ou Calcificados

Nestes casos, é fundamental o conhecimento da anatomia. Recomenda-se:

  • Limas tipo C ou C-Pilot: São mais rígidas e menos flexíveis que as convencionais, ideais para cateterismo e localização de canais.
  • Ultrassom: Pontas específicas auxiliam na localização do canal.
  • Microscópio Operatório: Essencial devido à limitação visual após a curvatura.
  • EDTA: Deve ser usado com cautela, pois amolece as estruturas e pode favorecer a criação de falsos canais (desvios).

Remoção de Peças Protéticas e Pinos

Para a remoção de RMF (Restauração Metálica Fundida), deve-se:

  • Realizar o alívio das margens com broca.
  • Seccionar a peça na oclusal (um ou dois sentidos) com broca nº 1557 cilíndrica fissurada. Nota: Este método pode desgastar excessivamente o dente e a broca.
  • Exercer movimentos de alavanca com um cinzel para remover a peça lateralmente.
  • Uso de ultrassom.

Remoção de Pino Intrarradicular

Dentes Unirradiculares: Exige análise radiográfica e planejamento. Deve-se transformar a anatomia de cônica para cilíndrica, analisando o espaço entre o núcleo e a entrada do canal. O desgaste é feito com brocas 1, ½ ou LN (Dentsply). Após tornar o pino cilíndrico e expor a linha de cimento, utilizam-se três técnicas: ultrassom (melhor opção), saca-pino ou desgaste com broca. Pinos rosqueáveis devem ser removidos com ultrassom no sentido anti-horário.

Dentes Multirradiculares: Quando há 2 a 3 pinos presentes, a dificuldade é maior. Deve-se seccionar o núcleo separando os pinos. Comece sempre pela remoção do menor pino para obter melhor acesso visual. No arco inferior, o desgaste é feito no sentido vestíbulo-lingual; no superior, o sentido do desgaste deve ser mesiodistal.

Problemas e Complicações Endodônticas

  • Trepanação: Crítica na região de furca devido ao alto risco de contaminação por microrganismos advindos do sulco gengival.
  • Fratura de Lima: Pode causar descontaminação incompleta do canal. Se ocorrer nos milímetros finais, o impacto pode ser menor. A conduta inclui criar um leito inicial com GG e insertos de ultrassom, tentar ultrapassá-lo com instrumento manual (tipo Kerr), realizar irrigação abundante/lubrificante e remoção com ultrassom ou lima Hedstroem.
  • Desvio: Termo genérico que se subdivide em degrau e zip. Ocorre por tensão em canais curvos, onde o instrumento tende a sair da trajetória original.
  • Perfuração: Frequentemente uma consequência do desvio.
  • Degrau: Consequência de erro de acesso, instrumentação agressiva ou impactação de debris dentinários (formação de uma barreira de dentina), impedindo o alcance do terço médio.
  • Zip: Desvio que ocorre na parte apical do canal por inserção inadequada do instrumento.