H2: Europa Pós-Guerra: Tratados de Paz e Consequências
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Europa Depois da Guerra
Os Tratados de Paz
Os tratados de paz foram discutidos na Conferência de Paz de Paris. Eles representaram os países vitoriosos. Um tratado específico foi assinado com cada país perdedor, contendo termos e condições comuns. Um dos elementos-chave foi a enorme influência dos 14 Pontos de Wilson: imposição de reparações de guerra aos países derrotados. Para evitar novos conflitos, todos os acordos de paz incluíram a criação da Liga das Nações, uma instituição destinada a promover o diálogo antes do início de uma guerra, sendo um precedente da ONU.
- O Tratado de Versalhes: Assinado em 1919 entre os vencedores e a Alemanha. Este tratado é exemplar devido às suas condições severas: a Alsácia e Lorena passaram para a França; o Ducado de Schleswig foi cedido à Dinamarca; Danzig tornou-se cidade livre, e foi estabelecido o Corredor Polonês, ligando a Polônia ao Mar Báltico, reconhecendo a criação da Polônia. O Sarre, região economicamente rica, ficou sob administração da Liga das Nações, com os lucros controlados pela França e Grã-Bretanha. O território a oeste do Reno foi desmilitarizado, e a união com a Áustria foi expressamente proibida. O exército alemão foi limitado, e a marinha reduzida a poucos navios de guarda costeira. Foram fixadas reparações de guerra que a Alemanha deveria pagar aos vencedores, num valor tão elevado que nem a produção anual cobriria os juros.
- Tratado de Saint-Germain: Assinado em 1919 com a Áustria, com condições semelhantes às de Versalhes. O Tirol do Sul e a península da Ístria foram cedidos à Itália. O Império Austríaco foi desmembrado em vários países: Áustria, Hungria, Tchecoslováquia, Iugoslávia e Polônia. O exército austríaco foi limitado.
- O Tratado de Neuilly: Com a Bulgária, um dos primeiros países a se tornar independente. Condições: a Bulgária perdeu território na região da Trácia Ocidental para a Grécia, perdendo sua saída para o Mar Egeu, e teve seu número de tropas limitado.
- Em 1920, foi assinado o Tratado de Trianon com a Hungria. Embora se pensasse que não era independente da Áustria, foi reconhecida pela primeira vez como país independente. Perdeu parte de seu território original e teve um exército reduzido.
- O Tratado de Sèvres (1920): Assinado com a Turquia. Houve perdas territoriais na costa do Mar Egeu e algumas ilhas foram entregues à Grécia, prolongando a guerra entre os dois países. A Turquia perdeu vastos territórios no Oriente Médio (Egito, Palestina, Iraque), que ficaram sob administração da Liga das Nações, mas na prática como protetorados da França e do Reino Unido.
Implicações
- Demográficas: A guerra resultou em cerca de 10 milhões de mortos, um número sem precedentes.
- Economia: Grande parte do país foi destruída pelos combates, especialmente no norte da França e na Polônia, afetando a utilização da terra. A Europa deixou de ser a principal potência econômica mundial, sendo superada pelos Estados Unidos. Novos países como Japão e União Soviética ganharam relevância.
- Políticas: Surgimento de novos Estados, desaparecimento de dinastias históricas e monarquias.
- Social: Êxodo rural para as cidades. Ascensão de uma nova classe rica. Disseminação de ideias de vingança, que seriam o prenúncio do fascismo.
Texto de Comentário:
CLASSIFICAÇÃO:
É um tipo de texto semelhante a um discurso público.
É de justiça histórica, pois Lord Salisbury expressa suas opiniões sobre o imperialismo e suas implicações.
O discurso foi proferido por Lord Salisbury. Seu nome completo era Robert Gascoyne-Cecil, o Terceiro Marquês de Salisbury.
Ele foi um político britânico proeminente, serviu como Primeiro-Ministro e era membro do Partido Conservador.
O discurso foi realizado em 4 de maio de 1898, no Albert Hall, um dos teatros mais populares de Londres.
Foi dirigido ao público da época, visando que entendessem o que estava acontecendo ou iria acontecer nas colônias e a participação da Inglaterra nesse processo.
ANÁLISE:
A. Literal:
Nações: Grupo de pessoas que vivem no mesmo território; compartilham língua, crenças, costumes e, sobretudo, consideram-se parte da mesma nação.
Com a citação irônica, ele se refere a dois tipos de países: os que vivem e os que morrem, referindo-se aos países centrais como os que vivem, e às colônias como os que morrem.
Instrumentos de informação: Forma de conteúdo que possibilita o processo de comunicação.
A. Lógica:
Compreende-se seu ponto de vista sobre como o imperialismo está distribuído no mundo e o que acontecerá com ele.
O tom irônico deixa claro que a Inglaterra não permitirá ser excluída de qualquer divisão territorial que ocorra.
COMENTÁRIO:
Neste momento, todos os grandes países desejavam expandir-se para outros continentes, por diversas razões: busca por matérias-primas e novos mercados; prestígio internacional; ou por causas demográficas, morais e científicas/técnicas.
Este discurso de 1898 coincide com um momento crucial do imperialismo. Apenas naquele ano, a Grã-Bretanha teve um conflito com a França em Fashoda devido a interesses conflitantes, mas no final a Grã-Bretanha prevaleceu.
Salisbury explica no texto que as grandes potências colonizarão gradualmente as colônias, o que levará a conflitos entre os países colonizadores, como já havia ocorrido anteriormente.
Ele também afirma: "Nós não permitiremos que a Inglaterra fique em desvantagem em qualquer ajuste que possa ocorrer".
Isso se refere à redefinição de qualquer divisão territorial entre países, como a que ocorreu em 1885, no conflito chamado "Conferência de Berlim", onde a África foi dividida entre as diferentes potências.
Ele também defende: "Há uma série de comunidades (...) pedindo-lhes que proponham uma solução".
De acordo com Lord Salisbury, esses países mais pobres exigem a atenção e solidariedade das potências para simpatizar com eles e ajudá-los a escapar da pobreza.