Guia de Tomada de Decisão e Planejamento Organizacional

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Tipos de Decisões

  • Decisões Programadas: Fazem parte do acervo de soluções da organização. Resolvem problemas que já foram enfrentados e que se comportam sempre da mesma maneira. Exemplo: limite de crédito do cheque especial; funciona como empréstimo programado e segue uma série de decisões.
  • Decisões Não Programadas: São preparadas uma a uma para atacar problemas que as soluções padronizadas não conseguem resolver; situações novas. Exemplo: ataque terrorista, onde nenhuma forma de resolver problemas estava disponível.

Processo de Resolução de Problemas

  • Identificação do Problema: Esta é a fase em que se percebe que o problema está ocorrendo e que é necessário tomar decisões.
  • Diagnóstico: Etapa que consiste em procurar entender o problema ou oportunidade e identificar suas causas e consequências.
  • Geração de Alternativas: Consiste em gerar alternativas para a solução, utilizando técnicas como Brainstorming e Brainwriting.
  • Escolha de uma Alternativa: As alternativas são avaliadas, julgadas e comparadas para que uma escolha possa ser feita.
  • Avaliação da Decisão: O processo de resolver problemas completa-se quando a decisão é implementada e seus efeitos são avaliados.

Ferramentas de Apoio à Decisão

  • Brainstorming: Sugestões em grupo sem delimitar alternativas; todos contribuem de forma verbal.
  • Brainwriting: Sugestões particulares por escrito, sem comunicação verbal. Anota ideias ou sugestões para resolver problemas.
  • Diagrama de Ishikawa: Diagrama que tem a forma de uma espinha de peixe. É um gráfico que tem por finalidade organizar o raciocínio e a discussão sobre as causas de um problema (Mão de obra, Máquinas, Métodos, Materiais).
  • Princípio de Pareto: Regra do 80-20 (20% das causas geram 80% dos efeitos).
  • MDPO: Recurso que permite organizar, em diagrama, as relações de causa e efeito existentes em um problema. Organiza informações em uma estrutura de causas e efeitos.
  • Análise de Vantagens e Desvantagens: Maneira mais simples de avaliar as possibilidades de decisões.
  • Ponderação de Critérios: O processo de escolher torna-se racional quando as alternativas são avaliadas objetivamente, com base em critérios ponderados, identificados explicitamente.

Racionalidade e Intuição no Processo de Tomar Decisões

É a combinação de racionalidade e intuição no processo decisório. A diferença entre racionalidade e intuição está na proporção de informação, de um lado, e opinião e sentimentos, de outro. Quanto maior a base de informações, mais racional é o processo. Quanto maior a proporção de opiniões e sentimentos, mais intuitivo se torna.

  • Racionalidade: Uma decisão racional baseia-se totalmente em informações e não em sentimentos, emoções ou crenças infundadas sobre a situação e as escolhas que ela requer. Pressupõe uma ordem lógica.
  • Intuição: É uma forma de percepção e aprendizagem. "Saber sem saber como se sabe". A intuição nasce da experiência e de sentimentos a respeito dos estímulos, como a percepção de que uma pessoa está mentindo ou dizendo a verdade.

Quem deve tomar decisões?

A responsabilidade primária pelas decisões é das pessoas que ocupam cargos administrativos ou gerentes, mas isso não significa que eles devam tomar todas as decisões.

  • Decisões Autocráticas: São tomadas por gerentes ou pessoas que não ocupam cargo gerencial, mas têm responsabilidade e autoridade pela administração de algum tipo de recurso. Essas decisões não precisam de discussões, informação ou acordo do grupo.
  • Decisões Compartilhadas: São tomadas pelos gerentes junto com sua equipe. São compartilhadas as decisões que não podem ser impostas e precisam de discussão, participação e aconselhamento.
  • Decisões Delegadas: São tomadas pela equipe ou pessoa que recebeu poderes para isso. As decisões delegadas não precisam ser aprovadas ou revistas pela administração; a pessoa ou grupo assume plena responsabilidade.

