Hume e o Empirismo Britânico na Filosofia Moderna
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Hume, assim como Kant, é inserido no contexto da Idade Moderna, embora pertença ao século XVIII, especificamente ao Iluminismo. A filosofia de Hume representa uma das correntes fundamentais dos tempos modernos, conhecida como empirismo britânico, uma tendência que se opõe ao racionalismo. Embora possuam pontos de vista divergentes, ambas as correntes compartilham elementos comuns, como o subjetivismo.
O Legado de Descartes e a Ruptura com a Tradição
Descartes, como racionalista, promoveu uma mudança radical em relação às tendências da época. Anteriormente, a fé era considerada o principal instrumento de conhecimento, enquanto a ciência e a tecnologia permaneciam em segundo plano. Os textos de Platão e Aristóteles eram tratados como dogmas, e a filosofia limitava-se à sua reformulação. Descartes foi o primeiro a questionar o cristianismo, sendo considerado o fundador da filosofia moderna ao romper com os pressupostos religiosos e estabelecer um sistema metafísico baseado na razão.
O Empirismo de Locke e Hume
Locke introduziu o empirismo, afirmando que o fundamento último da filosofia não era a razão, mas a experiência. O empirismo, enquanto método de conhecimento, já havia aparecido na história da filosofia, como em Aristóteles. Contudo, ao falarmos de empirismo na Idade Moderna, referimo-nos especificamente à vertente inglesa, representada por Locke e Hume. Esta tendência opõe-se ao racionalismo filosófico ao:
- Utilizar os sentidos como instrumento de conhecimento;
- Negar a existência de ideias inatas, visto que todo conhecimento é adquirido via sensorial.
Limites da Razão e a Crítica à Metafísica
O empirismo afirma que o conhecimento humano é limitado pela experiência sensorial. Diferente do racionalismo, propõe um novo conceito de razão, agora dependente e limitada pela experiência. Para os empiristas, a razão deve ser prática e não especulativa, voltando-se para a moral, a ética e a política, em vez da metafísica, que não se baseia na experiência.
A Crítica de Hume à Existência de Deus
Hume discorda dos filósofos precedentes quanto à existência de Deus. Enquanto racionalistas e outros empiristas tentavam justificar Deus como a causa de nossas ideias, Hume argumenta que essa relação não é válida, pois não temos uma percepção direta da divindade. Segundo ele, não podemos estabelecer um "nexo causal" entre uma ideia e algo do qual não temos uma impressão sensorial. Portanto, para Hume, as relações causais só são válidas entre ideias e impressões, o que o leva a negar a existência de Deus.
Conclusão: A Síntese Kantiana
Posteriormente, Kant desenvolve uma teoria que atua como uma síntese entre o racionalismo e o empirismo, ao considerar que ambos os movimentos filosóficos possuem validade na explicação da realidade.