Histologia Dental: Esmalte, Dentina e Polpa
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Ameloblastos e Esmalte
Ameloblastos: são derivados do ectoderma a partir do epitélio interno do órgão do esmalte. Esmalte: formado por ameloblastos, a partir da fase de sino até a erupção dental. É o tecido mais duro do dente; sua coloração pode ser branco, cinza-azulado e amarelado devido à dentina subjacente. É constituído de 96% de compostos inorgânicos, 3,6% de água e 0,4% de proteína. A espessura do esmalte é variável de acordo com a região do dente. Os aminoácidos mais comuns na elaboração do esmalte são:
- Cisteína
- Prolina
- Tirosina
- Histidina
- Lisina
- Arginina
- Leucina
- Cistina
- Triptofano
Contorno das cúspides: é originada pelo processo de estrangulamento de ameloblastos. Prisma ou bastonetes do esmalte: cada uma é formada por 4 ameloblastos e cada ameloblasto contribui para a formação de 4 diferentes prismas. Cada prisma possui uma cabeça e uma cauda. Estrias dos prismas: se devem à hipomineralização durante o processo da amelogênese. Linha ou faixas de Hunter e Schreger do esmalte: se devem à mudança de direção dos prismas e aos processos de adaptações funcionais dos ameloblastos durante a amelogênese. Linhas ou estrias de Retzius: são linhas incrementais do esmalte pela mineralização alternada dos prismas. Linha festonada: localizada no JED (Junção Amelodentinária), apresenta concavidade voltada para o esmalte.
Cutícula do esmalte ou membrana de Nasmyth: dentes recém-erupcionados são cobertos por essa cutícula que corresponde à derradeira secreção dos ameloblastos mais uma camada acelular derivada do saco ou folículo dental. Fusos do esmalte: são túbulos dentinários que chegam até o esmalte, localizados após a linha festonada ou JED. Lamelas do esmalte: são pequeníssimas fissuras no esmalte e correspondem a áreas de hipomineralização do esmalte. Nestas frestas há material orgânico proveniente da saliva. Tufos do esmalte: são áreas próximas ao JED/linha festonada com prismas hipocalcificados (cabeça e cauda hipomineralizados).
Funções do epitélio interno do órgão do esmalte na amelogênese: morfogênica (determina forma da coroa e da SED), organizadora, formadora (após se constituir em ameloblastos, origina esmalte jovem, de transição e o maduro), maturação, protetora e desmolítica. Propriedades do esmalte: dureza (em relação às forças mastigatórias), densidade (maior no esmalte próximo à saliva), cor (opaco quando possui grande espessura e pouca mineralização), solubilidade (o uso de fluoreto reduz a solubilidade), permeabilidade (áreas de hipomineralização ou áreas com substâncias orgânicas) e compressividade.
Considerações clínicas: hipoplasia do esmalte (anomalia que ocorre na primeira etapa da amelogênese), hipocalcificação do esmalte (quando agentes atuam na segunda etapa da amelogênese), causas sistêmicas (são deficiências nutritivas e fisiológicas), odontodisplasias (distúrbio hereditário no órgão do esmalte), inflamações e traumatismos. Tipos de esmalte: primário, transição e maduro, aprismático e prismático. *A dentina é mais resiliente porque confere sustentação e reduz a possibilidade de fratura durante a mastigação.
Dentina
Dentina: é originada da papila dental. É o segundo tecido mais calcificado do organismo; é produzida pelas células da polpa, os odontoblastos ou dentinoblastos. A dentina reproduz a forma de cada dente, é translúcida, possui elasticidade e serve como amortecedora dos choques que o esmalte sofre. É um tecido avascular, vivo e de cor amarelada. Sensível ao frio, tato, alimentos com ácidos e similares. Fibrila de Tomes: localiza-se no interior do túbulo dentinário, ocupando 1/3 deste túbulo, pois as demais porções são ocupadas por fluido da polpa. Túbulo dentinário: criado durante o processo centrípeto e constante da dentinogênese e vai desde a superfície pulpar até o JED (na coroa) e até os limites com o cemento (na raiz). O número nas proximidades da polpa é de 45.000/mm². Canalículos dentinários: são ramificações dos túbulos.
Composição química da dentina: 70% inorgânica, 18% orgânica (colágeno tipo I e glicoproteínas) e 12% água. Dentina tubular: coloração amarela e é a mais calcificada. Dentina intertubular (branca): é a parte na qual a dentina consiste de uma substância fundamental fibrilar calcificada. Manto dentinário: é constituído por fibrilas colágenas desordenadas e irregulares, localizada bem próxima ao JED. Dentina primária: produzida antes da erupção dos dentes, possui túbulos retos, por isso sua permeabilidade é maior. Dentina secundária: é elaborada lentamente, durante toda a vida do dente, é produzida pós-erupção.
