História e Evolução das Tendências Pedagógicas
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O Pensamento Pedagógico Renascentista
As grandes navegações possibilitaram grandes descobertas, que impulsionaram o desenvolvimento humano em vários aspectos. A possibilidade de superação foi conduzida por competitividade, individualismo, conquistas e crueldade.
A educação renascentista possibilitou a valorização dos ricos e seus herdeiros (os burgueses), reforçando a ideia de uma hierarquia social em que o elitismo, o aristocratismo e a impunidade eram aceitos e difundidos.
Vittorino da Feltre (1378-1446), Erasmo Desiderio (1467-1536), Juan Luis Vives (1492-1540), Michel de Montaigne (1533-1592) e François Rabelais (c. 1483-1553) foram os principais educadores renascentistas. A partir das ideias desses pensadores, a escola foi repensada. Seu principal momento de mudança iniciou-se com a Reforma Protestante de Martinho Lutero (1483-1546), na qual a escola deveria ser pública e religiosa. Gadotti (2005) afirma: “Era uma escola pública religiosa”.
Em 1527, Lutero escreveu a carta “Aos regedores de todas as cidades da nação alemã”, para que mantivessem escolas religiosas. Idealizava que “a educação pública destinava-se em primeiro lugar às classes superiores burguesas e secundariamente às classes populares, às quais deveriam ser ensinados apenas os elementos imprescindíveis, entre os quais a doutrina cristã reformada” (Gadotti apud Luzuriaga, 1987, p. 106).
Nesta junção de religião com educação, João Calvino (1509-1564) introduziu na Europa ideias de oposição ao proletarialismo de Lutero, iniciando um movimento que ganhou força com a Companhia de Jesus e os colégios jesuíticos.
Inácio de Loyola (1491-1556) foi o fundador da educação jesuítica, que valorizava a tradição e desprezava a educação popular. Seu objetivo era catequizar; tudo era previsto e formatado, não possibilitando autonomia. Em 1599, foi escrito o Ratio atque Institutio Studiorum, que continha os planos, programas e métodos da educação católica.
O Pensamento Pedagógico Moderno
O tempo não para, o homem também! As novas relações estruturadas a partir dos séculos XVI e XVII possibilitaram uma sociedade ansiosa em dominar a si própria e a natureza. Fé e razão passaram a ser discutidos. Surgem, com René Descartes (1596-1650), conceitos como método e metafísica.
O pensamento pedagógico moderno caracteriza-se pelo realismo. O conhecimento precisa ser constituído para viver em sociedade. John Locke (1632-1704) refletia sobre a razão da filosofia para quem trabalha em fábricas. Essa ideia é reforçada por Comênio, que movimenta seus estudos sobre as práticas pedagógicas.
O Pensamento Pedagógico Iluminista
Com a Revolução Francesa no século XVIII, surge uma nova safra de pensadores. Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) resgata temas sobre a desigualdade social, a identidade e a relação entre política e educação. Ele considera o desenvolvimento da criança como fase inicial e potenciadora das características humanas.
Rousseau foi o precursor da Escola Nova. O Iluminismo procurava libertar o povo da repressão. O lema da Revolução Francesa instigava uma nova postura: “Liberté, Égalité, Fraternité” (Liberdade, Igualdade, Fraternidade). Seus principais colaboradores foram Pestalozzi, Herbart e Froebel.
O Pensamento Pedagógico Positivista
Com a decadência do Iluminismo, surge o positivismo de Auguste Comte (1798-1857) e o marxismo de Karl Marx (1818-1883).
Para Comte, só a ciência possibilita real conhecimento. Essa concepção ganhou forma com o desenvolvimento da Sociologia da Educação. No Brasil, suas ideias foram absorvidas pela Velha República e pelo militarismo. O tecnicismo e o ensino doutrinário caracterizavam este pensamento.
- Principais colaboradores: Émile Durkheim (1858-1917) e Herbert Spencer (1820-1903).
