Guia de Terapia Nutricional em Doenças Crônicas
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Cuidado Nutricional nas Dislipidemias
Hipertrigliceridemia Primária Grave
- Caracterizada pelo aumento das concentrações plasmáticas de Quilomícrons (QM) → diminuição da Lipoproteína Lipase (LPL).
- Recomendação: redução de gordura da dieta (no máximo 10% do Valor Calórico Total - VCT).
Hipertrigliceridemia Primária Moderada
- 25 a 35% de calorias na forma de gordura + controle da ingestão de açúcares.
Hipertrigliceridemia Secundária
- 30 a 35% das calorias provenientes de gordura + controle da ingestão de açúcares.
- Eliminar gorduras trans;
- Controlar o consumo de gorduras saturadas;
- Priorizar gorduras poli-insaturadas e monoinsaturadas;
- Reduzir açúcares;
- Incluir carnes magras, frutas, grãos e hortaliças na dieta.
Terapia Nutricional no Infarto Agudo do Miocárdio (IAM)
- Carboidratos: 50 a 55% da ingestão energética total → priorizar carboidratos integrais e de baixa carga glicêmica.
- Lipídios: 25 a 35% da ingestão energética total. Optar por ácidos graxos poli-insaturados e monoinsaturados. Limitar o consumo de alimentos ricos em colesterol → 300mg/dia. Gorduras saturadas e trans devem corresponder a até 7% e 3% das calorias totais, respectivamente.
- Proteínas: 15 a 20% da ingestão energética, priorizar as de alto valor biológico.
- Sódio: 5g de cloreto de sódio/dia → 2g de sódio.
Terapia Nutricional na Insuficiência Cardíaca (IC)
Objetivos:
- Fornecer calorias e nutrientes necessários;
- Minimizar a perda de peso;
- Recuperar o estado nutricional;
- Evitar sobrecarga cardíaca.
Utilizar a Terapia de Nutrição Enteral (TNE) quando não for possível usar a Via Oral (VO), evitando a perda de peso e de nutrientes.
- A característica da Nutrição Enteral (NE) deve ser de densidade calórica elevada e volume reduzido.
- Carboidratos: 50 a 55% da ingestão energética, priorizando carboidratos integrais e de baixa carga glicêmica. Reduzir o percentual de carboidratos caso o paciente apresente retenção de CO2 decorrente da má ventilação.
- Lipídios: 30 a 35% da ingestão energética, priorizar gorduras poli-insaturadas, monoinsaturadas (ômega 3) e não mais que 300mg/dia de colesterol. Reduzir o consumo de gorduras trans e saturadas.
- Ômega 3: 1g/dia → redução de mortalidade.
- Proteínas: 15 a 20% da ingestão energética, priorizando as de alto valor biológico. A oferta de proteína dependerá do estado nutricional, variando de normoproteica a hiperproteica.
Terapia Nutricional no Pós-Transplante
Nos primeiros dias após a cirurgia, as necessidades nutricionais estão aumentadas. No primeiro mês:
- Dieta hiperproteica: 1,5 a 2g/kg de peso/dia.
- Calorias: 30 a 35 kcal/kg de peso/dia.
- Restringir sódio: 1 a 2g/dia para diminuir a retenção hídrica.
- Priorizar as gorduras poli-insaturadas e monoinsaturadas.
- Evitar carboidratos simples.
- Oferta de 30g de fibras/dia.
Dietoterapia nas Doenças Reumáticas
Cuidado Nutricional em Artrite Reumatoide
- Avaliar o estado nutricional do paciente.
- Se o paciente apresentar desnutrição, aumentar em 20 a 30% a estimativa calculada para o gasto metabólico basal.
- Alguns alimentos são descritos como agravantes do quadro de artrite, pois apresentam grandes concentrações de histamina, como carne de porco, tomate, salsicha e espinafre.
- O uso de probióticos, como Lactobacillus rhamnosus, pode influenciar positivamente no tratamento.
- Manter a ingestão adequada dos micronutrientes: Cobre, zinco, ferro, manganês, magnésio, selênio, vitamina A, C e E. Diversas enzimas antioxidantes são ativadas pela incorporação desses micronutrientes.
- Suplementação do ácido graxo ômega 3 → 3,5g/dia.
Cuidado Nutricional em Osteoartrite
- Redução de peso em indivíduos obesos (cerca de 10%) contribui para a melhora dos sintomas e da mecânica articular ao caminhar. Optar por uma dieta hipocalórica.
- A restrição calórica deve ser moderada → alimentação balanceada, privilegiando o consumo de carboidratos integrais, frutas e vegetais.
- Manter a ingestão adequada das vitaminas C, D e E.
- Consumo de alimentos ricos em betacaroteno.
- A Dieta do Mediterrâneo apresenta efeito benéfico.
- Ômega 3: melhora os marcadores histológicos e bioquímicos.
- Niacina (vitamina B3): previne a apoptose dos condrócitos por inibir a interleucina 1, melhora a flexibilidade articular, reduz a inflamação e a necessidade de medicamentos para dor.
- Vitamina C: protege os condrócitos dos danos oxidativos do peróxido de hidrogênio, por equilibrar diversas vias regulatórias.
- β-caroteno: reduz a metaloproteinase da matriz, substância conhecida por degradar a cartilagem.
Cuidado Nutricional em Gota
- Redução de peso, caso o paciente esteja com sobrepeso ou obesidade.
- Ingestão de pelo menos 3L de água/dia para a excreção de ácido úrico e diluição da concentração urinária.
- Evitar o consumo excessivo de proteínas de fonte animal.
- Evitar o consumo de bebida alcoólica.
Cuidado Nutricional na Fibromialgia
O objetivo da conduta nutricional é a adequação do estado nutricional → redução ou manutenção do peso corporal.
- Vitamina D: consumo de alimentos fonte e exposição solar. Estudos indicam que a deficiência está relacionada com dor e fibromialgia.
- Vitamina B12: consumo de alimentos fonte. Níveis sanguíneos adequados desencadeiam menos relatos de dor e uso de analgésicos.
- Ômega 3: consumo de alimentos fonte ou suplementação. Apresenta propriedade anti-inflamatória e pode reduzir a dor.
Conduta Nutricional no Lúpus Eritematoso Sistêmico
O objetivo da conduta nutricional é a adequação ou a manutenção do bom estado nutricional do paciente, minimizar as complicações causadas pelo tratamento medicamentoso e auxiliar no controle da inflamação.