Planejamento

É a ferramenta para administrar as relações com o futuro. É uma aplicação específica do processo de tomar decisões.

  • Definição: Planejar é definir objetivos ou responsabilidades a serem alcançadas; definir meios para possibilitar a realização de resultados; imaginar e trabalhar para construir uma situação nova.

Atitudes perante o Planejamento

  • Atitude Proativa: Representada pelas forças que desejam e impulsionam as mudanças na organização (entendimento das forças do ambiente, impulso e desejo de mudança, antecipação aos eventos).
  • Atitude Reativa: Representada pelas forças que desejam e preservam a estabilidade, a manutenção do status quo (rejeição das informações do ambiente, tendência para a estabilidade, reação aos eventos).
  • Equilíbrio de Forças: A atitude proativa é importante para o crescimento e a mudança; a atitude reativa é importante para manter o equilíbrio e para impedir as mudanças abruptas e desnecessárias.

O Processo de Planejamento

  • Aquisição dos Dados de Entrada: São informações sobre o presente, passado e futuro do ambiente externo e dos sistemas internos da organização. Exemplos: problemas e oportunidades nos sistemas internos, decisões que afetam o futuro, encomendas ou solicitações de clientes.
  • Tomada de Decisões: Os dados de entrada são processados e transformados em novas informações e decisões. Exemplos: interpretação do significado das informações; identificação de alternativas para lidar com necessidades, ameaças e oportunidades; avaliação das alternativas e escolha de cursos de ação, objetivos e recursos.

Componentes de um Plano

Um plano é um guia para o futuro. Estabelece qual situação deverá ser alcançada, o que precisa ser feito e os recursos aplicados.

  • Objetivo: Indica um conceito central em administração. São os resultados desejados que orientam o intelecto e a ação; são os fins, propósitos, intenções ou estados futuros que as pessoas e as organizações pretendem alcançar.
  • Meios de Realização: É preciso definir um ou mais cursos de ação, executar atividades e empregar recursos.
  • Meios de Controle: São informações para avaliar até que ponto os objetivos estão sendo atingidos e se os cursos de ação escolhidos são apropriados.

Tipos de Planos

  • Planos Permanentes: Contêm decisões programadas para situações predefinidas (políticas, procedimentos operacionais, missão e outros objetivos permanentes).
  • Planos Singulares ou Temporários: Extinguem-se quando os objetivos são realizados. Exemplos: calendário de cursos, cronograma de construção, orçamento de campanha publicitária (cronogramas, calendários, orçamentos, projetos).

Definições Importantes

  • Políticas: Orientação genérica que define o curso de ação a ser seguido quando determinado tipo de problema se apresenta. Exemplos: evitar endividamento (finanças), comprar apenas de fornecedores com certificação (compras), atender imediatamente reclamações (qualidade).
  • Procedimentos: Também chamados de rotinas ou normas, são descrições detalhadas da sequência de atividades para cumprir um objetivo, visando reduzir erros. Exemplo: conferir informações, preencher campos e clicar em enviar.

Lidar com o Futuro

Baseia-se na projeção de dados da realidade presente:

  • Lidar com a certeza.
  • Análise de séries temporais (perspectivas futuras).
  • Projeções derivadas (ex: baixar preço para melhorar vendas).
  • Relações causais (impacto de um evento em outro).

Níveis de Planejamento

  • Planos Estratégicos: Definem a missão e os objetivos da organização, considerando ameaças e oportunidades do ambiente. Definem o futuro e as formas de atuar.
  • Planos Funcionais: Elaborados para realizar os planos estratégicos em áreas especializadas (Marketing, Operações, RH, Finanças).
  • Planos Operacionais: Definem meios (atividades, recursos e controles) para a realização de qualquer espécie de objetivo.

Planejamento Estratégico em Detalhes

Processo de estruturar cursos de ação e objetivos (missão, desempenho, desafios, pontos fortes/fracos e competências).

