A Industrialização e o Impacto do Comboio no Século XIX
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1. Alterações da Industrialização na Europa do Século XIX
Na economia, o grande influenciador do desenvolvimento económico do século XIX foi o comboio a vapor, que passava pelas principais cidades e centros económicos e demográficos, permitindo, assim, um grande desenvolvimento da agricultura, do comércio e da circulação de bens. O comboio favoreceu ainda o aparecimento de novas profissões e aumentou o desenvolvimento financeiro dos Estados.
O comboio fez também com que surgissem as gares, que eram os locais fixos de paragem das máquinas e que também atraíam pessoas devido ao facto de estas serem edifícios modernos e utilizarem técnicas e materiais (ferro e vidro) avançados para o tempo. Sendo assim, nos locais onde eram instaladas as gares, havia sempre um grande desenvolvimento económico, fazendo com que espaços como lojas, cafés, hospedarias, restaurantes, etc., surgissem à sua volta.
Na classe média, o desenvolvimento dos governos liberais, das cidades, da indústria e do comércio levou ao crescimento do setor dos serviços e à consolidação da classe média: funcionários públicos, médios comerciantes, professores, advogados e médicos, etc. A instrução primária generalizou-se nas principais cidades e a imprensa difundiu-se. O proletariado teve baixos salários, longas horas de trabalho, trabalho infantil, falta de segurança e de higiene, e más condições de habitação e de alimentação.
2. Repercussões do Comboio na Europa e América do Norte
O comboio e as linhas férreas tiveram o seu aparecimento na atividade mineira e nas pedreiras. Foi George Stephenson quem criou a primeira linha comercial, que ligava Stockton a Darlington, e fez surgir o comboio a vapor. Foi ele que serviu primeiro as regiões de maior desenvolvimento industrial e agrícola.
No campo económico, permitiram uma maior, mais fácil e mais rápida circulação dos produtos a nível nacional e internacional; a expansão das linhas férreas foi um facto decisivo no crescimento da industrialização.
A nível demográfico, incentivaram uma maior mobilidade populacional, contribuindo para o aumento do êxodo rural e para o aumento dos fluxos emigratórios (sobretudo Europa-Américas) e imigratórios que o século XIX conheceu, a nível mundial. Contribuíram, também, para o crescimento das cidades já existentes e para o nascimento de outras, alterando o aspeto físico e impondo novas reformas urbanísticas.
A nível social, promoveram o hábito das viagens, facilitaram o acesso a novos empregos e também criaram novos empregos, contribuindo para o aumento da qualidade de vida.
3. Caracterização das Classes Sociais do Século XIX
A revolução liberal e a política de desenvolvimento, iniciada pelos governos liberais, levou a uma nova organização social. A nobreza e o clero perderam muitas das suas regalias, apesar de continuarem a possuir muitas terras. A burguesia transformou-se no grupo social mais importante na sociedade portuguesa do século XIX. Aumentou a sua riqueza com o comércio, a indústria e a atividade bancária. O povo passou a ter, perante a lei, os mesmos direitos e deveres que os outros grupos sociais.
O século XIX foi o século de ouro da burguesia. Era o grupo social mais importante da cidade. Os burgueses destacavam-se pela sua riqueza e pelos cargos e profissões que desempenhavam:
- Industriais
- Banqueiros
- Comerciantes
- Militares
- Membros do Governo
- Professores
- Médicos
- Advogados
- Funcionários públicos
A alguns burgueses mais ricos, o rei concedeu-lhes títulos de nobreza: títulos de visconde, conde, barão. Com o tempo, os burgueses desinteressavam-se pelos títulos e procuravam mostrar que as pessoas valiam pelo seu trabalho, inteligência e sucesso profissional, e não por aquilo que herdavam. A alta burguesia habitava ricas e luxuosas moradias, rodeadas de jardins, situadas muitas vezes nos arredores da cidade. A classe média, grupo de burgueses menos endinheirados, habitava nos novos bairros em confortáveis andares.
4. A Importância das Gares no Contexto Urbano e Social
Na gare surgiu a estação de caminho de ferro, que também surgiu como um dos polos de dinamização urbana, onde se cruzavam pessoas, modas, ideias e culturas. A gare era o símbolo dos novos tempos: da velocidade, do desenvolvimento da tecnologia, da modernidade, da abertura ao mundo, e tornou-se um símbolo da vida urbana, lugar de confluência de viajantes e aventureiros, homens de negócios e industriais, de gente à procura de melhores condições de vida. Na gare estavam também representadas a capacidade inventiva dos homens e o exemplo do uso dos novos materiais construtivos: o ferro e o vidro, produzidos industrialmente.
5. Modernidade, Tecnologia e Raízes Rurais
Ou seja, a modernidade era dominada pela máquina, pela tecnologia e pelo materialismo; também era um mundo rural onde ainda se podia encontrar a verdadeira alma das nações e onde as raízes medievais se faziam sentir de forma mais autêntica nos hábitos e costumes das suas gentes.
6. Importância de Gustave Eiffel para a Modernidade
A importância de Gustave Eiffel residia sobretudo na construção civil e na arquitetura. Foi arquiteto e engenheiro francês; Eiffel especializou-se em construções metálicas, sendo o melhor da sua época. Começou a sua carreira construindo viadutos, sendo o mais destacado o de Garabit (1882), e pontes metálicas.
A estrutura metálica da Estátua da Liberdade, em Nova Iorque, também é obra sua. A obra pela qual é mais conhecido é a Torre Eiffel, em Paris, que se converteu no símbolo da capital francesa. Em Portugal, Eiffel é responsável pela ponte D. Maria Pia, no Porto, deixando vários discípulos e admiradores que construíram as suas obras, como o Palácio de Ferro em Luanda, e ainda várias pontes em Luau, Moxico, Angola.