A História da Industrialização no Brasil
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A origem da industrialização começou na metade do século XIX, período onde se destacaram grandes empreendedores como o Barão de Mauá e Delmiro Gouveia. A partir da Primeira Guerra Mundial, o país passou por um desenvolvimento industrial. As atividades terciárias de serviços, comércio, energia, transporte e sistema bancário tinham índices de crescimento econômico superiores às atividades agrícolas. Em 1919, as fábricas de tecido, alimentos e roupas eram responsáveis por 70% da produção; depois da Segunda Guerra Mundial, esse índice caiu para 50% por causa do aumento de participação de outros produtos, como aço, máquinas e material elétrico. A industrialização brasileira ainda contava com indústrias de bens de consumo não duráveis.
Crise do café e industrialização: Após a Segunda Guerra Mundial, a industrialização brasileira teve um impulso com a crise econômica mundial e a quebra da Bolsa de Valores de Nova York; isso alterou a produção de café. Assim, as atividades industriais começaram a apresentar um índice de crescimento maior que o da agricultura. Isso reduziu bastante a importação de café, resultando na perda de importância do produto agrícola e da atividade cafeeira. O café permitiu a acumulação de capitais que serviram para implantar a infraestrutura necessária ao impulso da atividade industrial. Os barões do café, que moravam no centro urbano para cuidar da comercialização da produção nos bancos e investir na bolsa de valores, eram donos de enorme quantidade de capital aplicado no sistema financeiro. Com o colapso econômico mundial, diminuiu a entrada de produtos estrangeiros que poderiam competir com os nacionais.
O governo Vargas e a política de substituição de importações: A industrialização no país caracterizou-se por uma estratégia governamental de implantação de indústrias estatais nos setores de bens de produção e de infraestrutura: siderúrgica, petroquímica, bens de capital, extração mineral e produção de energia hidrelétrica. Para esses setores, precisava-se de um investimento inicial muito alto. O Estado buscou impulsionar e diversificar os investimentos no parque industrial do país, combatendo os principais obstáculos ao crescimento econômico e fornecendo os bens de produção e os serviços que as indústrias privadas necessitavam em suas indústrias; o Estado cobrava por tudo preços mais baixos que aqueles que seriam cobrados normalmente. Essa medida fortalecia muito o parque industrial brasileiro; era uma política fortemente nacionalista. A substituição de importações é utilizada desde que a primeira fábrica foi instalada no país, substituindo a importação de determinados produtos. Com Vargas, que iniciou a adoção de medidas, ela ficou como uma política industrial voltada para a produção interna de mercadorias que até então eram importadas. A principal medida era a desvalorização da moeda nacional frente ao dólar, o que tornava o produto importado mais caro. Vargas assumiu o poder durante a recessão mundial; com a crise econômica, foi o presidente empossado. Vargas promulgou uma Constituição que incluiu a regulamentação das relações de trabalho.
O governo Dutra e o Plano SALTE: Com a afinidade de Vargas com o nazifascismo, que foi derrotado na Segunda Guerra, as posições liberais fortaleceram-se e conseguiram depor o presidente. Vargas retomou o poder posteriormente, desta vez eleito pelo povo. Com sua saída inicial, assumiu outro presidente que instituiu o Plano SALTE, destinado a investimentos nos setores de:
- Saúde;
- Alimentação;
- Transporte;
- Energia;
- Educação.
Durante a Segunda Guerra, o país exportou muitos produtos agrícolas para países europeus. O governo Dutra focou na importação de máquinas e equipamentos. Houve forte mudança na política econômica com a abertura à importação de bens de consumo. Os empresários nacionais defendiam a reserva de mercado, pedindo que o governo aumentasse o preço ou proibisse a entrada de produtos no país.
O retorno de Vargas e da política nacionalista: Ao retornar à presidência eleito pelo povo, retomou seu projeto nacionalista de investir em setores que deram suporte e aumentaram o crescimento econômico: sistema de transporte, comunicação, produção de energia elétrica e petróleo. No confronto entre os getulistas e os liberais (que preferiam promover a abertura da economia aos produtos e capitais estrangeiros), seu projeto foi derrotado. Os liberais falavam que, em uma economia fechada, a modernização e expansão do parque industrial ficavam dependentes do resultado da exportação de produtos primários.
Juscelino Kubitschek e o Plano de Metas: Durante seu governo, houve um grande crescimento econômico em consequência da implantação do chamado Plano de Metas. Era um amplo programa de desenvolvimento que previa investimentos estatais em setores econômicos como agricultura, saúde e educação. Assim, o Brasil tornou-se um país com muitos investimentos estrangeiros. A capital foi transferida para Brasília. Na execução desse plano, 73% dos investimentos dirigiam-se aos setores de energia e transportes. No governo JK, consolidou-se o tripé da produção industrial nacional: bens de consumo duráveis, bens de produção e bens de capital.
O governo João Goulart e a tentativa de reforma: Foi um político ligado ao trabalhismo. A posse de Jango ocorreu após a instauração do parlamentarismo, que reduziu os poderes do chefe do Executivo; isso foi a solução para resolver a crise institucional que abalava os setores militares.
O período militar: Após um golpe de Estado que tirou João Goulart do poder, iniciou-se no país o regime militar. O Brasil possuía o 43º PIB do mundo capitalista e uma dívida externa de 3,7 bilhões de dólares. O período entre 1968 e 1973 ficou conhecido como o Milagre Econômico; a economia brasileira desenvolveu-se em um ritmo acelerado. Esse ritmo foi sustentado por grandes investimentos governamentais que promoveram grande expansão em serviços prestados por empresas estatais, como energia e comunicações. Outro aspecto no crescimento econômico foi o dos investimentos externos. O fim do período militar ocorreu depois de várias manifestações populares a favor das eleições diretas para presidente.