História e Teorias do Feminismo: Uma Análise Abrangente
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Origens do questionamento sobre o género
Durante séculos, as formas de dominação masculina tornaram difícil o questionamento sobre o género, tendo as mulheres sido excluídas do debate público. Ainda hoje, prevalece consideravelmente o argumento biológico.
A difusão social sobre a problemática do género foi possível devido às mobilizações feministas que enfatizaram o caráter não natural dos papéis sexuais.
Cronologia e marcos históricos
- Christine de Pisan (1364-1430): Defesa do sexo feminino e aspiração à igualdade entre os sexos.
- Revolução Francesa: Afirma-se a expressão organizada pela igualdade. Embora o conceito de "feminismo" não existisse, as mulheres exprimiam a vontade coletiva de pertencer à nova sociedade política, reivindicando o direito de voto e participação na Guarda Nacional.
- Século XIX: A aspiração constitui-se como movimento social.
- 1880: As associações feministas afirmam-se como reivindicação.
- 1881: Hubertine Auclert atribui ao termo "feminismo" o seu sentido moderno e lidera a 1ª manifestação de rua feminista.
- 1900: Distinção entre feminismo socialista e burguês; conquista do divórcio e sufrágio.
- 1920-1950: Feminismo reformista/liberal.
Feminismo reformista/liberal
Aglomera as feministas do período entre guerras. Estas não reivindicavam novos direitos apenas como mulheres, mas como mães, insistindo na vontade de desempenhar melhor o seu papel doméstico e familiar. Respeitavam normas e tradições, o que limitou avanços significativos na sua condição.
Após a II Guerra Mundial, este feminismo insistiu em questões cívicas, políticas e profissionais, com a diferença de que as mulheres não regressavam ao lar, mas sim ao mercado de trabalho.
Feminismo radical dos anos 60
Inspirado pela obra O Segundo Sexo, de Simone de Beauvoir, que rompe com o discurso materialista:
- "Não nascemos mulheres, tornamo-nos mulheres".
- Nenhum destino biológico define a figura da mulher; a civilização elabora o "feminino".
- Exige a tomada de consciência coletiva para mudar os papéis sexuais.
- 1968: Põe em causa o moralismo e a hierarquização social.
Novo feminismo dos anos 70
Denuncia as discriminações e o patriarcado como o maior inimigo das mulheres. O projeto de libertação operava um duplo combate:
- Esfera doméstica: A família nuclear é vista como limitadora.
- Esfera pública: "O pessoal é político".
Teorias feministas contemporâneas
O objetivo é descrever e explicar as experiências humanas do ponto de vista das mulheres, sendo uma teoria crítica ativista.
Teorias da diferença de género
- Feminismo cultural: Valoriza virtudes como cooperação e cuidado.
- Teorias fenomenológicas: Analisam a marginalização da mulher como "o outro".
- Teorias explicativas: Localizam as causas da diferença na biologia, socialização e interação social (ex: Alice Rossi).
Teorias da desigualdade de género
Defendem que a desigualdade parte da organização social e não de diferenças biológicas. O feminismo liberal é a sua principal expressão, focando-se na reforma de instituições como o direito, trabalho e educação para garantir direitos universais.
Teorias da opressão de género
- Feminismo psicanalítico: Recorre a Freud para explicar o patriarcado como um sistema de sujeição, explorando o medo da morte e a formação da personalidade infantil.
- Feminismo radical: Vê o patriarcado como a estrutura de opressão mais poderosa. Propõe a reconstrução da consciência feminina e a irmandade.
- Feminismo socialista: Critica as opressões inter-relacionadas do patriarcado e do capitalismo.
- Teoria da interseccionalidade: Reconhece que as mulheres experimentam graus distintos de opressão baseados em classe, raça e género.
Alterização: Ato de definir um grupo subordinado para estabelecer que o membro desse grupo não é aceitável segundo critérios dominantes.