Grandes Humanistas do Renascimento: Brocense e Arias Montano

Classificado em Espanhol

Escrito em em com um tamanho de 2,83 KB

O Brocense

Nascido em 1523 em Brozas (Cáceres), Francisco Sánchez de las Brozas, conhecido como O Brocense, destacou-se desde cedo pela sua inteligência. Estudou latim e humanidades em Évora e Lisboa, prosseguindo depois os seus estudos em Artes e Teologia na Universidade de Salamanca, embora tenha abandonado a teologia para se dedicar à sua verdadeira paixão: as ciências humanas.

Tornou-se professor de Retórica e Gramática Grega, enfrentando, como muitos contemporâneos, a perseguição da Inquisição. Foi indiciado duas vezes devido à sua defesa de explicações racionais e científicas, sendo absolvido na primeira e tendo o segundo processo interrompido pela sua morte.

O Projeto e a Obra Minerva

O Brocense caracterizou-se pela universalidade do conhecimento, dominando disciplinas como teologia, música, poesia e arqueologia, embora a sua especialidade fosse a filologia clássica. A sua obra mais importante, Minerva, revolucionou o ensino da gramática latina ao:

  • Substituir métodos arcaicos por um sistema racional e fácil de ensinar;
  • Buscar padrões linguísticos universais;
  • Transcender a gramática latina para estabelecer as bases de uma gramática geral.

Embora não tenha sido adotada como manual escolar em Espanha, a obra tornou-se um marco na história da linguística, influenciando doutrinas gramaticais até aos dias de hoje.

Arias Montano

Nascido em Fregenal de la Sierra (Badajoz), Arias Montano foi um prodígio intelectual. Aos 14 anos escreveu o seu primeiro trabalho sobre numismática e, aos 15, já possuía vastos conhecimentos de física e astronomia. Estudou Artes e Física em Sevilha, ingressou na Ordem de Santiago e destacou-se no Concílio de Trento.

Foi nomeado capelão de Filipe II, que lhe confiou a edição da Bíblia Poliglota em Antuérpia e, posteriormente, a organização da Real Biblioteca de El Escorial.

Universalidade e a Bíblia Poliglota

Arias Montano personificou o ideal renascentista, dominando áreas como medicina, cirurgia, ciências naturais e matemática. Contudo, a sua maior especialidade foi o estudo bíblico e o domínio de línguas como grego, latim, hebraico, caldeu, árabe e alemão.

A Bíblia Poliglota é a sua obra-prima, composta por oito volumes:

  • Volumes I-IV: Antigo Testamento;
  • Volume V: Novo Testamento;
  • Volumes VI-VIII: Dicionário grego, gramática e estudos filológicos, geográficos e sobre costumes da época.

O seu método, baseado na razão e no rigor filológico, entrou em conflito com setores reacionários da Igreja, exigindo que Montano defendesse pessoalmente o seu trabalho em Roma perante a autoridade papal.

Entradas relacionadas: