A Independência da América Espanhola

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Contexto e Protagonistas

A emancipação das colônias americanas foi impulsionada principalmente pelos criollos. Embora os brancos representassem apenas um quinto da população, formavam o grupo dominante, composto maioritariamente por criollos (brancos nascidos na América) e uma minoria de espanhóis peninsulares.

Os criollos possuíam um considerável poder económico, enriquecido pelo comércio e pela posse de terras. Desejavam a independência para se libertarem das restrições e do monopólio impostos pela Espanha, mas, ao mesmo tempo, sentiam a necessidade de garantir a ordem social.

A luta pela emancipação foi, na sua essência, um conflito entre criollos e espanhóis peninsulares. As camadas mais baixas da sociedade (indígenas, negros e mestiços) não se identificaram com o movimento, preferindo, em muitos casos, a manutenção do domínio espanhol em detrimento dos grandes proprietários criollos. Apenas no México, líderes como Hidalgo e Morelos conseguiram atrair os indígenas para a luta pela independência.

Fases do Processo de Independência

Primeira Fase (até 1814)

Inicia-se após a derrota de Trafalgar, que praticamente aniquilou a frota espanhola, deixando a América desprotegida. Com a invasão francesa de Espanha, as colónias reagiram proclamando lealdade a Fernando VII e criando juntas de governo. No entanto, a partir de 1810, com a dissolução da Junta Suprema Central, estas juntas começaram um movimento de rebelião, proclamando a ausência de um governo legítimo e dando início ao processo de emancipação. Surgem movimentos revolucionários que criam novos governos, organizam exércitos e estabelecem relações com os Estados Unidos e a Inglaterra.

Segunda Fase (1815-1824)

Com o fim da guerra em Espanha, Fernando VII enviou um exército que, em 1815, tinha a situação praticamente sob controlo. Contudo, entre 1816 e 1824, a luta pela independência reacendeu-se, liderada por figuras proeminentes como José de San Martín, Simón Bolívar e Antonio José de Sucre. Nesta fase, foi essencial o apoio da Inglaterra e dos Estados Unidos, bem como o pronunciamento de Riego em 1820, que impediu o embarque de tropas destinadas a reprimir as rebeliões na América. Simón Bolívar aspirava a criar uma federação de estados sul-americanos, semelhante aos Estados Unidos, um projeto que acabou por não se concretizar.

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