A Imprensa na Velha República: história, anarquismo e a grande imprensa capitalista
Resumo
O texto percorre a imprensa brasileira da Velha República, desde os primeiros jornais anarquistas e socialistas, a fundação da ABI em 1908 e a imprensa negra, até a Lei Infame de 1921 e o surgimento da grande imprensa capitalista. O estudante verá como a relação entre jornal, anunciante, política e leitor se transformou no início do século XX.
Pontos-chave
- Gustavo Lacerda, socialista, buscou organizar a classe jornalística, o que levou à fundação da ABI em 1908 por oito jornalistas.
- Os primeiros jornais anarquistas surgiram pouco antes da virada do século, como O Despertar, de José Sarmento, e O Golpe, de Mota Assunção.
- O Amigo do Povo, fundado após o Congresso do Partido Socialista Brasileiro de 1902, foi dirigido por Neno Vasco.
- A imprensa negra surgiu do movimento abolicionista, com o jornal O Baluarte (1905-1923).
- A Lei Infame (nº 4269 de 1921) levou à lei nº 4743 de 1923, restringindo a liberdade de imprensa e encerrando o maior período de liberdade de imprensa no Brasil.
- No início do século XX, o jornal passou do modelo de pequena empresa para o de grande empresa, consolidando um modelo capitalista.
- Assis Chateaubriand iniciou seu império ao adquirir O Jornal em 1919, e Irineu Marinho fundou O Globo em 1925.
A Imprensa na Velha República
Gustavo Lacerda, oriundo do agitado ambiente universitário da virada do século XX, socialista, buscou fundar uma imprensa proletária e organizar a classe jornalística. Deste esforço, surgiu a ABI, em 1908, fundada por apenas oito jornalistas.
Já haviam sido fundados os primeiros jornais anarquistas pouco antes da virada para o novo século, com O Despertar, de José Sarmento, e O Golpe, de Mota Assunção. Em 1902, ocorreu o Congresso do Partido Socialista Brasileiro, que fundou o jornal O Amigo do Povo, dirigido por Neno Vasco, que também fundaria a revista Aurora, em 1908. Paralelamente, surgiram diversos outros jornais com a mesma orientação em todos os estados brasileiros.
Os jornais buscaram na literatura figuras como Olavo Bilac e Lima Barreto para alimentar seus cadernos de crônicas. Surgiam assim polêmicas entre colunistas, como a de Carlos de Laet contra Camilo Castelo Branco, e Rui Barbosa contra Epitácio Pessoa, ministro da Justiça de Campos Sales.
Outras Imprensas da Velha República
Também surgiu a imprensa negra, oriunda do movimento abolicionista, como o jornal O Baluarte (1905-1923). Jornais de postura mais crítica a respeito das reivindicações desta faixa da população só surgiriam em 1933, com o jornal A Voz da Raça.
A reação da oligarquia a esta movimentação aconteceu em 1922, quando, apoiados pelo congressista paulista Adolfo Gordo, foi proposta a chamada "Lei Infame" (nº 4269 de 1921), que levou à lei nº 4743 de 1923, restringindo a liberdade de imprensa. A partir daí, a polícia fechou vários periódicos comunistas, encerrando o maior período de liberdade de imprensa no Brasil (1821-1923).
No mesmo período, O Estado de S. Paulo começou a se tornar conhecido não graças à cobertura da Guerra de Canudos por Euclides da Cunha, mas à figura de Jeca Tatu, desenvolvida por Monteiro Lobato em 1912.
A Grande Imprensa e o Modelo Capitalista
O início do século XX marcou a passagem do modelo de pequena empresa para o de grande empresa jornalística. Altera-se a relação do jornal com o anunciante, a política e o leitor, consolidando um modelo capitalista. Como diz Nelson Werneck Sodré, nesta época ficou mais fácil comprar um jornal do que fundar um.
O Correio da Manhã, fundado em 1901 por Edmundo Bittencourt, nasceu para fazer oposição aberta às oligarquias. Já Assis Chateaubriand iniciou seu império ao adquirir O Jornal em 1919, revolucionando o mercado publicitário com o auxílio de Fitz Gibbon.
Em 1925, Irineu Marinho fundou O Globo, que seria conduzido por seu filho, Roberto Marinho. Em 1928, José Eduardo de Macedo Soares fundou o Diário Carioca, fazendo oposição a Washington Luís.
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O que foi a Lei Infame na imprensa da Velha República?
Foi a proposta apoiada pelo congressista paulista Adolfo Gordo, identificada como nº 4269 de 1921, que levou à lei nº 4743 de 1923. Ela restringiu a liberdade de imprensa, e a polícia passou a fechar vários periódicos comunistas.
Quem fundou a ABI e quando?
A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) foi fundada em 1908 por apenas oito jornalistas, como resultado do esforço de Gustavo Lacerda para organizar a classe jornalística.
Quem foi Neno Vasco?
Neno Vasco dirigiu o jornal O Amigo do Povo, fundado após o Congresso do Partido Socialista Brasileiro de 1902. O texto também diz que ele fundaria a revista Aurora em 1908.
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