História da Fitopatologia: Evolução e Grandes Epidemias

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História da Fitopatologia

  • As doenças de plantas são observadas desde a Antiguidade.
  • Com a transferência das plantas do ambiente natural para o cultivo, as perdas por doenças tornaram-se expressivas.
  • Na Bíblia, há relatos de epidemias de ferrugens e carvões em cereais e doenças em videiras, interpretadas como castigos.
  • Na Idade Média (século XII), os árabes na Espanha já conheciam fatos sobre doenças.
  • Do século XV ao XIX, nos países da Europa, o Claviceps purpurea causava a formação de escleródios nos grãos; sua ingestão levava à necrose, loucura, aborto e morte.
  • Invenção do microscópio por Antonie van Leeuwenhoek (1673).
  • Em 1845, ocorreu a requeima da batata na Irlanda. Em 1861, o alemão Anton De Bary, considerado o pai da Fitopatologia, provou que o Phytophthora infestans era o agente causal da requeima, estruturando a Fitopatologia como ciência.

História da Fitopatologia no Brasil

  • O estudo da fitopatologia no Brasil é recente, datando do século XIX.
  • As maiores contribuições vieram de cientistas estrangeiros.
  • Entre 1860 e 1880, Draenert relatou a gomose (Xanthomonas axonopodis pv. vasculorum), o primeiro relato de doença em plantas causada por bactéria.
  • O cientista que iniciou a estruturação da Fitopatologia no Brasil foi o alemão Fritz Noach (1896 a 1898), que trabalhou na Seção de Fitopatologia do Instituto Agronômico de Campinas (IAC).

Períodos da Fitopatologia

Período Místico

  • Da remota Antiguidade até o início do século XIX.
  • Ausência de explicação racional para as doenças, vistas como castigos divinos ao homem.
  • Relatos bíblicos de epidemias de ferrugens, carvões em cereais e doenças em videiras.
  • Botânicos começam a associar plantas e fungos.
  • Tillet (1714-1791) atribuiu a um fungo a doença chamada cárie do trigo.
  • Giovanni Targioni Tozzetti (1767) defendia a ideia de que ferrugens e carvões eram causados por fungos que cresciam sob a epiderme das plantas.
  • Crença na Geração Espontânea.

Período da Predisposição

  • Início do século XIX.
  • Catalogação de fungos em associação com plantas doentes.
  • Trabalho do suíço Prévost, publicado na França em 1807, apresentando o fungo Tilletia caries como responsável pela cárie do trigo.
  • Descrição de parasitas importantes como as Uredinales (ferrugens), Ustilaginales (carvões) e Erysiphales (oídios).

Período Etiológico

  • Em 1845, a requeima da batata na Irlanda e, em 1861, a prova de Anton De Bary sobre o Phytophthora infestans.
  • Relatos de Draenert (1860-1880) sobre a gomose bacteriana.
  • Destruição da teoria da geração espontânea por Pasteur em 1860.
  • Estabelecimento dos Postulados de Koch (1874).
  • Descrição de doenças como oídios, míldios, ferrugens e carvões.
  • Apresentação da calda bordalesa por Millardet em 1882.

Período Ecológico

  • Sorauer (1894) apresentou doenças de causas parasitárias e não parasitárias, reconhecendo a importância dos fatores ecológicos.
  • Reconhecimento da importância vital do meio ambiente na manifestação da doença, agindo sobre a planta e o patógeno.
  • Estudos minuciosos sobre fatores climáticos, edáficos, nutricionais e sazonais.
  • Estudo do ciclo de vida do patógeno.
  • Surgimento de fungicidas mercuriais orgânicos (1913), tiocarbamatos (1934) e fungicidas sistêmicos (década de 1960).

Período Atual

  • Iniciado na década de 1940 e consolidado nos anos 50.
  • Estudos focados na interação entre planta e patógeno.
  • Desenvolvimento de conceitos e teorias em epidemiologia.
  • Pesquisas sobre toxinas, enzimas e metabólitos na bioquímica da Fitopatologia.
  • Período Biotecnológico: Bergamin Filho e Kimati (1995).
  • Segundo Mannion (1995), as três principais aplicações da biotecnologia na agricultura são: melhoramento de plantas, aumento da disponibilidade de nutrientes e controle de pragas e doenças.

Epidemias Famosas

  • Ergotismo: Ingestão de centeio com escleródios de Claviceps purpurea. Na Idade Média, milhares morreram na Europa. A doença era chamada de "Fogo Santo", "Febre Alta" ou "Fogo de Santo Antônio".
  • Fome da Batata na Irlanda (1840): A batata era a base alimentar. Em 1845, a epidemia de requeima (Phytophthora infestans) alastrou-se pela Europa após registros iniciais nos EUA.
  • Ferrugem do Cafeeiro: Em meados do século XIX, atingiu 200.000 ha de café no Ceilão (Sri Lanka). Em 1870, a Hemileia vastatrix devastou a produção. No Brasil, a ferrugem do cafeeiro foi registrada em 1970.

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