A Indústria Espanhola: Evolução e Estrutura (1885-1975)
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A Indústria Espanhola (1885-1975)
1. Evolução Histórica
1.1. Início da industrialização (1855-1900)
- Causas do atraso: Má capacidade em matérias-primas e produtos energéticos.
- Investimento industrial insuficiente e empreendedorismo escasso.
- Demanda de produtos industriais limitada.
- Atraso tecnológico e necessidade de importar máquinas.
- Situação externa desfavorável: Guerra da Independência, a perda das colônias.
- Política industrial inadequada → Protecionismo desde 1890.
1.2. Crescimento no 1º terço do século XX
- Crescimento da produção interior de carvão pelo encarecimento do carvão importado pela PGM (Primeira Guerra Mundial).
- Aumento do investimento industrial (→ Repatriação de capitais com a perda das colônias / Exportações para a Europa durante a PGM).
- Aumento da demanda por produtos industriais pelo impulso das obras públicas.
- Incorporação dos avanços da Segunda Revolução Industrial.
- Política protecionista ⇒ Eliminação da concorrência externa.
1.3. Estagnação na Guerra Civil e pós-guerra
- Guerra Civil (1936-39).
- Autarquia (1939-59): autossuficiência e restrição de importações.
1.4. Desenvolvimento Industrial (1960-1975)
- Aumento dos investimentos → atração de multinacionais (capitais provenientes do turismo, remessas de emigrantes e privados).
- Crescimento da demanda por produtos industriais.
- Melhorias técnicas.
- Baixo preço da energia.
- Política estatal → Planos de desenvolvimento.
2. A produção industrial (1855-1975)
- a) 1850-1900: I Revolução Industrial → potenciação do setor siderometalúrgico e o têxtil.
- b) 1900-1975: II Revolução Industrial → Diversificação da produção industrial.
Setores básicos: Incentivo estatal com a criação do INI (1941) para estimular setores estratégicos. / Indústria de bens de consumo: Desenvolvimento paralelo ao aumento do nível de vida. / Indústria de bens de equipamento: Desenvolvimento em meados do século XX por multinacionais.
3. Estrutura industrial (1855-1975)
a) Sistema de produção diverso: Sistemas tradicionais nas pequenas indústrias. Sistemas fordistas nas grandes: cadeia de produção, especialização, economias de escala.
b) Tamanho das empresas contrastado: Pequenas: majoritárias, escasso investimento, tecnologia e competitividade. Grandes: setores básicos protegidos pelo INI, filiais de multinacionais.
c) Atraso tecnológico e dependência externa: Escasso investimento tecnológico devido à falta de estímulo à inovação. / Dependência externa: tecnológica, financeira, energética ⇒ Falta de competitividade.
d) Mão de obra industrial crescente e pouco qualificada.
4. Localização Industrial (1855-1975)
4.1. Fatores clássicos de localização industrial
- Proximidade de matérias-primas e fontes de energia.
- Mercado de consumo amplo.
- Mão de obra abundante e barata ou preparada.
- Sistemas de transporte eficazes.
- Capital ou capacidade para atraí-lo.
- Setores de apoio: serviços, infraestruturas, equipamentos.
- Política industrial favorável.
4.2. Tendência à concentração industrial
- Criação de aglomerações urbano-industriais que se beneficiam das economias externas.
5. Áreas Industriais
5.1. Primeiras áreas industriais
a) Concentração na periferia (costa cantábrica e mediterrânea) e Madrid.
- Diferentes áreas de acordo com o fator predominante:
- Áreas de base extrativa: Málaga, Astúrias, Cantábria, País Vasco.
- Áreas de base portuária: Bilbao, Avilés, Barcelona, Valência.
- Áreas urbano-industriais: Poder de atração das cidades (Madri).
b) Resto do território: focos dispersos baseados em produções tradicionais.
5.2. Áreas industriais entre 1900-1975
- Consolidação dos desequilíbrios.
- a) Afirmação das regiões industriais existentes: Vantagens das economias de aglomeração. Regiões da faixa cantábrica (setores básicos, grande fábrica, apoio estatal); região mediterrânica (diversificação, indústria leve e pequena empresa privada); Madrid (consolidação pelo centralismo do franquismo, diversificação industrial).
- b) Década de 1960: Difusão da indústria para espaços novos por deseconomias de carga das aglomerações.
- Zonas industriais nas periferias ao longo das estradas ⇒ Eixos de difusão industrial.
- Eixos industriais nacionais → Comunicação entre regiões industrializadas (Ebro, Mediterrâneo).
- Eixos industriais regionais → Política de Desenvolvimento Industrial (Galiza litoral, Andaluzia OCC).
- Enclaves isolados → Instalação de indústrias básicas (Puertollano, Ponferrada).
- Pólos de promoção ou de desenvolvimento (Valladolid, Zaragoza).
- c) Resto do Estado: Industrialização escassa e dispersa baseada em produções tradicionais.
6. Política Industrial (1855-1975)
6.1. Marco e objetivos da política industrial
- a) Marco: Protecionismo ⇒ Falta de incentivos para a modernização. Intervenção estatal ⇒ Criação de empresas públicas em setores estratégicos.
- b) Objetivos: Promover a indústria. Corrigir os desequilíbrios territoriais ⇒ Planos de desenvolvimento (1964-1975).
6.2. Promoção e descongestionamento industrial
Pólos de promoção e desenvolvimento:
- Pólos de desenvolvimento: cidades com alguma base industrial (A Coruña, Vigo, Sevilha).
- Pólos de promoção: áreas necessitadas de maiores investimentos (Burgos, Huelva).
- Subsídios, créditos oficiais, desonerações fiscais, solo barato, infraestruturas. Resultados inferiores aos previstos.
Outras medidas:
- As zonas de preferência de localização industrial: Cáceres, Vale do Cinca, Mieres-Langreo, Campo de Gibraltar, Terra de Campos e Canárias.
- Polígonos de preferência de localização industrial.
- Grandes áreas de expansão industrial: regiões atrasadas (Galiza, Andaluzia, Extremadura, Castela).
- Dinâmica de descongestionamento industrial: próximos às cidades anteriores.