Hume e a Crítica ao Princípio da Causalidade
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11) Crítica de Hume às Provas da Verdade do Princípio da Causalidade
Primeiro argumento: Diz-se que tudo tem que ter uma causa porque, se algo desprovido de uma causa pudesse ocorrer, isso significaria que não teria existido antes, o que é considerado impossível.
Crítica: Dizer que algo passa a existir sem causa não quer dizer que é por causa de si mesmo, mas, ao contrário, excluem-se todas as causas, inclusive a própria coisa que vem à existência. O raciocínio utilizado é errado porque assume o que expressamente nega: que sempre deve haver um processo anterior.
Segundo argumento: É dito que tudo o que é produzido sem qualquer motivo não é causado por alguma coisa ou, em outras palavras, é devido ao nada. Mas o nada não pode causar coisa alguma.
Crítica: Se tudo tem que ter uma causa, daí resulta que, após a exclusão de causas, temos de aceitar o item em si ou o nada como causas. Mas o ponto central da questão é se tudo tem ou não que ter uma causa e, portanto, não deve ser tomado como ponto de partida que tudo deve ter uma causa.
Terceiro argumento: Alguns dizem que todo efeito tem uma causa, porque isso está envolvido na própria ideia de efeito.
Crítica: Isto não implica que todo ser deva ser precedido por uma causa. Do fato de que cada marido deve ter uma mulher, não podemos inferir que todo homem deve se casar.
13) Por que o Princípio da Causalidade não é um Conhecimento de Relação de Ideias?
Este conhecimento não é uma verdade alcançada pela razão intuitiva ou demonstrativa. É verdade que a razão pode alcançar ideias, mas, intuitivamente, causa e efeito são ideias distintas e separáveis. Não é verdade que a razão possa alcançá-lo através de demonstração, porque o contrário não implica qualquer contradição lógica ou absurdo.
12) Por que não podemos aceitar a probabilidade das relações causais?
A relação causal não é um conhecimento adquirido pela mente ao relacionar ideias, mas um conhecimento dos fatos e é totalmente dependente da experiência. Portanto, não podemos sustentar que é provavelmente verdade que há relações causais. Ou acreditamos que esta declaração necessita de pleno conhecimento (e a experiência não pode fornecer verdades necessárias), ou consideramos um conhecimento obtido a partir de uma série de experiências que devem fundar, por sua vez, uma convicção prévia da provável existência de relações causais.
(Para que possamos obter conhecimento a partir da experiência, somos obrigados a confiar que o princípio da causalidade é provavelmente verdadeiro. Essa confiança seria obtida a partir de uma experiência anterior, que se basearia em uma confiança prévia na probabilidade da causalidade ou da uniformidade das leis naturais, e assim por diante).
14) Críticas a Hume sobre a Probabilidade das Relações de Causalidade
- 1. Não podemos provar que algo é provavelmente verdadeiro para um cético; se não se sabe o que é verdadeiro, não podemos determinar se estamos mais ou menos perto da verdade.
- 2. A experiência não pode fornecer qualquer probabilidade estatística real: o número de casos observados, dividido pelo número infinito de casos não observados, produz uma probabilidade que tende a zero.
- 3. Se começarmos com a certeza de que o futuro será, provavelmente, como o presente e o passado, isso seria uma certeza absoluta. Certezas absolutas não são proporcionadas pela experiência, devendo ser a priori. Ou essa segurança é baseada na experiência anterior, como Hume afirma, mas essa experiência terá como base uma certeza anterior, gerando um regresso infinito.