Introdução à Ciência Econômica e Teoria da Empresa

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1.1. Da Economia e da Ciência

A palavra economia vem das palavras gregas Oikos e nomos. Portanto, oikonomia significa a gestão ou administração da casa. O termo economia foi usado durante séculos como um conjunto de regras para governar sabiamente ou gerir um lar. Em tempos modernos, a ideia de política econômica tornou-se dominante.

Para a economia clássica, esta é a ciência que estuda a formação, distribuição e consumo de riqueza para satisfazer as necessidades da sociedade. Para outros, a economia é a ciência dos preços e das trocas. Há ainda quem defina a economia como a ciência voltada à gestão de recursos escassos e à escolha.

Uma definição de consenso geral seria: Economia é o estudo de como os homens e a sociedade escolhem a utilização de recursos produtivos escassos, que poderiam ter utilizações alternativas, para produzir diversas mercadorias ao longo do tempo e distribuí-las para o consumo.

O primeiro objetivo da ciência econômica moderna é descrever, analisar e explicar o comportamento da produção, do desemprego e dos preços.

1.2. Metodologia da Ciência Econômica

A economia utiliza-se de vários métodos científicos:

  • Método indutivo: é aquele que fornece proposições gerais a partir da observação e análise do comportamento individual.
  • Método dedutivo: parte de uma proposta geral mais definida para explicar o comportamento individual; afirma a necessidade de usar a abstração dos elementos típicos da economia.

A Escola Clássica fez uso do método dedutivo. Após os clássicos, Cournot, Carl Menger e outros defenderam o uso do método dedutivo para a construção de uma teoria geral. Hemos de reconhecer a necessidade de trabalhar com ambos os métodos: devemos começar com a observação dos fenômenos econômicos para determinar hipóteses, criando leis por meio da abstração e, em seguida, consolidar esse corpo de conhecimentos que os cientistas conseguiram obter através da indução.

Para a construção de uma teoria econômica, existem três fases:

  1. Observação dos fenômenos econômicos.
  2. Estabelecimento de hipóteses.
  3. Verificação da hipótese.

1.3. O Problema da Escassez

A escassez é o problema central de toda a sociedade. O termo está associado a recursos limitados ou econômicos. Os recursos financeiros englobam diferentes tipos de trabalho, capital, terra e organização empresarial, utilizados para produzir bens e serviços.

Devido a esta escassez, todas as sociedades enfrentam os seguintes problemas:

  1. O que produzir?
  2. Como produzir?
  3. Para quem produzir?
  4. Como racionalizar o produto ao longo do tempo?
  5. Como prever a manutenção e o crescimento do sistema?

Numa economia de livre iniciativa, todos estes problemas são resolvidos pelo mecanismo de preços. Em uma economia mista, o governo modifica e, em alguns casos, substitui o funcionamento do mecanismo de preços, buscando o máximo bem-estar para a comunidade. Em uma economia centralizada, o comitê de planejamento determina o que é produzido, como e quanto.

No quarto problema, a sociedade deve escolher o grau de otimismo para a utilização dos recursos e garantir a sua racionalização no tempo. Na quinta questão, o sistema econômico deve ser flexível e capaz de enfrentar ou se adaptar às mudanças que surgem.

2.1.1. Conceito e Evolução Histórica

O sistema econômico é o conjunto de instituições jurídicas e formas de organização social da atividade econômica: como realizar essa atividade dominante e como os agentes se movem para a produção.

2.1. Economia de Sistema Socialista

É aquela em que há apenas um plano econômico centralizado no Estado. As preferências para atender às necessidades do grupo são decididas por um órgão superior. As técnicas das unidades de produção substituem a livre empresa, e o empresário passa a ser um técnico. Os preços de mercado e os cálculos monetários são substituídos por avaliações administrativas. O tribunal de planejamento determina a produção, define os custos, os meios de produção e os preços de venda de bens e serviços.

O sistema dispensa as opiniões do consumidor, mas tem a vantagem de evitar gastos com a concorrência. Este sistema é muito difícil de ser realizado completamente na prática.

