História da Música: Estilos, Compositores e Evolução

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Symphonie FantastiqueHector Berlioz (França), período romântico, 1830. É uma sinfonia programática para orquestra em 5 andamentos: Rêveries-Passions, Un bal, Scène aux champs, Marche au supplice e Songe d'une nuit de sabbat. Retrata um jovem músico com um amor não correspondido, envenenamento por ópio e um sonho em que sensações e emoções se transformam em ideias musicais; a amada é representada por uma melodia, a Idée Fixe.

Rhapsody in BlueGeorge Gershwin, 1924. Combina elementos de música erudita e jazz, escrita para piano e orquestra, com ritmos sincopados, escalas de blues e passagens improvisadas.

Nacionalismo – Movimento do século XIX onde os compositores procuram expressar a identidade nacional através da música, com a utilização de canções folk, ritmos tradicionais, lendas, mitos e elementos culturais. Exemplos: Antonín Dvořák (República Checa), Edvard Grieg (Noruega) e Jean Sibelius (Finlândia).

Serialismo Integral – Pós-2ª Guerra Mundial. Método de composição que funciona como uma extensão do sistema de organização dodecafónico de Schoenberg. Foca-se noutros parâmetros para além do tom, passando a ser serializado o ritmo, a dinâmica e o timbre. São composições organizadas, complexas e com maior grau de controlo. Olivier Messiaen escreveu "Mode de valeurs et d'intensités", a primeira peça do serialismo.

Impressionismo – Finais do século XIX e início do século XX. Foca-se na atmosfera e emoção, com a utilização de acordes com extensões, dissonâncias e escalas modais. Possui ritmo livre e flexível, escalas de tons inteiros ou pentatónicas, com maior foco no timbre e na cor. Compositores: Claude Debussy e Maurice Ravel.

Musique Concrète – Meados do século XX. Música experimental com sons gravados, montagem e manipulação de sons. Caracteriza-se pelo afastamento de instrumentos tradicionais e foco em sons diversos, sendo precursora da música eletrónica e pop.

Cursos de Darmstadt – 1946, Alemanha, fundados por Wolfgang Steinecke. Visavam a reconstrução da vida cultural pós-guerra, exposição aos valores e cultura americanos, seminários, workshops, trocas de ideias e novas técnicas. Focados na experimentação musical, música contemporânea e avant-garde. Primeira peça de destaque: Olivier Messiaen, "Mode de valeurs et d'intensités".

Quarteto para o Fim dos TemposOlivier Messiaen. Obra em 8 movimentos para clarinete, violino, piano e violoncelo. Escrito durante a guerra enquanto prisioneiro alemão, inspirado no Livro do Apocalipse. Explora temáticas como o tempo, a eternidade e a transcendência na música de câmara.


Estilo da Sensibilidade (Empfindsamer Stil) – Movimento de meados do século XVIII, reação ao formalismo e complexidade barrocos. Prioriza a melodia, formas simples como a ária ou o minueto, a expressão das emoções e a complexidade da experiência humana. Contribuiu para a popularização da música para teclado.

La MerClaude Debussy. Obra do impressionismo que evoca sensações e emoções inspiradas pelo mar. Possui estética impressionista com ênfase na cor, atmosfera e sugestões, ao invés de uma estrutura narrativa. Dividida em 3 movimentos, com motivos e temas recorrentes que se desenvolvem ao longo da peça.

Richard Wagner – Alemanha, século XIX. Conhecido pelas suas óperas, como O Anel do Nibelungo (ciclo de quatro óperas que formam uma história épica de deuses, heróis e mitologia germânica) e Tristão e Isolda.

Claude Debussy – Francês, séculos XIX e XX. Compositor romântico e impressionista, introduziu inovações harmónicas como escalas modais, harmonias com extensões, escalas de tons inteiros e pentatónicas para criar ambiguidade. Escreveu música para piano e orquestral.

Mozart – Século XVIII, Áustria. Período da música clássica. Criador de melodias fortes e expressivas, mestre das óperas (As Bodas de Fígaro, A Flauta Mágica, Don Giovanni), sinfonias, concertos e música de câmara.

A Flauta Mágica – Ópera em 2 atos que contém várias árias, ensembles, duetos e trios que demonstram o virtuosismo do compositor. É um Singspiel, forma operática alemã que incorpora diálogo falado com diálogo cantado.

