A I República e a Nova Ordem Mundial do Pós-Guerra
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A Instabilidade e a Queda da I República Portuguesa
O regresso ao funcionamento democrático das instituições fez-se em março de 1919. Mas a "República Velha" não logrou a conciliação desejada. A divisão dos republicanos agravou-se com o aparecimento de novos partidos políticos. Os antigos políticos, agastados e incompreendidos, retiraram-se da cena política. Aos novos líderes faltaram capacidade e carisma para imporem os seus projetos. As maiorias parlamentares jamais se verificaram. De 1919 a 1926 houve 26 governos, cuja duração média foi de 3 a 6 meses.
À instabilidade governativa, somavam-se atos de violência despropositada que manchavam o regime e nos envergonhavam além-fronteiras, onde se falava das "revoluções à portuguesa". Das fraquezas da República se aproveitou a oposição para se reorganizar.
A Igreja, indisposta e revoltada com o anticlericalismo e o ateísmo republicano, cerrou fileiras em torno do Centro Católico Português, fundado em 1915. As aparições de Fátima, em 1917, exacerbaram o fervor religioso e tiveram um papel determinante no declínio do anticlericalismo. Os grandes proprietários e capitalistas, ameaçados pelo aumento de impostos e pelo surto grevista e terrorista, exploraram o tema da ameaça bolchevista. Criaram, em 1922, a Confederação Patronal, transformada em União dos Interesses Económicos.
Cansadas das arruaças do bolchevismo, as classes médias apoiavam um governo forte que restaurasse a ordem e a tranquilidade e lhes trouxesse de volta o desafogo económico. Os ideais antidemocráticos e antiparlamentares colhiam adeptos na Europa e Portugal (sem sólidas raízes democráticas e a braços com a crise socioeconómica) tornou-se presa fácil das soluções autoritárias.
Com exceção dos políticos do Partido Democrático e dos sindicalistas, poucos se mostraram dispostos a defender a República em 1925-26. Assim se compreende a facilidade com que a 1ª República portuguesa caiu, a 28 de maio de 1926, às mãos de um golpe militar.
Exercício de ligação sobre o pós-2ª Guerra Mundial
- 2 perguntas de escolha múltipla sobre a ONU
- Principais resoluções da Conferência de Ialta
No início da 2ª Guerra Mundial, já se sentia a alteração de forças nas relações internacionais. Antigas potências como a Alemanha e o Japão saíam da Grande Guerra vencidas e humilhadas; já o Reino Unido e a França, embora vitoriosas, estavam empobrecidas e dependentes da ajuda externa. Em torno da ruína do pós-guerra, duas potências cresciam: a URSS e os EUA.
Com o fim da 2ª Guerra à vista, os Aliados começam a delinear estratégias para o período de paz que se aproxima. Entre 4 e 11 de fevereiro de 1945, Roosevelt, Estaline e Churchill reúnem-se nas termas de Ialta com o objetivo de estabelecerem as regras que devem sustentar a nova ordem internacional do pós-guerra. Apesar das divergências entre os três estadistas, o clima foi propício e permitiu o acordo em algumas questões:
- Definiu-se a fronteira entre a Polónia e a União Soviética;
- Estabeleceu-se a divisão provisória da Alemanha em 4 áreas de ocupação, geridas pelas 3 potências conferencistas e pela França, sob coordenação de um Conselho Aliado;
- Definiu-se a reunião da conferência preparatória da Organização das Nações Unidas (ONU);
- Estipulou-se o supervisionamento dos "três grandes" na futura constituição dos governos dos países de Leste (ocupados pelo Eixo), com base no respeito pela vontade política das populações;
- Estabeleceu-se a quantia de 20 000 milhões de dólares, proposta por Estaline, como base das reparações da guerra a pagar pela Alemanha.
Além das decisões que, na Conferência, expressa e publicamente se tomaram, parece possível que, tacitamente, se tenha também estabelecido um acordo quanto às zonas de influência dos regimes comunista e capitalista. Embora sem qualquer documento formal conhecido, o certo é que esta hipotética partilha da Europa foi respeitada, mesmo nos mais difíceis anos da Guerra Fria.
Em finais de julho, reuniu-se em Potsdam, junto de Berlim, uma nova conferência com o fim de consolidar os alicerces da paz. Na Conferência de Potsdam vivia-se um clima tenso — desconfianças face ao regime comunista de Estaline e às suas pretensões expansionistas na Europa. A Conferência encerrou sem alcançar uma solução definitiva para os países vencidos, limitando-se a ratificar e a pormenorizar os aspetos já acordados em Ialta.