Guia de Treinamento Esportivo para Jovens Atletas

Classificado em Desporto e Educação Física

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Treinamento de Alto Nível com Crianças e Adolescentes

O treinamento de alto nível é um fator importante dentro da formação biopsicossocial do indivíduo, que deve harmonizar o desenvolvimento paralelo dos componentes do treinamento esportivo de acordo com os níveis ótimos em cada faixa etária.

Etapas do Treinamento

  1. Iniciação / Básica: Desenvolver todas as capacidades motoras e coordenativas (aspecto lúdico). A ação do treinamento deve ser voluntária. Esta fase demora de 3 a 5 anos e se inicia, geralmente, aos 7/9 anos.
  2. Orientação / Formação: Começar com a orientação técnica de duas modalidades esportivas. Esta fase demora de 2 a 4 anos. Inicia-se, geralmente, aos 10/12 anos e 12/14 anos.
  3. Especialização / Avançado: Procura-se o incremento de conhecimentos técnico-táticos que sirvam de base para o emprego da tática de alto nível. Inicia-se, paralelamente, um processo de estabilização psíquica. Aumenta sensivelmente a participação em competições. Inicia-se aos 13/16 anos e a duração varia entre 3 a 5 anos.
  4. Alto Rendimento / Alto Nível: A estabilização e domínio técnico-tático, atingidos na fase anterior, serão aprimorados. Ocorre um significativo aumento da relação carga/volume "psíquico-físico-técnico-tático". Otimização dos processos cognitivos (em relação à situação esportista/alto rendimento/estilo de vida) e psicológicos (psicorregulação, motivação intrínseca).

Conteúdos e Atividades no Handebol (Greco, Benda e Ribas, 1998)

  • Fase Pré-escolar (2 a 5 anos): Estimular e promover um primeiro contato da criança com o handebol. Exploração de bolas com variados tamanhos e pesos. Deslocamentos, exploração do ambiente, equilíbrio, esquema corporal, acoplamento, relação espaço-temporal, entre outras, preferencialmente apresentadas através de jogos de imitação e perseguição envolvendo bolas e materiais diversos.
  • Fase Universal: Desenvolver todas as capacidades motoras e coordenativas de uma forma geral, criando um repertório variado de movimentações no contexto da recreação e ludicidade.
  • Fase de Orientação (13 e 14 anos): Aperfeiçoamento dos movimentos (capacidades físicas e técnicas). No caso do handebol, a criança deverá buscar uma automatização-estabilização de fundamentos como os arremessos, passes, dribles, progressões e recepção. É de grande importância praticar outras modalidades esportivas ainda nesta fase.
  • Fase de Direção (14 a 16 anos): Transmitir e aplicar as regras gerais de ações táticas do handebol. Como o próprio nome indica, nesta fase há um direcionamento para um esporte específico: o handebol.

Desafios e Críticas ao Processo Atual

Lamentavelmente, ocorre que estas fases não são respeitadas: o resultado é o fim e não um meio pedagógico para corrigir e avaliar o processo. Pretende-se atingir níveis de alto rendimento muito cedo. A relação carga/volume/intensidade dos treinamentos não respeita a individualidade biológica, nem comporta os conteúdos psicossociais da criança.

Aceitamos o treinamento com crianças e adolescentes como um passo dentro do processo de treinamento e não com o objetivo de atingir altos rendimentos imediatos: é treinamento de formação; preparação para o alto nível. Não é o alto nível!

Princípios de Martin

Segundo Martin, três estruturas diferenciam o treinamento com crianças e adolescentes do treinamento de alto nível:

  • Há outros objetivos, os quais serão atingidos em outras fases;
  • Deve-se adaptar o treinamento às características do desenvolvimento e crescimento da criança;
  • O alto nível de rendimento só é possível se o trabalho realizado na base foi correto.

Obs.: As técnicas e os fundamentos erroneamente aprendidos — por falta de trabalho ou por forçar seu domínio cedo, em idades precoces — costumam reaparecer nos momentos de estresse, o que aguça ainda mais o desequilíbrio psicofísico-técnico-tático e, consequentemente, o rendimento.

A Realidade na Prática

Lamentavelmente, o treinamento é conduzido de forma diferente: o resultado na competição é o objetivo, e não um meio pedagógico para obter parâmetros de superação individual. Os professores são colocados sob "pressão do êxito" dos atletas. O elitismo dos pais — a ânsia por ver seu filho campeão — muitas vezes confunde a soma de treinamento errado com "talento". As instituições utilizam o êxito esportivo como parte de sua propaganda, manipulando estatísticas.

Particularidades do Crescimento

Crianças e adolescentes crescem por saltos, assim como os segmentos esqueléticos: 1º os pés e mãos; 2º as pernas e antebraços; 3º as coxas e braços. O salto pubertário traz problemas para o treinamento em grupo, pois a idade cronológica pode divergir da biológica (ex: alunos e atletas precoces com vantagens temporárias).

1 – Crescimento e Metabolismo

O metabolismo é 20% a 30% mais elevado nas crianças do que nos adultos (devido ao maior número de mitocôndrias e metabolismo oxidativo). As necessidades de vitaminas, minerais e alimentos (como albumina) são maiores.

2 – Crescimento e Aparelho Motor Passivo

Estão nitidamente mais expostos ao risco de lesões por estímulos de treinamentos antifisiológicos. Para um treinamento de força, são necessários: tempos de recuperação suficientes e ausência de alternâncias bruscas de cargas. A carga do próprio corpo basta. Deve-se trabalhar exercícios de força através de execuções dinâmicas, ao invés de cargas estáticas que deterioram a irrigação. Nada de cargas estereotipadas.

3 – Crescimento e Aparelho Motor Ativo

Até o início da puberdade, meninos e meninas se diferenciam muito pouco em força muscular devido à baixa taxa de testosterona. Por isso, não é recomendável o treinamento de força pesada antes da puberdade. OBS.: Evitar trabalhos anaeróbicos, pois a capacidade maior encontra-se nos processos oxidativos.

Contexto do Handebol

O handebol, assim como o basquete e o futsal, caracteriza-se como uma modalidade intermitente, na qual existe a alternância de períodos de alta e de baixa intensidade. Essa alternância, aliada à estratégia, à movimentação e ao estilo do atleta, influencia diretamente na demanda energética do indivíduo durante uma partida.

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