O Fim da Hegemonia Espanhola e a Monarquia Centralizada
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O Declínio do Império Espanhol na Europa
O século XVII marca o fim da hegemonia dos Habsburgos na Europa, caracterizado pela perda de influência política e uma infinidade de bens/territórios. Este declínio foi acompanhado pelo surgimento da França como grande potência europeia.
O período começa com Filipe III e um período de paz, após muitos conflitos anteriores, destacando-se a Trégua dos Doze Anos.
Filipe IV e o seu ministro, o Conde-Duque de Olivares, visavam restaurar o prestígio da monarquia espanhola, envolvendo-se na defesa da religião católica e na necessidade de articular os territórios do império. Isso provocou a Guerra dos Trinta Anos (1618–1648). A derrota hispânica levou à Paz de Vestfália, que significou a separação dos Países Baixos e da Confederação Suíça.
O levantamento da Catalunha, apoiado pelos franceses, culminou na Paz dos Pirenéus, resultando na perda de Rossilhão e Cerdanha, e na preponderância da França como potência europeia.
A fraca monarquia de Carlos II, o Feiticeiro (1665–1700), foi incapaz de travar o expansionismo francês. A sua morte sem descendência causou a Guerra da Sucessão Espanhola (1701–1713) ao trono espanhol.
Este conflito, que sobrepôs questões internas e europeias, foi resolvido pela Paz de Utrecht em 1713, que significou o fim do império espanhol na Europa.
Reformas na Organização do Estado: A Monarquia Centralista
O estabelecimento de uma monarquia forte, centralizada e unificada, seguindo o modelo francês, foi obra de Filipe V, Fernando VI e Carlos III, abrangendo todas as áreas do Estado: Governo, Administração, Exército, política eclesiástica e Economia.
Governo
O objetivo era fortalecer o poder central, para o qual foram aprovados os Decretos de Nova Planta (1716). Foram excluídos os foros urbanos, a autonomia e os tribunais dos antigos reinos da Coroa de Aragão.
- Estabeleceu-se um novo modelo de gestão territorial, baseado na divisão em províncias.
- Criou-se um novo sistema fiscal territorial.
- As Audiências Reais mantiveram-se para questões judiciais.
A uniformidade não foi total, pois o País Basco e Navarra mantiveram as suas jurisdições, conforme defendido por Filipe V durante a Guerra da Sucessão.
Administração
- Os Conselhos desapareceram, exceto o de Castela.
- Foram criadas as Secretarias de Despacho (antecedentes do Conselho de Ministros).
- Foram criados os Intendentes, que atuavam entre o centro e as províncias, em questões fiscais e obras públicas.
- Os Municípios perderam autoridade.
Política Eclesiástica (Regalismo)
O objetivo era afirmar os direitos da monarquia em assuntos eclesiásticos (Regalismo), manifestando-se em:
- As nomeações de oficiais da igreja.
- A perceção dos rendimentos das vagas eclesiásticas pela Coroa.
- A iniciativa de propostas Reais.
Esta política teve dois eventos significativos: a expulsão dos Jesuítas (1767) e o corte do poder da Inquisição.
Exército
Criação de um sistema coerente de controlo, substituindo os antigos Terços por Regimentos.
Economia
- Tentativas de reforma da Fazenda (Marquês de la Ensenada).
- Intensificação da agricultura.
- Desaparecimento dos escritórios da Coroa de Aragão.
- Fim do monopólio da Casa de Contratação e liberalização do comércio com a América.
- Apoio à indústria: o desaparecimento das guildas e a criação da Real Fábrica.