História da Argentina (1922-1943): Alvear e a Era Radical

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Presidência de Marcelo T. de Alvear (1922-1928)

Nas eleições presidenciais de 1922, Hipólito Yrigoyen permitiu a candidatura de Marcelo T. de Alvear como uma alternativa política, dadas as diferenças que surgiram dentro do seu partido e a possibilidade de o próprio Yrigoyen influenciar o novo governo. No entanto, Alvear foi apoiado por um grupo de conservadores e escolhido como chefe das minorias antipersonalistas.

Vindo de uma das famílias mais ricas e tradicionais do país, Alvear (neto de Carlos de Alvear, Diretor Supremo do Rio da Prata, e filho de Torcuato de Alvear, primeiro prefeito de Buenos Aires) não representava logicamente a imagem do radicalismo de classe média, mas sim a ala direita da UCR (União Cívica Radical). A eleição foi vencida pela fórmula radical Marcelo T. de Alvear e Elpidio González (este último, um yrigoyenista fiel), que conseguiu manter o controle das minorias, embora Alvear permitisse uma poderosa influência "personalista" através do vice-presidente. No entanto, durante o governo de Alvear, houve uma gestão administrativa exemplar e algum bem-estar geral.

As reformas introduzidas por Yrigoyen foram retardadas ou anuladas; contudo, a proteção da classe trabalhadora continuou apesar disso. Na ordem econômica, como consequência direta da nova configuração mundial após a Primeira Guerra Mundial, houve um aumento do investimento dos Estados Unidos no país, em detrimento da influência histórica da Inglaterra.

Politicamente, acentuou-se a divisão do Partido Radical, que em 1924 levou à ruptura aberta e à formação da União Cívica Radical Antipersonalista. Nas eleições para deputados de 1926, Alvear apresentou-se de forma independente, mas não obteve sucesso.

Argentina no Início dos Anos 20

Entre 1921 e o final de 1923, os países industrializados (Europa Ocidental e EUA) experimentaram uma crise de "reconversão" que afetou a economia argentina, resultando em preços mais baixos para a carne e colheitas, além da redução dos volumes de exportação. Mas, a partir de 1924, iniciou-se um período de desenvolvimento significativo que durou até 1929, causado por:

  • Preços elevados dos produtos agrícolas;
  • Grande demanda no mercado mundial.

Em geral, o plano econômico dos governos radicais assemelhava-se ao dos conservadores: exportação de bens primários e importação de manufaturados, exceto sob Yrigoyen, quando essa regra foi alterada pela Grande Guerra. Na década de 20, a Argentina aumentou a área de cultivo de 17.519.635 hectares (1914) para 26.161.652 hectares (1929/30), com destaque para os cereais e a exportação de carnes.

Entre 1924 e 1929, a exportação agrícola atingiu seu esplendor máximo. Nesses cinco anos, a Argentina forneceu 66% das exportações mundiais de milho, 72% de linho, 20% de trigo e mais de 50% da carne. Houve uma mudança notável no comércio: os EUA tornaram-se o principal fornecedor de manufaturados, deslocando o Reino Unido, que permaneceu como o principal comprador de commodities.

Alvear e o Poder Militar

O presidente Alvear manteve uma política de compreensão com os militares. Alguns oficiais amigos do presidente fortaleceram o diálogo entre o poder político e militar. Alvear aumentou o orçamento militar, permitindo a renovação de equipamentos e a produção interna. Em Mar del Plata, instalou-se uma base de submarinos e, em Córdoba, a primeira fábrica argentina de aviões. Graças à estrita adesão à Constituição e à paz social, o exército dedicou-se exclusivamente às suas funções, sem intervir na política.

A Sucessão de Alvear

Ao fim do mandato, a UCR estava definitivamente dividida. A massa do partido permaneceu fiel a Hipólito Yrigoyen, o líder natural. A minoria antipersonalista de Alvear uniu-se ao setor conservador nas eleições de 1928 com a fórmula Leopoldo Melo e Vicente Gallo. Contudo, os "personalistas" propuseram novamente Yrigoyen, que triunfou sobre seus adversários.

Segunda Presidência de Hipólito Yrigoyen (1928-1930)

Em 12 de outubro de 1928, Yrigoyen prestou juramento pela segunda vez. No entanto, as circunstâncias eram difíceis: sua saúde estava abalada pela idade avançada, o partido estava dividido e a crise mundial se aproximava. O presidente tentou manter a estatização do petróleo, mas a crise econômica mundial de 1929 enfraqueceu seu governo. A oposição acusou-o de negligência e de ser isolado por seus secretários, que supostamente lhe entregavam jornais falsos para fazê-lo acreditar em uma prosperidade inexistente.

A Crise Mundial de 1929 e seu Impacto

A crise internacional de 1929 causou a queda da produção mundial e do consumo. Na Argentina, a crise manifestou-se pela retirada de capitais estrangeiros e pela interrupção das compras de produtos agrícolas. O impacto socioeconômico incluiu:

  • Redução no volume e nos preços das exportações;
  • Escassez de recursos e declínio das reservas de ouro;
  • Desemprego rural e migração para as cidades;
  • Instabilidade política e agitação social.

A Revolução de 1930

O descontentamento militar, alimentado por reformas de Yrigoyen que afetaram a organização do exército, criou o clima para um golpe. Duas posições surgiram: uma liderada por Agustín P. Justo e outra pelo General José Félix Uriburu, que prevaleceu. Em 6 de setembro de 1930, uma insurreição civil-militar derrubou Yrigoyen, inaugurando uma era de interrupções constitucionais na Argentina. Uriburu assumiu como Presidente do Governo Provisório.

A Restauração Conservadora (1930-1943)

Uriburu governou até 20 de fevereiro de 1932, transferindo o comando ao General Agustín P. Justo, eleito com Julio A. Roca (filho). Este período foi marcado pela intervenção estatal e pelo fechamento econômico.

Intervenção e Fechamento Econômico

Com a nomeação de Federico Pinedo como Ministro da Fazenda em 1933, colaborando com Raúl Prebisch, a Argentina seguiu um caminho inovador: maior intervenção do Estado e substituição de importações (ISI). Em 1935, criou-se o Banco Central para regular as flutuações monetárias. A indústria começou a crescer, aproveitando o mercado consumidor interno e a escassez de divisas.

A Presença Britânica e o Pacto Roca-Runciman

Pressionada pela crise, a Grã-Bretanha priorizou suas colônias na Conferência de Ottawa (1932), reduzindo as compras de carne argentina. Em 1933, a missão liderada por Julio A. Roca em Londres negociou a manutenção das cotas de exportação, aceitando condições que favoreciam empresas britânicas de ferrovias e transportes urbanos em troca de divisas.

Conflitos Sociais e a Segunda Guerra Mundial

Em 1935, greves lideradas por comunistas, como a dos trabalhadores da construção civil, marcaram o cenário sindical. O governo reagiu com repressão e fraude eleitoral ("fraude patriótica"). Com o início da Segunda Guerra Mundial, as exportações de carne para a Grã-Bretanha aumentaram, enquanto as importações caíram, favorecendo o crescimento industrial interno.

O perfil militar tornou-se mais nacionalista e antiliberal. Em 4 de junho de 1943, o exército depôs o presidente Ramón Castillo, interrompendo pela segunda vez a ordem constitucional e alterando novamente o rumo político da nação.

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