Humanidade e Animalidade: A Perspectiva de Tim Ingold
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Humanidade e Animalidade – Tim Ingold
O autor divide seu trabalho em três partes.
Na primeira, ele vai tratar sobre a esfera da biologia, analisando a definição de homem como espécie animal, como reconhecer o que é ou não um ser humano; então, ele dará um exemplo de um tenente da marinha sueca chamado Nicolas Köping, que avistou homens que possuíam caudas em uma ilha e, ao longo deste exemplo, ele irá se perguntar o que define ou não o que é um ser humano. Será a sua aparência, seu porte físico, sua cor, deficiências ou partes a mais em um corpo? Pois estes homens sabiam a arte da navegação, estavam acostumados ao comércio e faziam uso do ferro; entretanto, eles eram diferentes dos homens habituais, pois possuíam caudas. Logo, nesta concepção, ele nos dirá que não devemos nos deixar levar pelas concepções estreitas e eurocêntricas do tipo de coisa que é um ser humano, pois o gênero humano não é fixo e imutável; ao contrário, ele é variável tanto em termos históricos quanto geográficos, sendo esta variabilidade o traço distintivo da espécie animal, pois os seres humanos não possuem a mesma aparência, tamanho, formato ou cor em todos os lugares. A biologia relata que o indivíduo possui um alto grau de variabilidade, sendo a singularidade do indivíduo que vai o distinguir dos organismos vivos e dos inanimados, porque todo o cristal é uma réplica e todo o organismo vivo é uma inovação; logo, os seres humanos podem vir a ser os ancestrais de um futuro descendente.
Na segunda abordagem, ele trata da visão filosófica do que é ou não o ser humano. Esta perspectiva traz um significado alternativo de ser humano, oposta à abordagem de animal. Aqui, se tratará que a existência humana advém da riqueza e diversidade cultural, que é comparada com a diversidade da natureza em si. A palavra humanidade passa a ter uma conotação de estado ou condição humana do ser, oposta à condição de animalidade. A animalidade aqui consiste na noção de qualidade de vida no estado de natureza, onde o homem primitivo era conduzido pelas suas paixões brutas, livres de constrangimentos morais e da regulação dos costumes, pois os primeiros humanos são movidos pelos instintos, vivendo, então, em um estado de animalidade. O autor faz uma comparação entre os orangotangos adultos e os bebês humanos, pois em cada orangotango vê-se uma criança pequena; a criança ilustra o desenvolvimento da espécie, ela é um selvagem porque não tem nenhuma firmeza de propósitos, logo cada indivíduo é um resumo da raça e a criança ilustra seu desenvolvimento enquanto espécie. Nesta abordagem, se irá apontar para que a condição como essência do ser humano se revela como a diversidade cultural, ou seja, para se tornar humano é preciso se tornar diferente dos demais seres humanos que falam idiomas ou dialetos diferentes; logo, a animalidade humana se revela na ausência dessa diferenciação, ou seja, na sua uniformidade. Então, para o ser humano existir é preciso, primeiro, existir como espécie, não conferindo qualidade à pessoa, onde o conceito de humanidade reside numa categoria biológica; segundo, existir como ser humano, ou seja, existir como pessoa, o que aponta para uma condição moral.
E na terceira abordagem, o autor faz um misto destas duas abordagens. Ele nos reafirma as ideias da biologia, onde a espécie humana é tão singular quanto as demais espécies, onde cada indivíduo representa uma combinação particular. O que nos diferencia dos outros animais é nossa capacidade de raciocinar, nossa linguagem, consciência moral, costumes, códigos… sendo que o homem é um animal que erra e se constrange com as opiniões alheias, que fica inquieto com as questões da verdade ou da mentira. E que vemos uma criança em cada chimpanzé maduro e, por isso, o tratamos como se fosse um caso de desenvolvimento interrompido. A fronteira entre a espécie humana e as demais espécies animais não é paralela; ela cruza as fronteiras entre animalidade e humanidade como estado de ser. Nossa visão do que é uma pessoa, do que é um ser humano, é muito dependente da visão de mundo ocidental.