Ludwig van Beethoven – Séculos XVIII e XIX, Alemanha. Marcou a transição do Classicismo para o Romantismo. Utilizou uma linguagem harmónica inovadora, com novas progressões, modulações e cromatismos. A sua obra possui profundidade, intensidade, drama e paixão. Revolucionou a sinfonia e a sonata, expandindo a sua complexidade.

Franz Joseph Haydn – Século XVIII, Áustria. Teve um papel fundamental no desenvolvimento do Classicismo. Compôs mais de 100 sinfonias, tornando a forma num dos centros da música clássica. Considerado o "Pai do Quarteto de Cordas", destacou-se pela escrita de contraponto, desenvolvimento temático e equilíbrio de instrumentos. Foi inovador e foi além das normas e convenções.

Segunda Escola de Viena – Início do século XX. Caracteriza-se pela atonalidade e rejeição da tonalidade tradicional, centros tonais e convenções harmónicas. Exploração de novas possibilidades harmónicas, melódicas e estruturais, utilizando dissonâncias e cromatismos para criar uma música com efeitos expressivos.


Inclui a invenção do serialismo dodecafónico e a associação ao movimento expressionista, focando na experiência emocional e psicológica, alienação, angústia e condição humana. Produziu obras emocionalmente profundas e complexas, cruciais para o desenvolvimento da música modernista. Arnold Schoenberg foi a figura central e inventor do dodecafonismo, acompanhado por Anton Webern e Alban Berg.

Dodecafonismo – As notas são sujeitas a uma relação ordenada e não hierárquica. Utiliza grupos de doze notas denominados séries, que podem ser utilizadas de quatro maneiras: série original, série retrógrada (original de trás para a frente), série invertida (original com intervalos invertidos) e série retrógrada invertida (retrógrada com intervalos invertidos).

Música Clássica vs. Barroco:

  • Textura: O Clássico utiliza textura homofónica (melodia dominante suportada por harmonia), permitindo clareza e transparência, contrastando com a textura contrapontística densa do Barroco.
  • Dinâmicas: O Clássico utiliza mais dinâmicas, nuances e alterações de volume.
  • Melodia: Dá mais ênfase à melodia e ao desenvolvimento motívico com frases claras e memoráveis.
  • Formas Clássicas: Sonata (exposição, desenvolvimento e reexposição), Rondó (tema principal/refrão que alterna com episódios), Temas e Variações, e Minueto e Trio (dança em compasso ternário).
  • Razões de mudança: O Iluminismo (século XVIII) promoveu a racionalidade, individualismo e humanismo, influenciando a criação de música mais acessível. Mudanças políticas (Revolução Francesa) trouxeram maior liberdade de expressão. A ascensão da classe média criou um novo público, retirando a exclusividade das elites. Fim do sistema de patronato e surgimento de concertos públicos.


Clássico vs. Romântico:

  • Contexto: Revolução Industrial, mudanças sociais e urbanização levaram os compositores a procurar refúgio na natureza, nostalgia e emoção individual.
  • Nacionalismo: Celebração da identidade nacional através de música folk, mitos e tradições para criar um estilo nacional distinto.
  • Estética: Reação ao racionalismo e objetividade clássica; o Romantismo é subjetivo, emocional, imaginativo e pessoal.
  • Harmonia: Maior liberdade harmónica, uso de cromatismos, dissonâncias e harmonias não convencionais.
  • Estrutura: Abandono das estruturas formais clássicas em favor da música programática e do poema sinfónico (peça orquestral de um movimento que narra uma ideia ou cena).
  • Formas: Expansão da Abertura (ou Ouverture), caracterizada por poder expressivo e intensidade dramática. Destaque para o Lieder (voz e piano), concerto, sinfonia, ópera, ballet, trio de piano e quartetos de cordas.
  • Compositores Românticos: Franz Schubert (Áustria), Johannes Brahms (Alemanha), Frédéric Chopin (Polónia), Robert Schumann (Alemanha), Franz Liszt (Hungria), Richard Wagner (Alemanha), Pyotr Ilyich Tchaikovsky (Rússia) e Giuseppe Verdi (Itália).

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