História dos Mercados Financeiros: Títulos e Bolhas

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Dinâmica dos Títulos no Mercado Secundário

Títulos caem no mercado secundário de R$ 100,00 (seu valor de face) para R$ 50,00. Ao adquirir este título, o investidor recebe como juros 5% sobre o valor de face; na prática, desembolsou apenas R$ 50 por tal papel e receberá um rendimento anual de 10%. O mesmo vale para flutuações positivas no valor do título no mercado secundário (ROSA, 2015; TESOURO NACIONAL, 2017).

Origens do Mercado Secundário: Florença e Pisa

As cidades-estado de Florença e Pisa, durante o século XIV, estiveram em guerras intermitentes, nas quais suas finanças públicas ofereceram consideráveis desafios aos seus gestores. Esses governos gastavam muito mais do que conseguiam arrecadar com impostos. A máquina impressora ainda não existia e a moeda era cunhada a partir de metais preciosos. No primeiro momento, os dois governos tiveram acesso ao crédito no então nascente sistema bancário. Mas, na medida em que o volume de empréstimos aumentou, as linhas de crédito ficaram saturadas. Para ter acesso a mais crédito, Florença e Pisa transformaram seus próprios cidadãos em investidores ao imporem empréstimos compulsórios. A inovação foi o surgimento de mercados secundários.

O Impacto da Inflação e a Inadimplência

O maior vilão dos detentores de títulos públicos é a inflação. De nada adianta o rendimento anual se a inflação corrói o poder de compra da moeda, anulando esses ganhos. Ao discorrer sobre a hiperinflação alemã e o processo inflacionário na Argentina, o professor chega à conclusão que o mercado de títulos alemão apresenta duas vulnerabilidades: a inadimplência direta e indireta. Há inúmeros registros históricos de inadimplência, como, por exemplo, a Argentina, que deixou de pagar suas dívidas em 1982, 1989, 2002 e 2004. Esta inadimplência, o “calote”, acontece quando a inflação é de tal monta que anula os juros dos títulos públicos, quando não o próprio valor de face.

Fraudes Contábeis e Bolhas Financeiras

No terceiro episódio, Inflando Bolhas, são abordados os tópicos de fraude contábil e bolhas financeiras, onde é mostrada a história de mais de três séculos da bolsa de valores, através da história das companhias de capital aberto e suas ações, comercializadas e cotadas diariamente.

O Caso Enron

A Enron, em 2001, uma grande corporação multinacional do setor energético, responsável pelo gasoduto Bolívia-Brasil, entre muitos outros empreendimentos, viu o valor de suas ações despencarem de US$ 90 na metade de 2000 para menos de US$ 1 nos últimos anos de 2001. A companhia faliu e o dinheiro dos acionistas desapareceu. A fraude contábil corporativa causou o choque e fez com que as ações da Enron subissem ao topo para, em pouquíssimo tempo, mergulharem para a falência.

Para Ferguson (2013), uma bolha sempre tem uma causa, sempre é produzida por algo. Não acontece do nada. As fraudes contábeis, no caso da Enron, levaram os investidores a sobrevalorizarem a empresa e, quando a mentira não pôde mais ser sustentada, a verdade revelou-se em um escândalo, dizimando a riqueza de seus acionistas. Porém, a Enron não foi a primeira nem a última companhia a ver suas ações sofrerem volatilidade extrema e consequente desaparecimento.

O Surgimento do Mercado Acionário

O episódio começa nos Países Baixos das grandes navegações. O comércio marítimo requeria capitais grandiosos: a construção de navios mercantes, escoltas, longas viagens e riscos enormes de guerras e naufrágios impossibilitavam que um ou poucos capitalistas pudessem, com seus próprios recursos, empreender essa grande aventura. Os lucros também eram vultuosos; com apenas uma viagem pagava-se o custo da construção de uma embarcação inteira. Através dessa necessidade de recursos surgiu a empresa de capital aberto: uma empresa cuja posse era compartilhada por várias pessoas anônimas e que pudesse ser comercializada livremente. Nascia o mercado acionário. A propriedade da companhia era repartida em uma grande quantidade de ações cujo valor unitário era determinado pelo mercado acionário nas condições de oferta e demanda.

  • 1487: Primeira bolsa de valores da história em Bruges (Bélgica).
  • 1602: Primeira ação comercializada (Companhia Holandesa das Índias Orientais) na Bolsa de Amsterdã.

John Law e a Companhia do Mississipi

Mas as bolhas de mercados acionários não surgiram nos Países Baixos. John Law, um foragido do Reino Unido, foi à França propor uma maneira de o governo francês aliviar o ônus de sua dívida pública. Law transformou os credores do governo francês em acionistas de uma empresa monopolista criada por ele em nome da monarquia francesa. Aproveitando as colônias daquele país, a Companhia do Mississipi era dona exclusiva do direito de executar o comércio entre o reino de Luís XV e sua colônia na América do Norte. Nova Orleans foi fundada para ser o porto na foz do rio Mississipi.

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