Hobsbawm e as Fases da Revolução Industrial

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Hobsbawm: A Primeira Fase da Revolução Industrial

Hobsbawm - Revolução Industrial (1ª Fase): Caracterizada por pouca tecnologia (pelo uso científico) e muito empirismo. A forma principal de expandir a produção industrial era pelo chamado sistema doméstico (putting-out), em que o mercador comprava os produtos ao artesão ou à mão de obra não agrícola e em regime parcial de campesinato, para depois os vender num mercado geral. O simples crescimento de um comércio de tal tipo criou as condições rudimentares para um capitalismo industrial principiante.

  • Grande desenvolvimento do comércio marítimo, intimamente ligado à exploração colonial.
  • Por volta de 1780, todos os governos continentais com quaisquer pretensões a uma política racional promoviam o crescimento econômico e, especialmente, o desenvolvimento industrial, embora nem sempre com o mesmo êxito.
  • As ciências dedicavam-se à solução dos problemas da produção: os avanços mais impressionantes da década de 1780 verificaram-se no campo da química, que era por tradição a ciência mais estreitamente ligada à prática de oficina e às necessidades da indústria.

O primeiro fator, e talvez o mais crucial, que tinha de ser desenvolvido era a mão de obra, porquanto uma economia industrial implica um acentuado declínio proporcional da produção agrícola (isto é, rural) e um acentuado aumento da população não agrícola (isto é, cada vez mais urbana) e, quase certamente, um rápido aumento geral da população. A segunda metade do século assistiu ao início do espetacular e ininterrupto crescimento populacional característico do mundo moderno. Isto implica, portanto, para começar, um aumento notório no abastecimento de alimentos, sobretudo a partir da agricultura interna — ou seja, uma revolução agrícola.

O crescimento agrícola deu-se por maneiras simples: racionalização da pecuária, da rotação de colheitas, dos adubos, do planejamento das propriedades, ou a adoção de novos produtos e pela extensão das áreas de cultivo. Foi encontrada a solução revolucionária britânica para o problema agrário. A agricultura destinava-se já predominantemente ao mercado; as manufaturas há muito que estavam espalhadas por um campo que deixava de ser o feudal.

A agricultura estava preparada para desempenhar as suas três funções principais numa era de industrialização:

  1. Aumentar a produção e a produtividade, de forma a alimentar uma população não agrícola crescente;
  2. Fornecer um excedente cada vez maior de pessoas para as cidades e para as indústrias;
  3. Oferecer um mecanismo para a acumulação de capital a utilizar nos setores mais modernos da economia.

Já havia uma estrutura desenvolvida para progredir: excelente construção naval, as facilidades portuárias e a melhoria das estradas e dos canais. A política estava já orientada para o lucro.

Em termos de produtividade econômica, esta transformação social constituiu um autêntico êxito. Em termos de sofrimento humano, foi uma tragédia, agravada pela depressão agrícola ocorrida depois de 1815, que reduziu a população rural pobre a um estatuto de verdadeira miséria. Esta crise é vista como a mola que conduziu uma grande parte da população a abandonar o seu tradicional modo de vida para se transformar em mão de obra para a indústria. Se assim não fosse, o desenvolvimento industrial britânico poderia ter sido obstruído.

As consequências mais graves foram de ordem social: a transição para a nova economia criou miséria e descontentamento, ou seja, os ingredientes para a revolução social. E, na verdade, a revolução social eclodiu sob a forma de sublevações espontâneas dos explorados urbanos e da indústria. No Movimento Cartista na Grã-Bretanha, os trabalhadores reagiram ao novo sistema destruindo as máquinas, que eles consideravam responsáveis pelas suas preocupações. Porém, um grupo surpreendentemente vasto de negociantes e agricultores locais estava profundamente solidário com estas atividades dos seus trabalhadores, porquanto também eles se sentiam vítimas de uma diabólica minoria de inovadores egoístas. Foi esta situação que os uniu nos movimentos de massas do radicalismo, da democracia ou do republicanismo, dos quais se destacaram entre 1815 e 1848.

A resposta foi uma disciplina de trabalho rígida, mas acima de tudo uma prática de pagar à força de trabalho tão parcos salários que ela tivesse de trabalhar sistematicamente durante toda a semana para obter um rendimento mínimo (mulheres e crianças recebiam salários ainda menores). O governo criou leis para quem não trabalhava, como a Lei dos Pobres (Workhouses).

Segunda Fase da Revolução Industrial

Segunda Fase: Caracterizada pela alta acumulação de capital e busca de investimentos lucrativos. A estrutura desenvolvida para estudos possibilita a inovação e a criação de tecnologias:

  1. Aperfeiçoamento na produção do aço, que superou o uso do ferro;
  2. Aperfeiçoamento do dínamo (gerador que transforma a energia mecânica em energia elétrica);
  3. Utilização de novas fontes de energia, como o petróleo e a eletricidade;
  4. Invenção do motor de combustão interna;
  5. Emprego dos metais leves, como o alumínio e o magnésio;
  6. Nova evolução nos transportes, com a introdução das locomotivas e dos navios a óleo, invenção do automóvel, do avião, do telégrafo sem fio, do rádio e da televisão;
  7. Introdução de máquinas automáticas, permitindo a produção em série e provocando um grande aumento na produção.
  • Lei do Trigo: Decisão política que beneficiava a minoria proprietária de terra.
  • Criação da Bolsa de Valores: Possibilita investir em empresas de capital aberto (Sociedades Anônimas), com lucros independentes.

Surgimento do Capitalismo nos EUA

Nos EUA, o capitalismo nasce oligopolista e as companhias de Sociedades Anônimas estrangeiras (EUA/Alemanha) desbancam os pequenos industriais ingleses.

  • Desenvolvimento dos bens de consumo;
  • Protecionismo;
  • Grandes Sociedades Anônimas;
  • Monopolistas;
  • Bens de Capital (que em breve superariam os ingleses).

Oliveira: O Financiamento das Industrializações Atrasadas

O que possibilitou esse financiamento? O Estado, políticas e apoio ao crédito, subsídios de juros, importação de capital, Sociedades Anônimas e o militarismo.

O Começo do Declínio

Mudanças da 1ª para a 2ª fase da Revolução Industrial: os avanços científicos supõem um maior volume de acumulação de capital.

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