O Homem como Ser Histórico e a Teoria das Gerações

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O homem como um ser histórico

1. A dimensão histórica da razão e do homem

A vida humana é um "vir a ser", a realização permanente de um projeto que se constrói na história da evolução. A vida humana não é algo acabado ou imutável; ela é história. O homem vive em um determinado momento, em uma época histórica. Esse tempo deve ser abordado não apenas pela razão, mas pela própria vida, pois o tempo não é apenas o que os relógios medem, mas o trabalho, a experiência e a inovação.

"O homem não tem natureza, mas história." Justamente por não possuir uma natureza pré-determinada e imutável — como ocorre com animais e plantas —, mas sendo herdeiro da história, plástico e capaz de ser si mesmo, o homem deve ser concebido como o resultado de uma relação entre o passado e o futuro. O que o homem faz de si mesmo e seus planos futuros dependem do passado herdado. Para Ortega, a memória do passado é uma potencialidade que surgiu da necessidade de enfrentar o futuro, pois este não vem resolvido para os seres humanos como ocorre com os animais. Assim, é a capacidade de ter um futuro que torna necessário o recurso ao passado. A memória permite encontrar as coordenadas para se orientar. Contudo, não basta recordar; é preciso viver o passado como um ponto de referência.

É esta convicção da necessidade imperiosa de viver o passado para quem quer ser um homem de hoje e de amanhã que leva Ortega a reivindicar o recurso constante à tradição. Um modelo admirável de disciplina com consciência histórica é a História da Filosofia, que nos faz viver com toda a série de filósofos que nos antecederam, "como um filósofo que viveu 2.500 anos e poderia ter continuado a pensar por eles". O apelo à tradição é a única forma razoável de enfrentar o futuro com esperança de sucesso. Se podemos continuar fazendo ciência, arte ou filosofia, é porque temos raízes no passado, que nos alimentam para que possamos gerar novos frutos.



2. Teoria das Gerações

A vida, enquanto temporalidade e história, permite a coexistência de várias gerações. Geração significa um modo de vida (crenças, ideias, problemas) que dura um certo tempo (15 anos, segundo Ortega). Coexistem, portanto, várias gerações: crianças, jovens, adultos e idosos. Devemos distinguir entre:

  • Contemporâneos: que vivem no mesmo tempo.
  • Colegas: que têm a mesma idade.

Dessa diferença nasce a possibilidade de inovação. Cada geração possui duas dimensões:

  1. Receber a tradição e a experiência das gerações anteriores.
  2. Deixar fluir sua espontaneidade para inovar e criar novos projetos.

Quando essas dimensões não correspondem, ocorre a rebelião e a inovação. Cada geração tem sua própria missão histórica. Ela é composta por dois grupos:

  • a) Elite: homens que desenvolvem projetos e cuja missão é conduzir as massas.
  • b) Massa: aqueles que, por natureza, precisam ser conduzidos, influenciados e organizados.

Em seu tempo, Ortega acreditava que havia uma grande confusão entre quem manda e quem obedece, gerando "a revolta das massas", que se recusam a seguir a elite, causando a "invertebración" da Espanha. Daí a preocupação intelectual com o "problema da Espanha". Ortega afirmava: "A Espanha é o problema, a solução é a Europa." A Europa representa a ciência, enquanto a Espanha, em sua visão, sofria de um deserto intelectual. O problema, portanto, é pedagógico: é necessária mais cultura, uma cultura enraizada na vida que promova a moralização da sociedade.

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