  • Complexo: Etapas podem ser cumpridas em qualquer ordem ou simultaneamente.
  • Dinâmico: As análises devem ser contínuas para acompanhar a evolução.
  • Missão: Define a área de atuação ou ramo de atividade da empresa.
  • Desempenho: Informações sobre resultados comparados a objetivos e concorrência (participação do cliente, faturamento, market share).
  • Análise do Ambiente: Pilar do planejamento estratégico para identificar ameaças e oportunidades.
  • Ramo do Negócio: Estrutura (vendas, produção, faturamento), linhas de produtos e comportamento dos compradores (qualidade, sazonalidade).
  • Mudanças Tecnológicas: Acompanhamento de tendências de inovações.
  • Conjuntura Econômica: Emprego, taxas de juros, valor de ações, admissões/demissões.
  • Análise Interna: Identificação de pontos fortes e fracos (Avaliação de Desempenho).

Análise das Áreas Funcionais

  • Produção: Arranjo físico, idade e limpeza das máquinas.
  • Marketing: Capacidade de entender o mercado e desempenho em lançamentos.
  • RH: Existência do departamento e políticas de administração.
  • Finanças: Fluxo de caixa, liquidez e solvência.

Objetivos Estratégicos e Modelos de Estratégia

Resultados concretos (cliente, mercado, vantagens competitivas). Exemplo: tornar-se líder no mercado automotivo.

Estratégias de Porter (3 Categorias)

  • Diferenciação: Identidade própria para o produto/serviço. Exemplo: McDonald's enfatiza qualidade uniforme e rapidez.
  • Liderança de Custo: Fornecer produto ou serviço mais barato que os concorrentes.
  • Foco: Concentrar-se em um nicho ou segmento de mercado específico.

Matriz de Ansoff

  • Penetração de Mercado: Produtos tradicionais em mercados tradicionais. Exemplo: Cia aérea focando em vendas para empresas.
  • Desenvolvimento de Mercado: Mercado novo com produtos tradicionais. Exemplo: Cartão de crédito para público específico.
  • Desenvolvimento de Produto: Mercados tradicionais com produtos novos. Exemplo: Empresa de turismo com novos roteiros.
  • Diversificação: Novos mercados com novos produtos. Exemplo: Venda de passagens entrando no mercado de excursões.

Tipologias de Miles e Snow

  • Comportamento Defensivo (Estratégia de Estabilidade): Foco estreito, altamente especializadas, relutam em novas oportunidades.
  • Comportamento Prospecto (Estratégia de Crescimento): Busca contínua por novas oportunidades e lidar com ameaças.
  • Comportamento Analítico: Atuam em dois mercados (um estável e outro em mudança).
  • Comportamento de Reação: Ambientes turbulentos, mas a administração é incapaz de dar respostas eficazes.

Outras Estratégias

  • Estratégia de Redução de Despesas: Necessária quando a eficiência está comprometida (eliminar linhas, desinvestimento).
  • Estratégias Combinadas: Uso de diversas estratégias simultaneamente.

Processo de Planejamento Operacional

Definição de atividades e recursos necessários:

  1. Análise dos Objetivos: Ponto de partida (ex: ser vencedor, ganhar parcela de mercado).
  2. Planejamento do Uso do Tempo: Reflete o esforço necessário.
  3. Planejamento de Recursos: Definição do que é necessário para as atividades.
  4. Avaliação dos Riscos: Eventos que podem ameaçar o resultado (ex: acidentes).
  5. Previsão dos Meios de Controle: Controle de atividades, recursos e riscos.

Estrutura Organizacional e Orçamento

  • Estrutura Organizacional: Plano permanente que define responsabilidades, autoridade e comunicação.
  • Preparação do Orçamento:
    • Custo unitário de cada recurso (ex: taxas horárias/mensais).
    • Duração das atividades (multiplicada pelo custo unitário).
    • Custos indiretos (despesas não produzidas diretamente pelas atividades).

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