Imperialismo e Economia: América Latina, África e Ásia
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América Latina: Independência e Capital Estrangeiro
Entre os anos 80 do século XIX e o início da Primeira Guerra Mundial, a América Latina vivenciou um processo de independência e decolagem econômica, consolidado pelo contexto político pós-independência da Espanha.
Independência Econômica e Dependência
Os grupos políticos locais mantiveram a estrutura socioeconômica vigente, beneficiando-se de uma dependência econômica que, embora não fosse colonial no sentido estrito, era um produto direto do imperialismo.
- Produção: Concentrada nas mãos de elites locais, a região especializou-se na exportação de produtos agrícolas e minerais.
Essa especialização gerou vulnerabilidade, pois a produção dependia da demanda externa e da elasticidade-renda. Exemplo: a substituição do açúcar de Cuba e do Brasil pela beterraba europeia causou uma queda drástica na demanda.
Estrutura Social e Oligarquia
O poder político e econômico era controlado por uma oligarquia latifundiária. Através de casamentos e do sistema de morgadio, evitavam a divisão de terras, impedindo a formação de camadas médias ou de uma burguesia independente. A produção baseava-se na agricultura extensiva, impulsionada pela expansão ferroviária.
Posse de Capital e Finanças
- Acúmulo de Capital: Restrito a poucos, foi direcionado ao agronegócio e, em alguns casos, à substituição de importações.
- Capital Estrangeiro: A presença britânica foi predominante em terras e infraestrutura. O sistema fiscal, baseado em impostos indiretos, favorecia a elite e desestimulava o investimento público.
- Sistema Bancário: Houve uma especialização: bancos de capital estrangeiro focavam na comercialização e abastecimento, enquanto bancos locais financiavam a dívida pública e a agricultura de exportação.
e 7.3 África e Ásia: O Expansionismo Colonial
Causas da Expansão
Diferente da América Latina, a África e a Ásia possuíam estruturas políticas distintas da europeia. A partir de 1880, Grã-Bretanha e França lideraram um novo processo de expansão colonial.
- Políticas: Aumento do nacionalismo, militarismo e a necessidade de evitar a influência de potências rivais.
- Econômicas: Necessidade de escoar o excedente de produção (devido à depressão econômica) e busca por novas matérias-primas.
Tipos de Assentamentos
- Forma de Governo: Colônias (governo direto da metrópole), Protetorados (governo local respeitado, mas sob tutela) e Portas Abertas (autonomia interna com acordos comerciais externos).
- Posição Geográfica: Sistemas de hierarquia (autonomia gradual, como na África do Sul) ou colônias de integração (territórios contíguos, como nos EUA e na Rússia asiática).
- Demografia: Áreas escassamente povoadas facilitaram a imposição de quadros constitucionais metropolitanos; áreas densamente povoadas mantiveram estruturas pré-existentes.
Consequências do Processo
As consequências foram, em geral, negativas:
- Para a Metrópole: O custo de manutenção militar e administrativa raramente compensava os ganhos econômicos.
- Para as Colônias: Exploração indígena, redução do consumo e proletarização. O desmantelamento das indústrias locais e o aumento da tributação direta para sustentar a administração colonial geraram desequilíbrios estruturais, agravados por uma explosão populacional decorrente de melhorias sanitárias que visavam apenas garantir mão de obra barata.