Hobbes, Utilitarismo e a Ética: Uma Análise Crítica
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1. Hobbes e a Ausência de Moral no Estado de Natureza
Não existiria contradição, pois Hobbes argumentaria que os conceitos de certo e errado surgem apenas após a criação do contrato social. No estado de natureza, como não há a necessidade de se respeitar um conjunto de regras — até porque elas ainda não existem —, cabe ao homem agir somente de acordo com seus interesses egoístas, visando preservar a própria vida. Sendo assim, interesses conflitantes não podem ser, no estado de natureza, classificados como certos ou errados, apenas como egoístas.
2. A Justiça sob a Ótica do Soberano
No ambiente de "guerra de todos contra todos" encontrado no estado de natureza, nada pode ser injusto, pois os conceitos de bem e mal, justo e injusto, não têm lugar. Onde não há poder comum, não há lei; e, sem lei, não há injustiça. Só é justo aquilo que é elaborado sob o comando do soberano, após a realização do contrato social e da formação da sociedade. Dessa forma, toda lei é, para Hobbes, justa e boa, pois foi criada pelo soberano.
3. Desafios da Teoria Utilitarista
Segundo a teoria utilitarista, as ações devem sempre objetivar a maior felicidade. No entanto, na grande maioria das situações, os homens devem atentar apenas para sua felicidade pessoal, exceto em raras ocasiões em que o bem maior deve ser levado em conta, como no caso de um benfeitor público. Isso representa um problema para o utilitarismo, na medida em que não há como prever com certeza as consequências de nossas ações — se levarão a um benefício geral ou individual. Dessa forma, ao obrigar apenas aqueles que têm influência a buscar a maximização do bem geral, o trecho parece contradizer a premissa utilitarista de que sempre se deve buscar a maximização do bem-estar coletivo.
4. Bernard Williams e a Crítica ao Utilitarismo
Os utilitaristas não conseguiriam responder a Bernard Williams, pois, segundo os preceitos utilitaristas, deve-se buscar a maior felicidade para o maior número de pessoas. Contudo, Williams afirma que o utilitarismo é uma teoria que, frequentemente, torna as pessoas "piores". Se todos agirem com a preocupação de evitar o mal maior, pode-se admitir ações que compactuem com o "menor mal", o que acaba diminuindo a exigência moral na sociedade.
Por exemplo: suponhamos que a morte de um inocente possa elevar o nível de felicidade de um número maior de pessoas. Para um utilitarista, seria correto sacrificar o indivíduo em prol da maioria. Porém, sob a ótica da justiça e da moral, nunca é correto matar uma pessoa inocente. Desse modo, segundo Williams, independentemente da veracidade da teoria utilitarista, é preferível que as pessoas não pautem suas vidas por ela.