Idealização da Infância vs. Controle Parental

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Comentário Crítico: Antonio Orejudo – Crianças e Booby

1. Natureza e Função do Texto

O texto do comentário é jornalístico, pertencente ao subgênero artigo de opinião, pois o autor expressa seus pontos de vista sobre o assunto, apresentando uma tese e argumentos para defendê-la. O texto, que descreve a idealização da infância, é um documento informativo, utilizando uma linguagem acessível a fim de alcançar mais leitores.

A função referencial é predominante, devido à sua natureza jornalística. Contudo, é possível encontrar outras funções, como a apelativa, pois o autor pretende convencer o leitor de sua posição, conferindo ao texto certa subjetividade. Antonio Orejudo é o remetente, e o receptor é o leitor da imprensa.

2. Tema e Tese Central

O tema é a idealização da infância e o excesso de liberdade concedido aos menores. Antonio Orejudo expressa sua posição com uma clara recusa a essa idealização, defendendo que os pais deveriam ter o direito de controlar seus filhos, se estes forem menores de idade, visando à sua segurança e educação.

2.1. O Contraste Histórico e Social

A insatisfação de alguns pais e a pressão social fizeram com que o defensor das crianças tivesse de apagar seu perfil no Tuenti, após sugerir que os pais deveriam monitorar seus filhos. Essa idealização das crianças é muito recente e contrasta com a infância anterior, um período em que não era dada grande importância às crianças. Se alguém morresse, nada acontecia; havia mais.

O fato de essa idealização ter surgido deve-se a estudos sobre a importância do desenvolvimento da criança durante a infância para a maturidade posterior. Isso levou à supervalorização dos filhos, chegando ao ponto de lhes dar demasiada autonomia e eliminar o poder dos pais de educar devidamente. Em resposta, alguns pais renunciam ao mandato educativo por falta de interesse ou por respeitarem excessivamente a liberdade e a privacidade dos filhos.

3. Estrutura e Coesão Argumentativa

O texto, para garantir a coesão, é estruturado de uma maneira específica. Começa com alguns parágrafos que expõem diretamente uma série de argumentos, servindo o primeiro argumento como introdução. Termina com um parágrafo que desenvolve a tese como conclusão óbvia, o que impacta ainda mais o leitor e torna mais clara a posição de Antonio Orejudo. Essa estrutura é comum em textos expositivo-argumentativos.

3.1. Relevância do Assunto

O assunto tem grande importância hoje, pois é uma questão que afeta a sociedade contemporânea, devido à crescente relevância atribuída ao período da infância pelos estudos feitos sobre o desenvolvimento crucial que se produz nessa fase.

3.2. Tipos de Argumentos Utilizados

O autor, a fim de consolidar sua posição, utiliza uma série de argumentos:

  • Argumento por Exemplo: O defensor de Madrid, há algumas semanas, disse que havia criado um perfil falso no Tuenti para espionar seus filhos e encorajou os pais a fazerem o mesmo.
  • Argumento de Senso Comum: “Até recentemente, as crianças não existiam. Havia crianças, é claro, mas ninguém lhes dava muita importância humana...”
  • Argumento Baseado em Dados ou Estudos: “A idealização da infância é uma abordagem muito recente, o desenvolvimento econômico das nossas sociedades e a literatura psicanalítica...”

3.3. Recursos Linguísticos

Para manter a coerência e consistência ao longo do texto, Antonio Orejudo usa palavras de campos semânticos relacionados à família (crianças, filhos, pais). O texto apresenta natureza denotativa e utiliza linguagem simples para alcançar o maior número de leitores. Encontramos muitos substantivos concretos (crianças, pais) e alguns abstratos (liberdade, privacidade). O grande número de substantivos deve-se ao fato de ser um texto expositivo-argumentativo, que precisa expressar ideias, argumentos ou fatos.

Há poucos adjetivos (ex: crianças selvagens ou mortalidade infantil), cujo papel é especificar o que está sendo falado, conferindo maior objetividade. Abundam frases compostas subordinadas, fornecendo informações mais completas e precisas. A nível textual, vários marcadores são usados com a intenção de manter a coerência e destacar algumas ideias, tais como “até recentemente” ou “mas”.

4. Posição Crítica do Analista

A atual tendência de idealizar a infância é forte, pois esta fase é muito importante para o desenvolvimento do indivíduo. No entanto, a exaltação das crianças resultou em uma liberdade que não deve ser permitida, visto que a criança necessita dos pais e professores como pilares fundamentais para o seu desenvolvimento.

Embora as crianças não devam ser supervalorizadas, também não deve haver um controle total dos pais sobre seus filhos. Os pais precisam saber onde seus filhos estão e o que fazem, mas o excesso de controle é prejudicial e pode levar a problemas de socialização. É por isso que não estou inteiramente de acordo com o autor, pois uma criança deve ter uma liberdade mínima relativa à vida privada para o desenvolvimento social de suas habilidades, embora eu rejeite a idealização extrema da infância.

4.1. Educação e Confiança

Estudos de Pedagogia relatam que uma melhor comunicação e educação da criança constroem confiança. Um pai que é capaz de falar em confiança com seu filho, que lhe conta os problemas e com quem existe entendimento mútuo, não tem necessidade de monitorar o filho. Assim, o problema de ter que saber o que fazem e onde estão se afasta, pois a criança confia nos próprios pais e não se sente pressionada ou sem liberdade.

4.2. O Exemplo Parental

A educação é um direito fundamental e pode ser exercida pelos pais sem um controlo rigoroso sobre os seus filhos. Os pais muitas vezes têm medo de que, ao virarem as costas, seus filhos mantenham más companhias. Mas o fato é que, se todos os pais se preocupassem em obter um acordo mais carinhoso com o filho, oferecendo uma educação proveitosa, saudável e habitável, seria mais difícil que os filhos se desviassem.

Muitos pais assumem a educação de seus filhos de forma estrita e os mantêm bem guardados, mas depois se descobre que o problema é interno: os pais dizem palavrões e agem de forma incivilizada. Isso, junto com a raiva, faz com que a criança se sinta incompreendida pelos pais, desenvolvendo uma atitude negativa em relação aos pais e à sociedade em geral.

5. Conclusão

Em conclusão, as crianças devem ser educadas pelos pais, sendo estes os pilares elementares de toda a educação infantil, mas não com mão de ferro. É crucial que a criança aprenda a conhecer e a respeitar, e que os pais não invadam sua privacidade, pois é necessário ganhar a confiança da criança para que ela compartilhe sua vida privada.

Juan Carlos García Quintana, 2º CT B

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