Linhas incrementais de Von Ebner (menos mineralizada) e de Von Owen (mais mineralizada): são linhas que demarcam paradas na produção da dentina por parte dos odontoblastos; nestas áreas há maior processo de mineralização. *É impossível mexer na dentina sem que haja resposta da polpa. Odontoblastos: não podem ser lesados por drogas concentradas, traumatismos operatórios inadequados ou materiais restauradores irritantes. Mecanismos de defesa da polpa: podem ser pelo processo passivo de obliteração ou pelo processo ativo de obliteração, que é representado pela produção da dentina esclerosada (que oblitera os túbulos) e pela produção da dentina reacional (reparativa ou terciária) com alteração da forma da câmara pulpar.
Dentina interglobular: localizada entre os glóbulos na pré-dentina e é pouco mineralizada. Fica localizada dentro do túbulo dentinário. Dentina reparativa ou reparadora: localizada dentro da polpa. *Há mais dentina perto da polpa.
Polpa
Polpa: é um tecido conjuntivo (mucoso, frouxo e fibroso) que varia conforme a idade da polpa (jovem, adulta e senil), como também pelas lesões sofridas pela dentina. O colágeno é do tipo I. Mantém contato com os tecidos periodontais do ligamento periodontal e do osso alveolar. Células predominantes são fibroblastos e odontoblastos. Há também material extracelular afibrilar e fibrilar. A origem da polpa é a partir do componente do germe dental denominado papila dental. Inicialmente a polpa é chamada de papila dental; só após a dentinogênese é que é denominada polpa. Sofre contínuas modificações de volume devido à constância da dentinogênese e da produção da dentina reparativa. A polpa é radiolúcida.
Cavidade pulpar: possui 6 superfícies (oclusal, mesial, distal, bucal, lingual e do assoalho) e possui também cornos pulpares, que são protrusões que se estendem para dentro das cúspides do dente. Cavidade pulpar radicular: é a porção que se estende da região cervical da coroa até o ápice da raiz; nos dentes anteriores são cavidades únicas e nos posteriores, múltiplas. Permeabilidade dentinária: é maior nos túbulos retos e menor nos túbulos curvos. A área do corno pulpar é mais permeável, pois os túbulos são retos. Nutrição do complexo dentino-pulpar: é realizada por vasos que não podem sofrer danos por forças ortodônticas e/ou impactos traumáticos.
Células da polpa:
- Odontoblastos
- Odontoclastos
- Fibroblastos
- Macrófagos
- Células mesenquimais indiferenciadas
- Linfócitos
- Plasmócitos
- Mastócitos
- Eosinófilos
Material afibrilar da polpa: substância intersticial amorfa e líquido intersticial, vasos sanguíneos, linfáticos e inervação. Funções da polpa: indutora, formativa (produz a dentina), sensorial (através das fibras nervosas), protetora e defensiva/reparadora (reparativa e por células de defesa). Tipos de alterações pulpares: volume (redução devido à dentinogênese constante e processos de defesa), celulares (na polpa senil há redução de células), fibrosas (na polpa senil há aumento de material fibrilar) e vasculares.
Cálculos pulpares: surgem com a idade e com ações hostis ao dente, como irritações. Esses cálculos interferem na endodontia. São classificados em verdadeiros (juntos à dentina circumpulpar) e falsos (podem ser livres ou aderidos). Polpa sadia: caracterizada por possuir coloração rósea-avermelhada, é resistente ao corte, possui estrutura consistente e o sangue possui coloração clara, pH 7,2 - 7,6. Polpa comprometida: consistência pastosa/liquefeita, desintegra-se ao corte, com ausência de sangue ou, quando presente, possui coloração escura, pH 3-4.
Alterações pulpares: podem ser reversíveis (aplicam-se técnicas de proteção pulpar, capeamentos, pulpotomia) e irreversíveis (carecem de tratamentos de canal radicular). Inflamação pulpar: é uma resposta protetora da polpa devido a agentes patogênicos que ultrapassam condições fisiológicas; é a inflamação ou degeneração.
Classificação por idade:
- Polpa Jovem: alta porcentagem de substância fundamental amorfa (SFA), alta porcentagem de vasos sanguíneos, alta porcentagem de células (fibroblastos/CMI) e baixa porcentagem de fibras colágenas. Tecido conjuntivo mucoide. O terceiro molar costuma possuir este tipo de polpa.
- Polpa Adulta: tecido frouxo, equilíbrio na porcentagem de células, fibras colágenas e vasos sanguíneos.
- Polpa Senil: tecido frouxo tendendo a denso. Baixa porcentagem de vasos sanguíneos, alta porcentagem de fibras colágenas e baixa porcentagem de células.