Hume vs. Descartes: Crítica ao Racionalismo e Empirismo
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A Crítica de Hume ao Racionalismo Cartesiano
A filosofia de David Hume (Empirista) estabelece um forte contraste com a de René Descartes (Racionalista), pois Hume realiza uma crítica rigorosa aos principais pressupostos do Racionalismo.
1. Crítica ao Método
Hume critica o método racionalista. Existem dois tipos de métodos de raciocínio:
- Indutivo: Parte de casos específicos para desenvolver uma lei geral.
- Dedutivo: Parte de uma declaração geral para obter conclusões sobre casos individuais.
1.1. Crítica ao Método Dedutivo e Ideias Inatas
Hume critica os racionalistas que baseiam o conhecimento em princípios que derivam de ideias inatas. Hume, como todos os empiristas, rejeita a existência de ideias inatas e, consequentemente, o método dedutivo como fonte primária de conhecimento.
1.2. Crítica ao Método Indutivo
O problema do método indutivo reside no fato de que não há nada que nos permita passar de casos particulares para uma declaração geral com certeza absoluta. Nunca temos a garantia de que não haverá um contraexemplo que invalide a regra geral.
2. Crítica aos Princípios Metafísicos
2.1. Crítica à Causalidade
Hume critica o princípio da causalidade (a ideia de que tudo o que começa a existir tem uma causa). Segundo ele, o que vemos como causa e efeito é simplesmente o produto do entendimento, baseado no hábito. Não se pode observar a causa e o efeito, mas sim a sua conjunção constante. Da mesma forma, não se pode provar a ideia de necessidade.
2.2. Crítica à Ideia de Substância
Hume afirma que a ideia de substância é também um produto da compreensão e critica o uso que Descartes faz dessa ideia.
2.3. Crítica às Qualidades (Primárias e Secundárias)
Descartes distingue entre qualidades secundárias (cor, textura, etc.), que são percepções subjetivas da nossa mente, e qualidades primárias (extensão, forma). Hume argumenta que, se as qualidades secundárias são subjetivas, as qualidades primárias também o são, uma vez que a nossa percepção das primárias depende das secundárias.
2.4. Crítica à Prova da Existência de Deus
Hume nega a possibilidade de provar a existência de Deus, pois qualquer demonstração nesse sentido seria do tipo causal, e a causalidade é, para Hume, apenas uma crença baseada no hábito.
2.5. Crítica ao Cogito Cartesiano (Substância Pensante)
Hume critica a substância pensante cartesiana, que pressupõe que por trás do processo de dúvida existe uma consciência permanente. Para Hume, temos apenas a percepção da consciência (um feixe de percepções), mas não podemos provar a existência de uma substância imutável subjacente a essas percepções.
3. Conclusão sobre a Metafísica
Hume critica a ideia da metafísica tradicional. Se entendermos a metafísica como o conhecimento que tenta explicar a essência das coisas para chegar à realidade última, surgem dois problemas:
- O conhecimento metafísico não se baseia em impressões de sensação e, portanto, não pode ter o valor das impressões de reflexão.
- É impossível conhecer a realidade de forma absoluta.
No final, Hume conclui que é impossível fundamentar o conhecimento de forma absoluta (ceticismo mitigado).
Conceitos Cartesianos Fundamentais
Dúvida
Segundo Descartes, a dúvida é algo que impede a clareza e a evidência, levando à confusão. A incerteza causada pela dúvida exige que não se decida sobre a verdade ou falsidade de uma declaração até que haja provas suficientes para comprová-la.
Descartes utiliza a dúvida metódica para alcançar a certeza. Para isso, ele duvida de tudo o que é possível duvidar, até encontrar algo que seja absolutamente indubitável, alcançando assim a certeza (o cogito).
Verdade
Descartes entende a verdade como certeza. Essa certeza é obtida através da verificação de que um juízo é:
- Claro: É mostrado sem dificuldade.
- Distinto: Não pode ser confundido com outros juízos.
Para chegar à certeza ou verdade, Descartes utiliza o modelo da matemática, partindo da dedução de elementos simples para a elaboração de elementos mais complexos.