Immanuel Kant: Epistemologia e Ética

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Immanuel Kant (1724-1804) viveu toda a sua vida em Königsberg (Prússia). Professor na universidade de sua cidade, seu pensamento foi influenciado pelo racionalismo e pelo empirismo, tornando-o o filósofo mais importante do século XVIII. Defensor dos ideais liberais do Iluminismo, apoiou a Revolução Americana e a Revolução Francesa. Sua vida foi pacífica e livre de nacionalismos. De constituição frágil e extremamente metódica, o rigor de sua agenda permitia que seus vizinhos acertassem os relógios.

Grandes Obras

  • Crítica da Razão Pura
  • Crítica da Razão Prática
  • Crítica do Juízo
  • Resposta à pergunta: O que é o Iluminismo?

O problema do conhecimento: Epistemologia

Segundo Kant, diante do antagonismo entre racionalismo e empirismo, é necessária uma crítica da razão. Para isso, propõe uma análise da nossa capacidade de conhecer em sua Crítica da Razão Pura. A filosofia, como crítica da razão pura teórica, deve responder à pergunta: "O que posso conhecer?". Kant estabelece os princípios que tornam o conhecimento científico possível, definindo as condições para que qualquer conhecimento seja verdadeiro. As condições para os juízos científicos são empíricas e transcendentais (a priori). Kant classifica os juízos em analíticos e sintéticos (a priori ou a posteriori), afirmando a existência de juízos sintéticos a priori, que trazem novos conhecimentos cuja verdade não depende da experiência. Para isso, estuda as três faculdades da razão: sensibilidade, entendimento e razão.

Estética Transcendental

A sensibilidade é a capacidade de perceber de forma passiva. Suas condições transcendentais são as intuições puras: espaço e tempo, que pertencem à razão e não à realidade. O sujeito aplica essas intuições espontaneamente, criando o fenômeno, e não a "coisa em si". Isso gera a "revolução copernicana" no conhecimento: o objeto deve adaptar-se às condições da razão do sujeito.

Analítica Transcendental

As condições que tornam possível entender o que é percebido são as categorias do entendimento, que devem ser aplicadas à sensibilidade. Kant distingue entre fenômenos (o que percebemos) e númenos (a coisa em si, incognoscível). A ciência só pode conhecer os fenômenos. Por isso, a filosofia kantiana é chamada de Idealismo Transcendental.

Dialética Transcendental

Examina se a metafísica é possível como ciência. Kant conclui que o conhecimento de realidades como Deus, alma e o mundo como um todo é ilegítimo, pois aplica categorias a objetos fora da experiência, levando a contradições.

O problema da moral: A Ética

Kant responde às perguntas "O que devo fazer?" e "O que posso esperar?" na Crítica da Razão Prática. Ele distingue a ética material (empírica, hipotética e heterônoma) da ética formal (universal, independente e baseada na razão a priori).

A ética kantiana baseia-se no dever. O cumprimento do dever pelo dever constitui a boa vontade. A obrigação moral é expressa no imperativo categórico: "Age de tal maneira que a máxima da tua ação possa valer como lei universal" e "trata a humanidade sempre como um fim e nunca apenas como um meio".

Postulados da Razão Prática

  • Liberdade: Condição necessária para a ação moral.
  • Imortalidade da alma: Exigência para a realização infinita do dever.
  • Existência de Deus: Garantia da união entre virtude e felicidade.

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