Interações Antígeno-Anticorpo: Testes Sorológicos

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Interações Antígeno-Anticorpo In Vitro

Essas reações, no laboratório, caracterizam os testes sorológicos (baseados na pesquisa de anticorpos). São utilizados, geralmente, quando o microrganismo que causa uma infecção é de difícil cultivo (ex: sífilis, hepatites, doenças virais). Também são aplicados na determinação de doenças autoimunes, tipagem sanguínea e HLA.

A reação antígeno-anticorpo in vitro processa-se em dois estágios:

  • 1. Combinação específica: Entre um determinante antigênico e o anticorpo correspondente;
  • 2. Fenômeno visível: Precipitação ou aglutinação, caracterizada pela formação de grumos.

1. Precipitação

Neste teste, os antígenos encontram-se em solução. A formação de um agregado ou malha (ponto de precipitação ou insolubilização) ocorre apenas quando as concentrações dos reagentes forem equivalentes.

1.1. Tipos de Precipitação

Reação em meio líquido: Em uma série de tubos, adiciona-se quantidade fixa de anticorpo e crescente de antígeno, resultando em três zonas:

  • Zona de excesso de anticorpo (pró-zona): Todo o antígeno é precipitado e há anticorpo livre no sobrenadante. O fenômeno pró-zona pode ocorrer no VDRL (sífilis) quando há títulos de anticorpos muito elevados; a diluição do soro corrige o resultado.
  • Zona de equivalência: Formação de complexos insolúveis (Ag-Ac) – Malha de precipitação.
  • Zona de excesso de antígeno.

Reação de precipitação em gel: Pode ser realizada por difusão simples, dupla ou em campo elétrico.

  • Imunodifusão radial de Mancini (Simples): Usada para medir IgG, IgM e componentes do complemento. O anticorpo é incorporado ao gel e o antígeno difunde-se radialmente, formando um halo de opacificação proporcional à concentração.
  • Imunodifusão dupla (Ouchterlony): Antígeno e anticorpo difundem-se um contra o outro. Indica se os antígenos são idênticos, relacionados ou não relacionados.
  • Imunoeletroforese: Combina eletroforese (separação por carga e tamanho) com difusão, formando arcos de precipitados. Útil para identificar proteínas séricas (ex: mieloma).

2. Aglutinação

Ocorre entre antígeno particulado (ou partícula inerte recoberta de antígeno) e seu anticorpo específico. Partículas comuns incluem látex ou hemácias.

  • Aglutinação direta: Detecta anticorpos contra antígenos celulares grandes (bactérias e fungos). Ex: sorotipagem de Salmonella.
  • Aglutinação indireta: Usa partículas de látex ou hemácias. Exemplos: teste de gravidez (látex) e Teste de Coombs (hemácias).

Teste de Coombs: O soro de Coombs é um anti-anticorpo.

  • Coombs direto: Detecta hemácias sensibilizadas in vivo (ex: doença hemolítica do recém-nascido).
  • Coombs indireto: Pesquisa anticorpos no soro de mães sensibilizadas ou pacientes transfundidos.

3. Reação de Fixação de Complemento

Detecta pequenas quantidades de anticorpo. Se o complexo Ag-Ac se forma, o complemento é fixado. O sistema indicador (hemácias + hemolisina) é usado: se houver hemólise, o complemento não foi fixado (resultado negativo); se não houver hemólise, o complemento foi fixado (resultado positivo).

4. Imunofluorescência

Combina corantes fluorescentes (ex: isotiocianato de fluoresceína) com anticorpos.

  • Direta: Identifica microrganismos em amostras clínicas.
  • Indireta: Detecta anticorpos específicos no soro do paciente usando uma anti-imunoglobulina marcada.

5. ELISA (Enzyme-Linked Immunosorbent Assay)

Utiliza enzimas ligadas a anticorpos ou antígenos para gerar um produto colorido, medido por espectrofotometria.

  • Indireto: Detecção de anticorpos.
  • Sanduíche: Detecção de antígenos.
  • Competitivo: Detecção de antígenos por inibição de cor.

6. Western Blot

Método confirmatório (ex: HIV). Fragmentos de ácidos nucleicos são separados por eletroforese, transferidos para nitrocelulose e expostos ao soro do paciente para detectar anticorpos específicos.

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