H2: O Racionalismo de Descartes: Conhecimento, Deus e Realidade

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O Racionalismo de Descartes: Conhecimento, Deus e Realidade

Conhecimento: Descartes procura uma teoria verdadeira, sem qualquer dúvida. Portanto, sua prioridade será encontrar um método que o ajude a raciocinar. Analisando o *modus operandi* da própria razão, ele conclui que existem dois tipos de conhecimento: a intuição, o conhecimento das ideias simples que surgem da razão em si, cuja verdade é evidente e inegável, e a dedução, o conhecimento de uma sucessão de intuições de ideias simples e conexões entre elas para chegar a verdades complexas.

Assim, o processo de conhecer deve seguir duas etapas:

  • Análise: Pelo qual as ideias complexas são decompostas à ordem simples para serem percebidas.
  • Síntese: Onde a dedução é utilizada para atingir uma conclusão complexa.

Para aplicar a dedução e sintetizar, utiliza-se a dúvida metódica, que consiste em questionar todo o nosso conhecimento para encontrar algo seguro e inquestionável. Na primeira etapa, duvida-se do conhecimento que vem dos sentidos. Na segunda, duvida-se da existência da realidade extramental. E, finalmente, duvida-se do conhecimento que vem da razão, pois pode-se supor a existência de um ser enganador (*malin génie*).

No entanto, ele afirma que não se pode duvidar de que se está duvidando, pois se não se pode duvidar de que se está pensando, logo, existe-se. O primeiro princípio é de uma obviedade: "Eu penso, logo existo". Ao afirmar a existência como ser pensante, estabelece-se o cogito, afirmando a existência da substância pensante (*cogito*) como o primeiro truísmo.

A partir daí, Descartes busca uma síntese que lhe permita ter conhecimento certo. Ele acredita que as ideias podem ser divididas em:

  • Adventícias: Vêm de fora.
  • Fictícias: A mente constrói a partir de outras ideias.
  • Inatas: Próprias da razão, não são acidentais nem fictícias.

Deus: Descartes define o *self* como uma substância pensante, que engloba ideias e juízos. Entre as ideias inatas está a de um ser infinitamente perfeito, identificado com a ideia de Deus. A prova da existência de Deus se dá de duas maneiras:

  1. Como tenho em mente a ideia de um ser infinitamente perfeito, essa perfeição deve incluir a existência.
  2. Se eu existo como ser finito, imperfeito e contingente, tive de vir à existência de um ser necessário (Deus).

A cadeia de seres finitos pressupõe a existência de um Deus que os criou e os sustenta. Finalmente, Deus, sendo perfeito e bom, garante que o mundo externo existe e que a ciência que lida com ele é verdadeira.

Realidade: Descartes define "substância" como tudo o que existe independentemente de qualquer outro ser. Assim, há três substâncias:

  • Cogito (substância pensante).
  • Deus (substância infinita).
  • Realidade Externa (substância extensa).

Contudo, apenas Deus seria substância em sentido estrito. A realidade externa e o *cogito* são independentes um do outro, pois a alma pode existir sem o corpo e a realidade sem a alma.

Homem: Descartes defende o dualismo. O ser humano é propriamente o *cogito*, independente da substância extensa (corpo). O corpo funciona como uma máquina e não pode agir livremente. No entanto, o *cogito* é imortal, livre e deve governar o corpo. Sua relação é dada na glândula pineal, que permite ao *cogito* regular o órgão.

Ética: Com o desenvolvimento da perfeição da alma, alcança-se a felicidade. Este desenvolvimento é a liberdade, que ocorre quando o sujeito é regido pelo *cogito*. A liberdade é, portanto, a vontade do que é suposto ser bom e verdadeiro para o indivíduo.

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