- Curiosidade: Nossa bandeira tem a influência do lema positivista: “O amor por princípio, a ordem como meio e o progresso como fim”.
O Pensamento Socialista
Segundo Gadotti (2005, p. 119): “O pensamento pedagógico socialista formou-se no seio do movimento popular pela democratização do ensino. A esse movimento se associaram alguns intelectuais comprometidos com essa causa popular e com a transformação social.”
A pedagogia socialista reclamava uma escola pública de qualidade, opondo-se à pirâmide social. Antônio Gramsci (1891-1937) acreditava que a escola tem a função de analisar a sociedade e formar indivíduos críticos.
O Pensamento Pedagógico Escola Nova
A teoria da Escola Nova propunha que a educação transformasse o homem para transformar a sociedade. Seu principal idealizador foi Adolphe Ferrière, que defendia a atividade pessoal, livre e criativa. Ele criticava a escola tradicional por seus modelos prontos.
Principais colaboradores: John Dewey, Ovide Decroly, Maria Montessori, Édouard Claparède e Jean Piaget construíram uma pedagogia que valoriza a experiência e a autonomia. No Brasil, Paulo Freire, Paulo Freire resgata conceitos de educação libertadora.
O Pensamento Pedagógico Brasileiro
A educação no Brasil inicia com os jesuítas. O ensino era alheio à realidade, oferecendo educação elementar para índios e brancos (mulheres excluídas) e média para a classe dominante, consolidando uma educação elitista. No Império, destacam-se a criação das primeiras escolas normais (Niterói, Bahia, Ceará, São Paulo) e o Colégio Pedro II.
Com a República, a organização escolar aproxima-se dos dias atuais. Em 1890, ocorreu a Reforma Benjamin Constant (laicidade e ciências). Na Nova República, surgiu o “Manifesto dos Pioneiros da Escola Nova” (1931), a criação do MEC (1930) e a primeira universidade (1934). Em 1961, foi promulgada a primeira LDB (Lei 4.024).
No período pós-1964, destacam-se a Reforma Universitária (1968) e a Lei 5.692/71. O pensamento pedagógico brasileiro estruturou-se com a ABE (1924). Paulo Freire, Anísio Teixeira, Darcy Ribeiro, Lourenço Filho e Florestan Fernandes foram fundamentais para a formação de educadores reflexivos.
Caro aluno, chegamos ao final de nossa unidade. Espero que você tenha percebido o quanto os pensamentos pedagógicos contribuíram para o fazer pedagógico.
As Tendências Pedagógicas da Prática Escolar
Podemos dividir as tendências em dois grupos: Cunho Liberal e Cunho Progressista.
- Cunho Liberal: Pedagogia Tradicional, Pedagogia Renovada e Tecnicismo Educacional.
- Cunho Progressista: Pedagogia Libertadora e Pedagogia Crítico-Social dos Conteúdos.
Pedagogia Tradicional
A Didática é normativa, focada em regras. O professor expõe a matéria e o aluno é um receptor passivo que deve decorar o conteúdo. A aprendizagem é automática e não exige atividade mental crítica.
Pedagogia Renovada
Surgiu no final do século XIX como contraposição à tradicional. A Didática foca na direção da aprendizagem, tornando o aluno sujeito ativo. O professor estimula o interesse através de pesquisas, projetos e trabalhos em grupo.
Tecnicismo Educacional
Nos anos 60, baseou-se no behaviorismo. A Didática tornou-se instrumental e racionalizada. O professor é um executor de planejamento e o aluno um executor de tarefas preestabelecidas.
Pedagogia Libertadora
Não possui uma proposta explícita, mas uma didática implícita focada na discussão e no trabalho em grupo. O objetivo é analisar problemas sociais e promover a liberdade de expressão.
Pedagogia Crítico-Social dos Conteúdos
Destaca o ensino como mediação entre objetivos e conteúdos. Visa a autonomia cognitiva e a consciência crítica, formando um agente ativo na transformação da sociedade.