2.2. Economia Indireta: Sistema Capitalista

O Estado desempenha um papel muito pequeno. Sua missão principal é manter a ordem, permitindo que a iniciativa privada atenda às necessidades sociais e econômicas. Este sistema é uma economia de mercado, onde empresas, produtos e consumidores são livres para tomar decisões econômicas.

  • Há liberdade para os bens produzidos e fatores de produção.
  • A produção é motivada pelo lucro.
  • Os consumidores escolhem suas despesas.
  • O empregador contrata os fatores de produção e define sua remuneração.

A estrutura legal deste sistema é caracterizada pelo regime de propriedade privada dos meios de produção.

2.3. A Teoria da Microeconomia

A microeconomia estuda o fluxo de bens e serviços das empresas para as famílias. Através dessas relações de troca entre unidades econômicas de produção e consumo, o produto nacional é gerado. Esse movimento circular de dinheiro da empresa para a família e vice-versa é chamado de fluxo circular de renda.

2.4. Teoria Macroeconômica

A macroeconomia estuda o nível coletivo da atividade econômica, como o produto total, o nível de renda nacional, o nível total de emprego e o índice geral de preços. Trata-se do estudo da renda nacional e sua distribuição, examinando a demanda agregada e a soma de todas as produções (produto nacional).

3.1.1. A Empresa

A empresa possui cinco funções principais: gestão, produção, mercado, finanças e pessoal. Ela é um conjunto coordenado de fatores de produção sob a direção, controle e responsabilidade do empregador, visando obter o máximo benefício. A motivação da empresa é determinada por:

  1. Existência de riqueza privada.
  2. Responsabilidade do empregador sobre a unidade.
  3. Objetivo de lucro.
  4. Atuação em um mercado livre.

A produção visa aumentar o valor dos bens econômicos. A empresa é a unidade econômica de produção, podendo gerar bens tangíveis (objetos físicos) ou intangíveis (serviços).

3.3. Metodologia da Empresa

O âmbito de aplicação desta metodologia é o de operações. Casos típicos incluem:

  • Problemas de existência: determinam a quantidade de recursos a adquirir ou a frequência de compra.
  • Problemas de atribuição: alocação de recursos limitados para diferentes tarefas.
  • Problemas de filas (queuing): determinam a quantidade de serviços necessários para minimizar perdas.
  • Problemas de sequência: determinam a ordem das tarefas.
  • Problemas de roteamento: determinam a rota mais curta em uma rede.
  • Problemas de reposição: determinam quando substituir instrumentos ou instalações.

3.4. Princípios da Empresa

3.4.1. Produtividade

Produtividade = Output (resultado) / Fatores utilizados.

A produtividade é a relação entre os produtos resultantes e os recursos consumidos. O grau de eficiência do trabalho é a relação entre os produtos e os funcionários. Os fatores incluem o trabalho humano, a equipe técnica e fabricação de terceiros.

3.2.2. Economia (Eficiência)

A empresa trabalha financeiramente bem quando alcança um resultado com o uso mínimo de recursos. Este princípio baseia-se na seleção e combinação ótima de fatores. Existe uma grande possibilidade de substituição entre fatores (ex: trabalho manual por máquinas). O baixo preço reflete a relação favorável entre custos previstos e custos reais.

3.2.3. Rentabilidade

É a relação entre os resultados e o capital da empresa. O resultado é a diferença entre receitas e despesas monetárias. Se positiva, há benefício; se negativa, há prejuízo. A rentabilidade do capital é a relação entre o resultado do exercício e o capital médio disponível. Tipos de capital incluem: valor nominal, valor real, capital total e ativos da fazenda. Rentabilidade = Lucro / Capital.

4.1. Ativos Fixos (Imobilizações Técnicas)

São os equipamentos e instalações necessários para a atividade, influenciando diretamente a produtividade. Consistem em custos fixos, variáveis e totais.

4.2. Créditos em Circulação (Capital de Giro)

O capital de giro (ou circulante) permite o funcionamento da empresa (compra de matérias-primas, pagamento de funcionários, etc.). Através da fabricação e venda, recupera-se o investimento com uma margem de lucro. A velocidade de circulação é decisiva: quanto mais rápido o ciclo se fecha, maiores são os benefícios gerados pelos ativos circulantes.

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