H2: Ética e Felicidade: Aristóteles, Hedonismo e Kant

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Ética da Felicidade

1. Ser Feliz é Autorrealizar-se (Aristóteles)

Ética Aristotélica

Para Aristóteles, ser feliz é ser um homem no sentido mais pleno da palavra. A felicidade é a atividade que nos distingue como humanos. Toda atividade humana é perseguida por um bem, visando um fim. Todas as atividades humanas tendem a um fim, e todos os efeitos, por sua vez, a um objetivo final.

A felicidade é:

  • Um bem perfeito, procurado por si mesmo e não em função de outro.
  • Um bem suficiente em si mesmo, que não deseja mais nada além de si.
  • Conseguida através da realização das atividades mais características do ser humano.
  • Conseguida com uma atividade contínua.

Na comunidade, cada ser humano tem uma função própria. Se não houvesse felicidade e virtude, esta não poderia ser mais perfeita. A inteligência teórica é a atividade mais típica do ser humano e pode ser exercida continuamente, fornecendo satisfação em si mesma. Por isso, Aristóteles constitui o exercício da atividade teórica em contemplação como a felicidade.

Sabedoria Prática

Aqueles que vivem de acordo com seu intelecto prático dominam suas paixões para alcançar a felicidade. As virtudes que auxiliam nesta tarefa podem ser de dois tipos:

  1. Dianoéticas (Cuidado) ou Inteligência.
  2. Éticas ou de Caráter (Requerem a política).

O Aristotelismo, continuado por Tomás de Aquino, considera essencial descobrir o objetivo final das ações humanas, que ele encontrou na vida contemplativa. No Tomismo, o fim do homem é buscado na teologia.

2. Ser Feliz é Autossuficiente (Ética Cínica)

Ser feliz é depender apenas de si mesmo, sem depender de alguém ou de alguma coisa. Busca-se a felicidade pessoal evitando preocupações.

3. Ser Feliz é Sentir Prazer e Evitar a Dor (Hedonismo)

Hedonismo

Epicuro de Samos é o fundador do epicurismo. Ele afirmou que o prazer é o que leva os homens a agir para alcançar a felicidade. Os hedonistas morais acreditam que, como os homens buscam o prazer e fogem da dor, o intelecto moral funciona como uma calculadora.

Hedonismo Individualista: Epicurismo

  • Desejado: Busca pela eliminação da dor e prazer, encontrando o nível máximo de prazer e a eliminação da dor.
  • A inteligência funciona como uma calculadora.
  • Receita para a felicidade: Não temer a morte, nem os deuses ou o destino, e dedicar tempo a filosofar.

Hedonismo Social: Utilitarismo

Considera que os homens são dotados de sentimentos sociais, cuja satisfação é uma fonte de prazer. Esses sentimentos de simpatia levam a estender os desejos aos outros para obter felicidade. O objetivo da moralidade é alcançar a maior felicidade (o maior prazer) para o maior número de seres vivos. Este princípio serve como critério para a tomada de decisões racionais.

Jeremy Bentham introduziu uma aritmética dos prazeres baseada em dois pressupostos:

  1. O prazer é suscetível de medida, pois todos os prazeres são iguais em qualidade.
  2. Os prazeres de pessoas diferentes podem ser comparados para se chegar a um total máximo de prazer.

Stuart Mill rejeita esses pressupostos, afirmando que os prazeres diferem em qualidade, não apenas em quantidade.

O Hedonismo Consumista acredita que a felicidade é consumir todos os produtos que proporcionam prazer, sem limites ou cálculos. É imoral sob a perspectiva do utilitarismo.

Duas Formas do Utilitarismo

  • Utilitarismo do Ato: Avalia a correção de cada ação por suas consequências.
  • Utilitarismo da Regra: Considera se a ação está sujeita a certas regras e avalia a bondade moral de suas consequências.

Dever Ético

Ética Kantiana

A razão prática nos conscientiza de certos comandos que devemos seguir, quer nos façam felizes ou não. Nossa razão é a lei que nos diz como nos comportar e se expressa como comandos (imperativos).

O que faz um homem agir de uma forma ou outra é a sua vontade. Podemos distinguir três tipos de regras:

  • Máxima: Regras usadas por mim.
  • Imperativo Hipotético: Mandato condicionado ("Se você quiser X, faça Y"). Está sujeito a um fim. É a posteriori, ético e materialista, usando o homem como meio.
  • Imperativo Categórico (Dever): A moralidade deve ser um conjunto de regras obrigatórias para todos os indivíduos e situações. É uma ética formal e altruísta. É a priori. Não usa o homem como meio para um fim. É dito ser guiado por critérios próprios, sem se deixar levar por desejos ou depender de outros critérios. É a priori e egoísta. Os humanos não têm preço, têm dignidade e merecem todo o respeito.

Ética do Discurso (Dialógica)

Argumenta que as normas morais devem ser o resultado de um acordo baseado no diálogo argumentativo em igualdade de condições entre seres racionais e livres. A ética dialógica determina que as regras são válidas se forem o acordo alcançado racionalmente após cada participante defender sua posição.

A justificativa das normas morais vem do acordo racional e é definida de acordo com dois princípios:

  • Universalidade: É uma reformulação do imperativo kantiano de universalidade. A ética do discurso é uma reformulação dialógica da autonomia kantiana.

Uma norma só é aceitável se todos os afetados por ela concordarem em dar seu consentimento, pois atende aos interesses do discurso universal.

Regras do Discurso

  1. Qualquer sujeito capaz de fala e ação pode participar no discurso.
  2. Qualquer um pode problematizar qualquer afirmação.
  3. Qualquer um pode inserir qualquer informação no discurso.
  4. Qualquer um pode expressar suas posições, desejos e necessidades.
  5. Nenhum falante pode ser impedido de fazer valer seus direitos previstos nas regras acima, seja por coerção interna ou externa ao discurso.

Métodos de Investigação

Método Experimental

Utilizado nas ciências naturais. Baseia-se na experiência e usa a verificação experimental ou o monitoramento do experimento como critério para validar suas conclusões. Caracteriza-se pelo grau de controle que permite manipular e tratar certos fatores situacionais.

Desenvolve-se em quatro etapas:

  1. Observação cuidadosa e medição: Isolar e definir o problema.
  2. Aprovação da hipótese.
  3. Justificação dos resultados.
  4. Teorias.

Método Axiomático

Método das ciências formais (ex: matemática, 2+2), que lida com símbolos e conectores.

  • Axioma: Uma verdade fundamental da qual não se pode duvidar.
  • Teorema: Um fato deduzido dos axiomas.

Um sistema axiomático é:

  • Independência: Um axioma não pode ser inferido ou provado a partir de outro.
  • Consistência: Não se pode deduzir um axioma e seu oposto. É necessário demonstrar.
  • Integralidade e Decidibilidade: Capacidade de saber se um axioma ou um teorema é verdadeiro ou falso.

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