Inflação, Desemprego e Ciclos Económicos: Guia Completo
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Conceitos Fundamentais de Inflação
Inflação: Representa a subida generalizada no nível de preços, quantificada através da taxa de inflação (taxa de variação do nível geral de preços).
- Deflação: Ocorre quando o nível geral de preços diminui.
- Desinflação: Significa a redução da taxa de inflação.
- Estagflação: Descreve a coexistência de desemprego elevado, ou estagnação, e de inflação persistente.
Quando se refere ao aumento da inflação, de facto está-se a referir à evolução de um índice de preços. Um índice de preços é uma média ponderada dos preços de um certo número de bens e serviços.
Os índices de preços mais importantes são: o Índice de Preços no Consumidor (IPC) e o deflator do PIB.
Medidas para analisar o crescimento dos preços:
- Variação Mensal: Mede o crescimento do nível geral de preços entre o mês t-1 e o mês t.
- Variação Homóloga: Mede o crescimento do nível geral de preços entre o mês t do Ano T-1 e o mês t do Ano T.
- Variação Média dos Últimos 12 Meses: Mede o crescimento do nível geral de preços entre os 12 últimos meses do Ano T-1 e os últimos 12 meses do Ano T.
Graus de Inflação:
- Inflação moderada: Caracterizada pelo aumento dos preços em ritmo lento. Podemos classificar como moderada uma inflação com taxas anuais de um só dígito.
- Inflação galopante: Uma inflação de dois a três dígitos é considerada galopante.
- Hiperinflação: Trata-se de uma inflação com taxas extremamente elevadas (1.000% ou 1.000.000% ao ano).
Causas ou Fontes de Inflação
- Inflação pelos custos: A inflação pode resultar de um aumento dos custos que as empresas repercutem nos preços de venda. Normalmente, atribui-se esta inflação aos custos salariais e aos custos das matérias-primas e produtos intermédios importados.
- Inflação pela procura: Resulta de um excesso de procura agregada sobre a oferta agregada da economia; é a explicação mais ligada à análise económica de inspiração keynesiana. Transpõe para a globalidade do sistema económico aquilo que se verifica a nível dos mercados individualmente considerados: em geral, um excesso de procura sobre a oferta faz aumentar os preços.
- Emissão de moeda: Aumento da massa monetária em circulação.
Custos da Inflação
- Sobre a redistribuição do rendimento e da riqueza: Se existirem rendimentos fixos ou com mais dificuldade de adaptação ao crescimento dos preços, a inflação fará descer rapidamente o valor real desses rendimentos, os quais muitas vezes (pensões, salários) são recebidos por classes já de si menos favorecidas.
- Imposto implícito: Agentes económicos precisam sempre de manter um saldo monetário imediatamente disponível para facilitar as suas transações. Trata-se, pois, de um imposto apropriado por quem emite a moeda.
- Sobre a eficiência económica: Quando o processo inflacionista é rápido, existe uma disparidade entre os preços do mesmo produto consoante os locais de venda, o que obriga os consumidores a perder tempo e dinheiro à procura de bens ao melhor preço. As empresas (especialmente as comerciais) têm o custo adicional de mudar frequentemente os preços e torna-se também mais custosa e difícil a gestão financeira.
Mercado de Trabalho e Desemprego
Taxa de desemprego: Percentagem da população ativa que se encontra desempregada.
População ativa: Incluem-se as pessoas que têm emprego e as pessoas que, não estando empregadas, estão à procura de emprego (empregados + desempregados).
Inativos: É a parte da população adulta que não está à procura de emprego. Neles incluem-se aqueles que estudam, as domésticas, os reformados, os que estão demasiadamente doentes para trabalhar ou simplesmente não procuram emprego.
Taxa de desemprego natural: Designa o nível de desemprego ao qual a taxa de inflação não tem tendência para aumentar nem para diminuir.
Desemprego voluntário: Os indivíduos são desempregados voluntários quando não querem trabalhar com o nível salarial corrente. Aqui, o que existe é uma recusa a procurar emprego, seja por que motivo for. Uma tal situação, em rigor, não constitui verdadeiro desemprego, uma vez que não se verifica qualquer rejeição pelas condições de mercado de trabalho.
Desemprego involuntário: Ocorre se existem trabalhadores qualificados que desejariam trabalhar ao nível corrente de salários, mas que não encontram trabalho.
Tipos de Desemprego:
- Desemprego friccional: Trata-se de desemprego temporário causado por modificações nos mercados particulares (mobilidade da mão de obra). Ocorre devido ao movimento incessante de pessoas entre regiões e empregos ou nas diferentes etapas do ciclo de vida.
- Desemprego estrutural: Resulta de um desequilíbrio permanente entre a oferta e a procura de trabalho, que não é eliminado pela alteração salarial. É o desemprego resultante da estrutura regional ou ocupacional dos postos de trabalho por preencher não coincidir com a estrutura dos trabalhadores que procuram trabalho.
- Desemprego cíclico: Este tipo de desemprego existe quando a procura global de trabalho é diminuta. Está associado às flutuações do PIB.
Consequências do Desemprego:
- Impacto económico: Quando o desemprego é elevado, os recursos são desaproveitados e os rendimentos das pessoas reduzidos.
- Impacto social: Apesar dos custos económicos serem muito elevados, estes não refletem suficientemente os prejuízos humanos, sociais e psicológicos que podem advir de períodos de desemprego persistente.
Ciclos Económicos
Consistem na sucessão observada historicamente de expansões e recessões da atividade económica. Refletem o comportamento mais ou menos regular da economia em torno da sua tendência de crescimento natural.
As flutuações da atividade económica (ciclos económicos) são:
- Generalizadas: Afetam a economia no seu conjunto, e não apenas um ou outro setor.
- Recorrentes, mas não periódicas: Repetem-se ao longo do tempo, mas são relativamente imprevisíveis e de duração muito variável.
- Indesejadas: Pela incerteza que geram e pela perda de bem-estar associada às fases de recessão.