História de Cabo Verde: Da Resistência à Democracia
Cabo Verde: Resistência e Libertação Nacional
1. A Génese da Consciência Nacionalista
Resistência Inicial: Começou com formas intelectuais e de imprensa que contestavam o poder colonial português.
Geração Nativista (Eugénio Tavares): Representa a primeira crise sociopolítica, focada no sentimento de pertença às ilhas e na exigência de igualdade jurídica face aos portugueses da metrópole.
Movimento Claridoso (Anos 30): Fundamental para a afirmação da identidade nacional cabo-verdiana através da literatura e cultura, "fincando os pés na terra" e definindo a especificidade do povo.
2. Repressão e Luta Política
Tarrafal (Chão Bom): Funcionou como colónia penal para opositores do Estado Novo e, mais tarde, como centro de detenção para nacionalistas das colónias africanas.
Amílcar Cabral e o PAIGC: Cabral foi o principal estratega da unidade entre a Guiné e Cabo Verde, fundamentando a luta de libertação nacional tanto política como diplomaticamente.
II. A Luta Anticolonial e o Contexto Internacional
1. Fatores de Descolonização
Contexto Externo: A Declaração Universal dos Direitos do Homem (1948), o papel da ONU e a Conferência de Bandung (1955) foram decisivos para pressionar o fim do colonialismo.
Isolamento de Portugal: A recusa do regime de Salazar em descolonizar levou ao isolamento internacional e ao início das Guerras Coloniais.
2. A Transição para a Independência
O 25 de Abril de 1974: A Revolução dos Cravos em Portugal permitiu o início das ondas diplomáticas para a descolonização.
Processo de Transição: Incluiu os encontros de Dakar e Argel, o Acordo de Lisboa e a formação do Governo de Transição que culminou na Proclamação da Independência a 5 de julho de 1975.
III. Da Libertação à Construção da Democracia
1. A 1.ª República (1975-1990)
Regime de Partido Único: Caracterizado pelo monopólio político do PAIGC/PAICV e por uma economia centralizada e planificada.
Queda do Regime: Motivada por fatores internos (descontentamento social) e externos (pressão internacional e queda dos regimes socialistas).
2. A II República e o Estado de Direito
Abertura Política: Marcada pela declaração de 19 de fevereiro de 1990 e a criação do MpD.
Institucionalização da Democracia: Realização das primeiras eleições livres (1991) e implementação de reformas liberais realizadas por Carlos Veiga.
IV. História, Historiadores e Historiografia
1. Escolas Históricas através dos Tempos
Antiguidade: Passagem do mito ao "inquérito" racional na Grécia (Heródoto e Tucídides).
Idade Média: Historiografia teocêntrica e providencialista (focada na vontade de Deus).
Século XIX: Afirmação da História como ciência através do Positivismo, Romantismo e Materialismo Histórico.
Século XX: Surgimento da Escola dos Annales e da "Nova História", focado na história total, nas massas e nas mentalidades.
2. Metodologia e Ciência Histórica
Heurística: O processo de coleta e crítica das fontes (escritas, orais, visuais).
Tempo Histórico: Compreensão das noções de curta, média e longa duração.
Objetividade: A problemática da neutralidade do historiador e a natureza relativa do conhecimento histórico.
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