Infecção por HTLV: Transmissão, Diagnóstico e Clínica
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Infecção por HTLV
O HTLV é um retrovírus (RNA fita simples +, envelopado) que possui transcriptase reversa (TR), integrase e protease.
Tropismo e Patogenia
O vírus apresenta tropismo por linfócitos T CD4 (única célula que ele causa transformação), CD8, linfócitos B, monócitos, macrófagos e células dendríticas. O HTLV entra na célula, imortaliza-a e estimula a replicação clonal da célula infectada. Não há liberação de vírus livre na circulação; a transmissão ocorre por sinapse viral entre células. A carga viral é determinada pelo número de leucócitos infectados e a resposta imune é dependente de linfócitos T CD8.
Vias de Transmissão
- Sexual: Homem para mulher, mulher para homem e homem para homem. Fatores de risco incluem múltiplos parceiros, outras ISTs, carga pró-viral elevada, menopausa (atrofia da mucosa) e idade avançada do parceiro.
- Vertical: Principal via de transmissão. Ocorre via transplacentária/periparto (5%) e, principalmente, pelo leite materno (prevalência de 20% pela ingestão de linfócitos infectados). A testagem de gestantes e o bloqueio do aleitamento reduzem a prevalência.
- Parenteral: Uso de drogas injetáveis, acidentes com material biológico, doação de órgãos e transfusão de hemoderivados (apenas os que contêm células).
Diagnóstico
O diagnóstico é realizado por testes de triagem (ELISA) e confirmatórios (Western Blot ou PCR). O PCR é preferencial para crianças menores de 12 meses.
Aspectos Clínicos
A maioria dos pacientes permanece assintomática. Quando ocorrem complicações (10% dos casos), dividem-se em:
- Doenças Inflamatórias: Paraparesia espástica tropical (mielopatia), uveíte, artropatia, síndrome de Sjögren, polimiosite e tireoidite.
- Doenças Neoplásicas: Leucemia de células T do adulto (ALT) e linfoma primário cutâneo de células T.
- Doenças Infecciosas: Estrongiloidíase (risco de forma disseminada), sarna norueguesa, dermatite infecciosa, tuberculose e lepra.
Mielopatia Associada ao HTLV (PET/MAH)
Caracteriza-se por paraparesia espástica, hiperreflexia, sinal de Babinski e bexiga neurogênica. O diagnóstico é clínico, com suporte de RM de coluna (edema ou atrofia axonal) e análise do líquor.
Tratamento
Não existe cura para a infecção. O tratamento é paliativo e focado no manejo dos sintomas:
- Bexiga neurogênica: Cateterismo intermitente e fármacos.
- Espasticidade: Relaxantes musculares (ex: baclofeno).
- Dor: Neuromoduladores (ex: amitriptilina, gabapentina).
- Infecções: Quimioprofilaxia para infecções urinárias de repetição.