Introdução ao Conhecimento: Filosofia, Ciência e Razão
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“A filosofia deve ser estudada não com o objetivo de se chegar a alguma resposta definitiva às suas questões, já que nenhuma resposta definitiva pode, como regra, ser reconhecida como verdadeira. Ela deve ser estudada em virtude das próprias questões, pois essas questões ampliam nossa concepção do que seja possível, enriquecem nossa imaginação intelectual e diminuem as certezas dogmáticas que fecham nossa mente à especulação. Mas, sobretudo, ela deve ser estudada porque, graças à grandeza do universo que a filosofia contempla, a mente também é engrandecida e se torna capaz daquela união com o universo que constitui o mais alto dos bens.” (Bertrand Russell)
A história da humanidade, de certa forma, é a história de suas ideias, de suas buscas, de suas descobertas e de seu crescente domínio dos fenômenos da natureza.
Diante de algo hermeticamente fechado sobre si mesmo, ou frente a um objeto ou animal que procede de forma inovadora, o ser humano se coloca as mais variadas questões: Que é? Como pode? Para quê? Por quê?
O Conhecimento como Ferramenta
“Efeito borboleta”
“Quem controla o presente controla o passado. Quem controla o passado, controla o futuro!” (1984). A resposta para o controle é o conhecimento. Conhecer é dizer o que uma coisa é, explicando as causas, as razões e os fins de um determinado ser ou situação.
Formas de Conhecimento
- Empírico ou senso comum
- Mítico
- Religioso/Teológico
- Filosófico
- Científico
Conhecimento Empírico ou Senso Comum
Aquele obtido no dia a dia, de forma superficial. Deriva da experiência casual e dos erros e acertos. Independe de critérios de análise ou estudos adequados, sem observação metódica ou verificação sistemática. É não questionador, acrítico e pode comportar preconceitos e estereótipos, passando de geração para geração.
Pensamento Mítico
Os mitos são narrativas fantasiosas que buscam se pronunciar sobre a “verdade”.
Pensamento Teológico
Baseia-se na revelação — manifestação de uma divindade ou entidade espiritual superior. Relaciona-se ao misticismo, à fé e ao divino. É dogmático, inspiracional, valorativo, sistemático e não verificável, registrado em livros sagrados.
Pensamento Científico
Ao contrário do empirismo, busca a explicação profunda do fenômeno e suas inter-relações. Diferentemente do filosófico, procura delimitar o objeto alvo, buscando o rigor da exatidão. É um conhecimento hipotético, experimental, sistemático, verificável, falível e aproximadamente exato.
A Natureza da Filosofia
A Filosofia é um pensamento sistemático que se desenvolve mediante uma lógica racional. Chegou a ser designada como a “Ciência das causas últimas”. O pensamento filosófico emergiu do pensamento mítico (teogonias, cosmogonias e cosmologias), dando respostas diferentes aos problemas existentes.
O Espanto e a Reflexão
Platão e Aristóteles indicam que a origem do pensar filosófico é o thauma (espanto, admiração, perplexidade). Filosofar é buscar respostas aos nossos questionamentos através da reflexão (reconsiderar os dados disponíveis).
A Grécia Antiga: Sofistas, Sócrates e Aristóteles
No cenário de turbulência política, a arte da discussão se destacou:
- Sofistas: Professores viajantes que ensinavam retórica e argumentação.
- Sócrates: Utilizava o diálogo, a dúvida e a maiêutica (processo de concepção de ideias) com foco na ética.
- Aristóteles: Sistematizador das ciências, dividindo-as em práticas, produtivas e teóricas, estabelecendo os fundamentos da lógica formal.