Indústria Cultural, Positivismo e Aparelhos de Estado
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A Indústria Cultural e a Massificação
A partir de uma discussão na Escola de Frankfurt sobre como a Alemanha nazista manipulava as consciências humanas, nasce o conceito de indústria cultural. Entendia-se que a revolução proletária não ocorria devido às dinâmicas e aparatos políticos que impedem e manipulam as consciências das classes, interrompendo qualquer processo revolucionário; a indústria cultural seria uma dessas formas.
Para Adorno, todas as classes são afetadas pela indústria cultural, o que gera uma massificação dos grupos. Dessa forma, não são apenas as massas que produzem a indústria cultural; elas são, na verdade, um reflexo dessa indústria que só existe porque produz a massa e vice-versa, tratando-se de uma relação dialética. A indústria cultural era um problema tão grande para Adorno que toda a inovação trazida pela Revolução Francesa e pelo Iluminismo seria perdida. Toda a capacidade de racionalização do homem seria acobertada por esse projeto de manipulação que massifica os indivíduos. Após esse processo, o indivíduo é diminuído e ridicularizado pela mesma indústria que o criou. Na forma de democracia política, fala-se de um “povo” despolitizado, sem entender que esse povo não foi estimulado a racionalizar e perceber de maneiras diferentes suas relações culturais, políticas e éticas.
O Positivismo de Auguste Comte
Influenciado pelo Iluminismo, Comte cria uma nova corrente filosófica chamada positivismo. Ele enxerga as revoluções de maneira positiva, ao passo que as mudanças sociais são inevitáveis e levam a sociedade a uma melhor situação. O autor acredita que, após o Iluminismo, o homem tem a capacidade de desenvolver uma cadeia de pensamentos que vão do menos ao mais evoluído, identificando quatro tipos de conhecimentos:
- Senso comum/popular: o mais rudimentar, de acesso a todos.
- Religioso: conhecimento mais elaborado, que necessita de estudo e dedicação.
- Metafísico: estuda o não palpável, sem limites definidos.
- Científico: patamar superior aos demais, que evolui rapidamente e passa a ter maior valor social.
A Crítica ao Iluminismo: O Eclipse da Razão
Horkheimer escreve O Eclipse da Razão como uma crítica à ideia de que o Iluminismo só possui pontos positivos. A metáfora do eclipse serve para mostrar que toda essa “luz” traz consigo sombras: quando se estabelece uma hierarquia no pensamento humano, pode-se fazer o mesmo com os próprios seres humanos, tal qual o nazismo fez na Alemanha e o neocolonialismo no mundo inteiro, ao classificar um povo como superior aos demais.
A valorização de um conhecimento em detrimento de outros acaba transformando a razão humana e nos afastando da natureza, dos nossos instintos, da sensibilidade, da espiritualidade e da razão não científica. Isso desiguala ainda mais os homens, pois aqueles que não possuem acesso ao conhecimento científico são desvalorizados. Com isso, o conhecimento passa a ser mais uma forma de dominação e não de libertação.
Aparelhos Ideológicos de Estado (AIE)
O Estado se mantém numa superestrutura através de construções sociais; essas relações de dominação se estabelecem e se multiplicam a fim de manter o status quo. Os AIEs são formas sutis de dominação que utilizam símbolos e ideologias para impor o pensamento da classe dominante.
Para Althusser, os AIEs estão presentes em diversas instâncias da vida em sociedade, tais como:
- Religioso, familiar, escolar, jurídico, sindical, midiático e cultural.
Essas categorias da sociedade civil funcionam em prol da ideologia política do Estado. Pensar nos AIEs não é apenas falar de relações hierárquicas, mas entender como, de maneira repressiva e ideológica, o Estado impõe uma relação de poder desenvolvida no modo de produção capitalista. Dessa forma, os AIEs maximizam as desigualdades entre as classes. Um bom exemplo disso é a educação formal que, em vez de trazer um capital cultural ou simbólico, ensina apenas o básico para manter as velhas formas de reprodução da condição de classe baixa.