Homeostasia do Cálcio, Isquemia e Mecanismos de Necrose
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Perda da Homeostasia do Cálcio
O influxo maciço de cálcio ativa enzimas celulares:
- Fosfolipases: digestão de membranas – PONTO DE MORTE CELULAR;
- Proteases: degradação de proteínas celulares e do citoesqueleto celular;
- ATPases: aceleram a depleção de ATP;
- Endonucleases: degradação da cromatina.
Os lisossomos tumefeitos e com permeabilidade aumentada perdem suas enzimas – hidrolases ácidas – para o citoplasma, sendo ativadas pelo pH ácido: ocorre a digestão dos componentes celulares. RNAses, DNAses, Proteases, Fosfatases, Glicosidases, Perda da Homeostasia.
A degradação do citoesqueleto pelas proteases causa a ruptura da célula. Figuras de mielina: restos amorfos de membrana plasmática. Lesão direta no DNA. Perda da capacidade de ativar a apoptose.
A Lesão de Isquemia/Reperfusão
Reperfusão: volta do suprimento sanguíneo após uma isquemia.
Área afetada pela isquemia (“ÁREA DE RISCO”):
- Possui células lesadas irreversivelmente – sofrerão necrose;
- Possui células lesadas reversivelmente – retornarão à homeostasia;
- Possui células lesadas reversivelmente – irão progredir para a lesão irreversível → morte → necrose.
Isso ocorre pois, durante a reperfusão, são gerados estímulos lesivos. A reperfusão:
- Não afeta o prognóstico caso já tenha ocorrido lesão irreversível;
- Permite a restauração de células que sofreram lesão reversível;
- Gera novos estímulos lesivos, levando as células que sofreram lesão reversível à morte.
Novos Estímulos Lesivos
Radicais livres: A reoxigenação gera muitos radicais livres na área de risco. Enzimas oxidativas presentes na membrana plasmática, no citoplasma e nas mitocôndrias reduzem de forma incompleta o O2 que chega durante a reperfusão – desta forma, dão origem a radicais livres derivados de oxigênio.
Radicais livres são moléculas altamente reativas e tóxicas que lesionam estruturas celulares: membranas, proteínas e DNA. As células em homeostase produzem substâncias antioxidantes que inibem a ação de radicais livres.
As células lesadas estão com seus mecanismos antioxidantes de defesa comprometidos; com isso, a ação devastadora dos radicais livres é favorecida. As células lesadas reversivelmente podem caminhar para a lesão irreversível e morte, ampliando a necrose tecidual.
Processo inflamatório: A lesão tecidual estimula a resposta inflamatória local com o objetivo de retirar os restos necróticos e restaurar o tecido. A resposta inflamatória traz células de defesa: neutrófilos e macrófagos que podem ampliar a lesão tecidual pela geração de radicais livres e pela liberação de enzimas lisossomais.
Influxo maciço de Ca++: A reperfusão traz Ca++ para o tecido reperfundido. As membranas altamente permeáveis das células lesadas reversivelmente permitem o influxo maciço de Ca++ com consequências desastrosas – ativação de enzimas citosólicas e destruição celular.
Tratamento durante a Reperfusão Tecidual
- Administração de antioxidantes: inativam os radicais livres. Ex.: Vitamina C e E;
- Administração de inibidores dos canais de Ca++: impedem o influxo maciço de Ca++;
- Controle da inflamação: drogas anti-inflamatórias;
- Administração de fibrinolíticos: impedem a formação de trombos nos vasos ou na cavidade cardíaca em regiões de infarto. Ex.: t-PA, estreptoquinase.
Morte Celular - Necrose
Morte Celular: é a perda irreversível das atividades integradas da célula com consequente incapacidade de manutenção dos seus mecanismos de homeostasia.
Através de:
- Danos diretos na membrana plasmática e/ou estruturas celulares;
- Estresse oxidativo provocando danos irreversíveis na célula;
- Perda da homeostasia do Ca++.
NECROSE: é a sequência de alterações bioquímicas, funcionais e morfológicas que ocorrem após a morte celular – lesão irreversível.
Morte sem posterior necrose: tecidos fixados para estudos morfológicos (formaldeído ou glutaraldeído) – interrompem bruscamente o funcionamento dos mecanismos enzimáticos, impedindo a necrose celular.
APOPTOSE: morte celular programada (“suicídio”).
Mecanismos de Necrose
Ação degenerativa progressiva de enzimas sobre a célula lesada. Digestão enzimática da célula:
- Autólise: quando as enzimas degradativas são provenientes de lisossomos das próprias células lesadas;
- Heterólise: quando as enzimas degradativas são extracelulares, provenientes de lisossomos de macrófagos e neutrófilos que migram para o local de morte celular.
Alterações da Necrose
Macroscopia: áreas pálidas de coloração e consistência variável. Pode ocorrer calcificação pela deposição de apatita de cálcio.
Microscopicamente (Óptica): áreas de necrose coradas por H&E:
- Eosinofilia aumentada: coloração rósea aumentada devido à perda de RNA e à desnaturação proteica;
- Aspecto mais homogêneo: com áreas vacuoladas e amorfas devido à ação de enzimas de degradação.
A necrose culmina com o desaparecimento total do núcleo, sendo esse fato resultante da morte da célula. O fenômeno é precedido de alterações nucleares graves denominadas picnose, cariorrexe, cariólise ou cromatose.
Alteração da Necrose (Eletrônica):
- Descontinuidade das membranas celulares;
- Mitocôndrias marcadamente inchadas;
- Densidades amorfas;
- Figuras de mielina: restos de membranas plasmáticas;
- Debris: restos celulares.
Tipos de Necrose:
- Necrose de coagulação;
- Necrose de liquefação;
- Necrose caseosa;
- Necrose gordurosa;
- Necrose gangrenosa.