Guia Técnico: Manejo, Pragas e Tecnologias do Arroz

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Tipos e Origem do Perfilhamento no Arroz

O arroz pode produzir três tipos de perfilhos: perfilhos primários, perfilhos secundários e perfilhos terciários. O perfilho é um ramo lateral originado de gemas localizadas nos nós da base do colmo principal ou dos próprios perfilhos.

De que região esses perfilhos se originam?

  • Perfilhos primários: originam-se de gemas localizadas nos seis primeiros nós do colmo principal.
  • Perfilhos secundários: originam-se de gemas localizadas nos três primeiros nós da base dos perfilhos primários.
  • Perfilhos terciários: originam-se no nó basal dos perfilhos secundários.

Fatores que Influenciam o Perfilhamento

Existem cinco fatores principais que podem aumentar ou reduzir o perfilhamento:

  1. Sistema de cultivo: o arroz irrigado perfilha mais que o arroz de sequeiro. No sistema irrigado, o transplantado tende a perfilhar mais que o semeado diretamente, devido à menor densidade e maior espaço.
  2. Densidade de plantas: baixas densidades estimulam o perfilhamento por haver mais espaço. Em densidades altas, a competição reduz a emissão de perfilhos.
  3. Características da cultivar: cultivares irrigadas, de ciclo longo ou híbridas apresentam maior perfilhamento.
  4. Fertilidade do solo e nitrogênio: solos férteis e alta disponibilidade de nitrogênio (especialmente no início da fase) estimulam perfilhos efetivos e panículas.
  5. Profundidade da lâmina de água: o arroz perfilha melhor em lâminas rasas. Lâminas acima de 10 cm reduzem o perfilhamento por limitar o desenvolvimento e baixar a temperatura.

Época de Semeadura

Semeaduras muito precoces sob frio reduzem o perfilhamento, enquanto o início da primavera o favorece. Temperaturas excessivamente altas também são prejudiciais, pois aceleram o ciclo e encurtam a fase vegetativa.

Tecnologia Clearfield (CL) no Arroz

As cultivares CL (Clearfield) possuem genes do próprio arroz, introduzidos por mutação, que conferem tolerância a herbicidas do grupo das imidazolinonas. Não são transgênicas, mas sim materiais com modificação mutagênica.

Desenvolvida pela BASF, a tecnologia chegou ao Rio Grande do Sul em 2003 e a Santa Catarina em 2007. O objetivo principal foi o controle do arroz daninho (arroz vermelho), permitindo o uso de herbicidas seletivos que antes eliminariam a cultura junto com a invasora.

Perda de eficiência: a tecnologia perdeu força devido ao uso inadequado, como a repetição sucessiva sem rotação, uso de sementes não certificadas ("piratas"), manutenção de socas e cruzamento natural entre o arroz CL e o arroz daninho, gerando populações resistentes.

Sistemas de Cultivo e Semeadura

Sistema Pré-germinado: apresenta como vantagens a formação do lameiro, que reduz a porosidade do solo e as perdas por percolação e lixiviação de nutrientes. Isso diminui a necessidade de vazão de água. A inundação eleva o pH (autocalagem), reduzindo a necessidade de calcário. Favorece também o controle de plantas daninhas e pragas como a brusone.

Semeadura em Linhas vs. a Lanço: a semeadura em linhas oferece maior uniformidade, melhor controle de profundidade e densidade, resultando em emergência uniforme e economia de sementes.

Manejo de Pragas: Bicheira-da-raiz e Percevejos

A Oryzophagus oryzae (bicheira-da-raiz) ataca no início do ciclo. As larvas alimentam-se das raízes submersas, causando clorose, redução de perfilhamento e produtividade.

Medidas de controle:

  • Nivelamento do terreno;
  • Eliminação de restos culturais;
  • Drenagem temporária dos quadros (por duas semanas);
  • Adubação nitrogenada complementar (20 a 30 kg de N/ha);
  • Controle químico (tratamento de sementes com fipronil).

Percevejos: O Tibraca limbativentris (percevejo-do-colmo) causa "coração morto" ou "panícula branca". O Oebalus poecilus (percevejo-do-grão) ataca as espiguetas, gerando grãos chochos. O controle do Tibraca deve ser feito nas horas quentes, enquanto o do Oebalus deve ocorrer nas horas frescas.

Manejo da Irrigação

No sistema de solo seco, a irrigação inicia-se entre V2 e V5 (2 a 5 folhas), cerca de 15 a 30 dias após a emergência. A antecipação para V2 ocorre em casos de clima seco, cultivares precoces, alta infestação de daninhas ou abundância de água. Antes da irrigação, realizam-se a aplicação de herbicidas pós-emergentes e a primeira adubação nitrogenada.

Comparativo: Arroz vs. Milho

  • Folha Bandeira: é vital para o arroz (20% da área foliar e proximidade com a panícula), pois o colmo não armazena muitas reservas. No milho, o colmo é um reservatório importante.
  • Densidade: o arroz compensa falhas através do perfilhamento; o milho tem baixa capacidade de compensação.
  • Profundidade de Semeadura: o milho tolera profundidades maiores que 5 cm devido às suas reservas; o arroz é sensível e deve ser semeado mais raso.

Duplo Cultivo e Desafios Biotecnológicos

O duplo cultivo consiste em duas colheitas na mesma safra aproveitando o rebrote (soca). É viável em regiões mais quentes de Santa Catarina, exigindo cultivares precoces e manejo intensivo de nitrogênio.

Plantas Daninhas: o arroz daninho é difícil de controlar por ser da mesma espécie (*Oryza sativa*). O controle biológico e mecânico são pouco usados pela baixa eficiência e dificuldade operacional no sistema pré-germinado.

Híbridos e Transgênicos: o uso de híbridos é baixo (menos de 5%) devido ao alto custo das sementes e baixo ganho de heterose. Já os transgênicos não são cultivados comercialmente no Brasil por resistência do mercado consumidor (alimentação humana direta) e exigências do mercado asiático.

Fertilização e Calagem

O arroz de sequeiro responde melhor à calagem e ao fósforo, pois não se beneficia da elevação de pH causada pela inundação. Já o arroz irrigado responde melhor à adubação nitrogenada de cobertura devido ao seu maior potencial produtivo e ausência de restrição hídrica.

Considerações sobre Sistemas de Implantação

O transplantio é restrito a áreas pequenas ou irregulares. O sistema pré-germinado, embora eficiente no controle de daninhas, possui maior custo de implantação devido à sistematização do terreno, preparo do lameiro e complexidade no manejo da água.

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